Nos testemunhos as experiências de um jovem, de uma leiga e de uma religiosa

Tradição de acolhimento

 Tradição de acolhimento  POR-040
03 outubro 2024

O enriquecimento espiritual recebido com a participação na jmj de Lisboa, o compromisso da arquidiocese de Luxemburgo a favor dos idosos, doentes, refugiados, presos e desabrigados, a longa tradição de acolhimento dos migrantes que a Igreja do grão-ducado sempre considerou uma riqueza: eis os temas apresentados pelos três testemunhos que o Papa Francisco ouviu durante o encontro com a comunidade católica na catedral de Notre-Dame.

No grande encontro da juventude em Lisboa, que decorreu de 1 a 6 de agosto de 2023, Diogo Gomes Costa, que saudou o Pontífice em nome de todos os jovens de Luxemburgo, contou que experimentou e sentiu o amor de Deus. «Trouxemos em nós baterias cheias do amor e da alegria de Deus», guardando «na memória e no coração imagens especiais daqueles dois dias». Em primeiro lugar, «o momento de trepidação no Campo da Graça, ao pôr do sol», quando a chegada do Papa Francisco pôs fim a uma espera ansiosa, «e depois o amanhecer do dia seguinte, acordando uns ao lado dos outros». O jovem Diogo partilhou ainda com o Pontífice os frutos das jmj durante a semana de preparação na diocese de Braga, frisando como o evento ajudou a forjar amizades entre os vários grupos de jovens que ainda hoje se mantêm. De tal modo que «um ano depois, foi organizado um encontro, o “pós- jmj ”! Em julho, durante quatro dias, recebemos os nossos amigos portugueses em Luxemburgo, e foi uma alegria imensa reencontrar irmãos e irmãs na fé». É verdade, «todos irmãos e irmãs», com a palavra “todos”, recordou Diogo, feita repetir por Francisco em Lisboa: «Somos pedras vivas», observou, «e contribuímos com coragem para construir a Igreja de amanhã», seguindo o exemplo de São Francisco que «ajudou a reconstruir várias igrejas à volta de Assis». Isto significa «também cuidar uns dos outros», tal como o Pobrezinho de Assis cuidou de um leproso, descendo do cavalo e cobrindo-o com o seu manto. E também ele, concluiu Diogo, ensinou, «como nos recorda constantemente, a cuidar da criação de Deus, nossa casa comum, com todas as suas criaturas e todos os elementos naturais».

Christine Bußhardt, vice-presidente do conselho pastoral diocesano, falou sobre a oportunidade histórica que o processo sinodal mundial pode oferecer para a renovação da Igreja. No seu testemunho, salientou a vitalidade da missão cristã na sociedade multicultural do país, realçando como o gabinete de que é vice-presidente «viajou muito nos últimos meses» e como «os intercâmbios nos nossos seis decanatos» mostram «que a sinodalidade deve tornar-se uma forma estável de relacionamento na Igreja». Vários encontros, esclareceu, tiveram lugar com «voluntários comprometidos, homens e mulheres, sacerdotes e diáconos, religiosos, religiosas, leigos teólogos e catequistas, prontos a assumir a corresponsabilidade neste âmbito». Por isso, o Papa não quis deixar de agradecer aos participantes no Sínodo, pois «em muitos lugares a chama da fé, da esperança e do amor reacendeu-se no coração das pessoas». Graças a este trabalho intenso, a arquidiocese ofereceu ainda maior proximidade aos mais frágeis e excluídos, sem esquecer a prevenção dos abusos e outras prioridades pastorais: «O cuidado dos jovens, a educação teológica dos adultos, a promoção da paz e a proteção do meio ambiente, bem como a colaboração com numerosas organizações humanitárias nacionais e internacionais». Além disso, com o empenhamento de profissionais qualificados e voluntários, de parceiros sociais e da Cáritas de Luxemburgo, acrescentou, centenas de casas foram construídas nos últimos dez anos e postas à disposição das pessoas necessitadas. Este trabalho é realizado em grande parte nas comunidades linguísticas e religiosas e em várias paróquias, «onde homens e mulheres estão envolvidos nos conselhos pastorais e funerários, na pastoral familiar, infantil e juvenil, na catequese, liturgia e música, bem como nos grupos de diaconia».

Depois, a irmã Maria Perpétua Coelho dos Santos, em representação das comunidades linguísticas, apresentou a sua experiência, começando por agradecer ao Papa Francisco «a sua coragem no acolhimento dos migrantes e refugiados». E foi a partir do seu testemunho que o Pontífice aproveitou para comentar o drama da migração, antes de proferir o discurso. Luxemburgo tem cerca de 660.000 habitantes, 47,4 por cento dos quais são estrangeiros, e todos os dias cerca de 214.000 trabalhadores transfronteiriços vêm trabalhar no grão-ducado. Partindo destes números, a religiosa referiu que, durante gerações, a Igreja local «acolheu comunidades migrantes de diferentes línguas, culturas e tradições religiosas» e continua a fazê-lo. Elas, com a comunidade luxemburguesa, formam «o corpo vivo» da Igreja local. «Embora a nossa diversidade seja um desafio quotidiano, vivemo-la sobretudo como uma riqueza», concluiu a religiosa.