A pontifícia Academia para a vida relançou o apelo do Papa

Vacinas anticovid evitar antagonismos e injustiças

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09 fevereiro 2021

A pontifícia Academia para a vida denunciou mais uma vez o risco de «graves injustiças» na produção e distribuição de vacinas contra a Covid-19 divulgando, a 22 de janeiro, uma declaração — assinada pelo presidente, D. Vincenzo Paglia, e pelo chanceler, monsenhor Renzo Pegoraro — que publicamos a seguir.

Face aos problemas muito graves que estão a surgir no que diz respeito à produção e distribuição da vacina contra a Covid-19, a pontifícia Academia para a vida reitera com vigor a urgência de identificar sistemas apropriados de transparência e colaboração.

Há demasiados antagonismos e concorrência e o risco de grande injustiça.

Já na sua Mensagem Urbi et Orbi no dia de Natal, 25 de dezembro passado, o Papa Francisco dirigiu um apelo urgente: «Peço a todos, nomeadamente aos líderes dos Estados, às empresas, aos organismos internacionais, que promovam a cooperação, e não a concorrência, na busca duma solução para todos: vacinas para todos, especialmente para os mais vulneráveis e necessitados em todas as regiões da Terra. Em primeiro lugar, os mais vulneráveis e necessitados!».

Estas palavras apelam a uma escuta responsável de todos, da comunidade cristã, dos crentes, de todos os homens e mulheres de boa vontade. O Dicastério para o desenvolvimento humano integral e a pontifícia Academia para a vida divulgaram um documento específico, no dia 29 de dezembro passado, a respeito da importância da vacinação e da necessidade de a tornar um bem comum para todos.

Entre outras coisas, o documento apelava à superação da lógica do «nacionalismo vacinal», entendido como uma tentativa de vários Estados de terem a própria vacina mais rapidamente, sendo ainda os primeiros a obter a quantidade necessária para os seus habitantes. Os acordos internacionais devem ser promovidos e apoiados para gerir as patentes de forma a facilitar o acesso de todos ao produto e evitar possíveis curtos-circuitos comerciais, sobretudo para manter, no futuro, o preço baixo. A produção industrial da vacina deve tornar-se uma operação de colaboração entre Estados, empresas farmacêuticas e outras organizações, para que possa ser realizada simultaneamente em diferentes partes do mundo.

Esta é uma oportunidade extraordinária para um futuro novo e mais solidário. Isto foi possível — pelo menos em parte — devido à pesquisa. No mesmo espírito, deve ser iniciada uma sinergia positiva, valorizando as instalações de produção e distribuição disponíveis nas diferentes áreas onde as vacinas serão administradas, com base no princípio da subsidiariedade. Deve-se evitar que alguns países recebam a vacina muito tarde por causa de uma redução na disponibilidade devido à compra prévia de grandes quantidades pelos países mais ricos. A distribuição de vacinas requer uma série de instrumentos que precisam de ser especificados e implementados a fim de alcançar os objetivos concordados de acessibilidade universal. Parece ser cada vez mais forte e urgente um apelo aos governos nacionais e às organizações da ue e da oms para que tomem medidas a este respeito.

Deste modo, o apelo do Papa torna-se concreto: todos, irmãos e irmãs!