· Cidade do Vaticano ·

Angelus no final da celebração na basílica de São Pedro

Os jovens sejam protagonistas da missão da Igreja

cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg
23 novembro 2021

Tendo ao seu lado dois jovens de 19 anos da diocese de Roma, Lucrezia Marsecane e Stefano Franchetti, o Papa Francisco guiou a oração do Angelus ao meio-dia de domingo, 21 de novembro, solenidade de Cristo Rei do universo, por ocasião da 36ª Jornada mundial da juventude. «O que fazemos, particularmente no nosso compromisso cristão, pergunto-me: o que conta? Contam os aplausos ou conta o serviço?», disse o Pontífice na sua meditação. A seguir, as palavras do Pontífice.

Estimados irmãos e irmãs bom dia!

O Evangelho da Liturgia de hoje, último Domingo do Ano Litúrgico, culmina numa afirmação de Jesus, que diz: «Eu sou Rei» (Jo 18, 37). Ele pronuncia estas palavras perante Pilatos, enquanto a multidão clama para o condenar à morte. Ele diz: “Eu sou rei”, e a multidão grita para o condenar à morte: que contraste! A hora crucial chegou. Anteriormente, parecia que Jesus não queria que o povo o aclamasse como rei: lembremo-nos daquela vez depois da multiplicação dos pães e dos peixes, quando se retirou sozinho para rezar (cf. Jo 6, 14-15).

O facto é que a realeza de Jesus é bastante diferente daquela mundana. «O meu reino — diz a Pilatos — não é deste mundo» (Jo 18, 36). Ele não vem para dominar, mas para servir. Não chega com sinais de poder, mas com o poder dos sinais. Não está vestido com insígnias preciosas, mas está nu na cruz. E é precisamente na inscrição colocada na cruz que Jesus é definido “rei” (cf. Jo 19, 19). A sua realeza está deveras além dos parâmetros humanos! Poderíamos dizer que ele não é rei como os outros, mas é Rei para os outros. Pensemos nisto: Cristo, diante de Pilatos, diz que é rei no momento em que a multidão está contra Ele, ao passo que quando o seguia e o aclamava, ele distanciou-se daquela aclamação. Por outras palavras, Jesus mostra-se soberanamente livre do desejo de fama e glória terrena. E nós — perguntemo-nos — sabemos imitá-lo nisto? Sabemos governar a nossa tendência a sermos continuamente procurados e aprovados, ou fazemos tudo para sermos estimados pelos outros? No que fazemos, particularmente no nosso compromisso cristão, pergunto-me: o que conta? Contam os aplausos ou conta o serviço?

Jesus não só evita qualquer procura de grandeza terrena, como também torna livre e soberano o coração de quem o segue. Ele, queridos irmãos e irmãs, liberta-nos da submissão ao mal. O seu Reino é libertador, não há nada de opressivo. Ele trata cada discípulo como um amigo, não como súdito. Cristo, embora esteja acima de todos os soberanos, não traça linhas de separação entre si e os outros; em vez disso, deseja irmãos com quem partilhar a sua alegria (cf. Jo 15, 11). Ao segui-lo, não se perde, nada se perde, mas ganha-se dignidade. Porque Cristo não quer servilismo à sua volta, mas pessoas livres. E — perguntemo-nos agora — de onde vem a liberdade de Jesus? Descobrimo-lo ao voltar à sua declaração perante Pilatos: «Eu sou Rei. Para isso nasci e para isto vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade» (Jo 18, 37).

A liberdade de Jesus vem da verdade. É a sua verdade que nos liberta (cf. Jo 8, 32). Mas a verdade de Jesus não é uma ideia, algo abstrato: a verdade de Jesus é uma realidade, é Ele próprio que faz a verdade dentro de nós, liberta-nos das ficções, das falsidades que temos dentro, da linguagem dupla. Ao estarmos com Jesus, tornamo-nos verdadeiros. A vida do cristão não é uma recitação na qual se possa usar a máscara mais conveniente. Porque quando Jesus reina no coração, liberta-o da hipocrisia, do subterfúgio, da duplicidade. A melhor prova de que Cristo é o nosso rei é o desprendimento do que polui a vida, tornando-a ambígua, opaca, triste. Quando a vida é ambígua, um pouco aqui, um pouco ali, é triste, é muito triste. Certamente, temos sempre de fazer as contas com limitações e falhas: somos todos pecadores. Mas, quando se vive sob o senhorio de Jesus, não nos tornamos corruptos, não nos tornamos falsos, propensos a encobrir a verdade. Não se leva uma vida dupla. Recordai bem: pecadores sim, todos somos, corruptos nunca! Pecadores sim, corruptos jamais. Que Nossa Senhora nos ajude a procurar todos os dias a verdade de Jesus, Rei do Universo, que nos liberta da escravidão terrena e nos ensina a dominar os nossos vícios.

No final do Angelus, o Papa recordou a celebração da Jornada mundial da juventude em todas as Igrejas particulares, convidando os dois jovens romanos a dirigir uma saudação. Em seguida, encorajou as iniciativas para o Dia mundial da pesca, recordou as vítimas de acidentes rodoviários e o compromisso das Nações Unidas contra o comércio de armas. Dirigiu também um pensamento especial aos fiéis polacos que celebravam a beatificação, em Katowice, do pe. João Francisco Macha. Por fim, o Pontífice saudou os numerosos grupos presentes na praça de São Pedro.

Estimados irmãos e irmãs!

Hoje, pela primeira vez na Solenidade de Cristo Rei, celebra-se a Jornada Mundial da Juventude em todas as Igrejas particulares. Por este motivo, ao meu lado estão dois jovens de Roma, que representam toda a juventude de Roma. Saúdo de coração os rapazes e as moças da nossa Diocese, e espero que todos os jovens do mundo se sintam parte viva da Igreja, protagonistas da sua missão. Obrigado por terdes vindo! E não vos esqueçais que reinar é servir. Como é? Reinar é servir. Todos juntos: reinar é servir. Como nos ensina o nosso Rei. Agora pedirei aos jovens que vos saúdem.

A jovem: Feliz Jornada Mundial da Juventude a todos vós!

O rapaz: testemunhamos que acreditar em Jesus é muito bom!

Papa: Mas reparai, isto é bom! Obrigado! Permanecei aqui.

Hoje celebra-se também o Dia mundial da pesca. Saúdo todos os pescadores e rezo por quantos vivem em condições difíceis ou por vezes infelizmente de trabalhos forçados. Encorajo os capelães e voluntários da Stella Maris a prosseguir no serviço pastoral a estas pessoas e às suas famílias.

E neste dia recordamos também todas as vítimas de acidentes rodoviários: rezemos por elas e empenhemo-nos na prevenção de acidentes.

Gostaria também de encorajar as iniciativas em curso nas Nações Unidas para conseguir um maior controlo sobre o comércio de armas.

Ontem em Katowice, Polónia, foi beatificado o sacerdote João Francisco Macha, assassinado por ódio à fé em 1942, no contexto da perseguição do regime nazista contra a Igreja. Na obscuridade da prisão, encontrou em Deus a força e a mansidão para enfrentar aquele calvário. Que o seu martírio seja uma semente fecunda de esperança e paz. Um aplauso ao novo beato!

Saúdo todos vós, fiéis de Roma e peregrinos de vários países, especialmente os da Polónia e dos Estados Unidos da América. Saúdo os escoteiros da Arquidiocese de Braga, em Portugal. Uma saudação especial à comunidade equatoriana em Roma, que celebra a Virgen de El Quinche. Saúdo os fiéis de Sant’Antimo (Nápoles) e de Catânia; os jovens da Crisma de Pattada; e os voluntários do Banco alimentar, que se preparam para o Dia da coleta alimentar do próximo sábado. Muito obrigado! E também aos jovens da Imaculada.

Desejo a todos bom domingo. E por favor não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!