Diácono permanente na guia de uma paróquia portuguesa com o apoio dos jesuítas

A vindima é grande

cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg
05 janeiro 2021

Um diácono permanente ao qual entregar a guia prática da comunidade, apoiado pelos sacerdotes da Companhia de Jesus aos quais aquela paróquia está confiada. Acontece em Odiáxere, uma pequena aldeia situada no litoral do Algarve, em Portugal. Não é um unicum naqueles lugares (algumas paróquias de montanha há anos são cuidadas pela missão realizada pelo diácono Albino Martins e pela sua esposa) mas é certamente a primeira vez que tal acontece no contexto de uma parceria entre a diocese de Faro e um instituto religioso. O bispo, D. Manuel Neto Quintas, está convencido de que o futuro de algumas comunidades paroquiais — dada também a escassez de sacerdotes, forçados a lidar com várias realidades ao mesmo tempo — dependerá da coordenação com outros ministérios, tais como o diaconado, e com os leigos encarregados. «Também pode ser um sinal de Deus que nos diz para servir a Igreja de outra maneira, com diferentes formas de serviço», afirma o prelado à Folha do Domingo, jornal da diocese. «Os nossos sacerdotes têm um número crescente de paróquias e não é possível, humana e temporalmente, poder acompanhar» todos da mesma forma, explica, acrescentando que a tarefa do presbítero é também acolher «as qualidades e capacidades dos leigos mais responsáveis e, através deles e com eles, despertar ou gerar serviços e ministérios nas paróquias que lhes são confiadas».

Foi escolhido Nuno Francisco, 44 anos, professor do ensino básico na vizinha Portimão, da sua esposa Cristina, 42 anos, enfermeira especializada em cuidados paliativos e, de alguma forma, dos seus dois filhos. A decisão de empreender a missão numa paróquia foi tomada em conjunto, ao longo do caminho de preparação para o diaconado, tendo em vista a ordenação que chegou a 16 de junho de 2019. «Falámos sobre isso algumas vezes com o bispo», conta Nuno, «dizendo-lhe que se houvesse falta de sacerdotes, estaríamos disponíveis. Claro que nos sentimos um pouco assustados, mas ao mesmo tempo temos a convicção interior de que se disséssemos “não” teríamos anulado a graça recebida durante o sacramento». Cristina, por sua vez, salienta a confiança mútua entre os jesuítas e o casal, construída ao longo de um período de tempo que serviu «para criar uma relação» e que agora se traduziu num compromisso. Para os dois, que cresceram na comunidade da Mexilhoeira Grande, a missão na paróquia de Odiáxere é a continuação de uma viagem, um serviço à Igreja, um novo “sim” à chamada de Deus. Mas é também o testemunho de um valor acrescentado a ser dado a conhecer às novas gerações, «cada mais indolentes e com muitos temores». Na Igreja, prosseguem eles, «existem outros caminhos, uma diversidade de vocações; a vindima é grande e por esta razão não podemos ficar parados».

Para o padre Domingos da Costa, jesuíta, pároco de Odiáxere nos anos de 1981 a 1985, esta opção é importante para que «os próprios cristãos percebam para que serve o diácono, até agora visto como uma espécie de acólito ao lado do bispo ou do pároco no altar». Na realidade, recorda D. Manuel Neto Quintas, servir-se de leigos com formação adequada, autorizados para o serviço paroquial, «não como pastores» mas «como animadores da comunidade» já está a acontecer nas igrejas mais jovens sem a presença fixa de um sacerdote. É um serviço que anima a comunidade do ponto de vista pastoral, em particular através da proclamação da Palavra, diz o Bispo de Faro, mas também se pede ao diácono que se dedique a atividades caritativas, a desempenhar funções litúrgicas, a administrar o batismo, a presidir a casamentos e funerais.

A novidade da experiência de Odiáxere é, como foi dito, a identificação com a Companhia de Jesus. Em 2015, o então provincial dos jesuítas José Frazão Correia observou que a Igreja deveria «ousar explorar outros caminhos», expressando o desejo do instituto de «tentar outra forma de presença», ajudando a Igreja diocesana a empreender caminhos que «não dependam simplesmente da presença do pároco». Testemunho dado pelo atual provincial jesuíta, padre Miguel Almeida, segundo o qual esta escolha «procura responder à visão do Concílio Vaticano ii, que apelava a uma Igreja mais participativa, com um papel ativo para os leigos, vistos não como meros destinatários. Procuramos percorrer o caminho do Papa Francisco - conclui - que nos convida a considerar como o tempo é superior ao espaço e como, para realizar um projeto, é necessário esperar pelo Espírito Santo».

Giovanni Zavatta