· Cidade do Vaticano ·

Consistório ordinário público

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30 agosto 2022

Leonardo Ulrich Steiner
da ordem dos Frades menores
Arcebispo Metropolitano de Manaus (Brasil)


O primeiro cardeal da Amazónia é o arcebispo de Manaus, Leonardo Ulrich Steiner. Um sinal da atenção e do cuidado pastoral do Papa Francisco e da Igreja para com os povos daquela região que, por amor à verdade e à justiça, tingiram frequentemente aquelas terras de vermelho púrpura, banhando-as com o próprio sangue.

Nascido a 6 de novembro de 1950 em Forquilhinha, na diocese de Criciúma, no Estado brasileiro de Santa Catarina, numa família de imigrantes de origem alemã, após os estudos primários, continuou os secundários em 1963 no seminário dos Frades menores de Santo Antônio em Agudos, onde se formou em 1971. Entrou na Província Franciscana da Imaculada Conceição, em São Paulo, a 20 de janeiro de 1972. Em 1973 transferiu-se para Petrópolis, onde estudou durante cinco anos no Instituto de Filosofia e Teologia da Ordem (Itef). De 1973 a 1977, foi professor e conselheiro no Colégio dos Meninos Cantores. Emitiu os votos solenes como frade menor a 2 de agosto de 1976 e foi ordenado sacerdote em Forquilhinha a 21 de janeiro de 1978 pelo Cardeal Paulo Evaristo Arns, seu primo. Pouco tempo depois foi-lhe confiada a tarefa de mestre dos postulantes em Guaratinguetá. Também serviu como vigário paroquial na igreja de São Benedito.

A partir de 1979 foi professor e conselheiro de formação por um período de três anos no Seminário Santo de Antônio em Agudos, exercendo também o seu ministério pastoral na paróquia de São Paulo Apóstolo. Em 1979 iniciou um curso de Pedagogia na Universidade do Sagrado Coração em Bauru, São Paulo, onde obteve o bacharelato em Pedagogia em 1980. De 1983 a 1986 foi mestre de postulantes e vice-pároco em Guaratinguetá, e assistente das Equipas de Nossa Senhora.

Em 1985 foi nomeado assistente do mosteiro Nazaré das Clarissas de Lages, cargo que ocupou durante uma década. Foi também secretário para a formação e estudos na Província Franciscana da Imaculada Conceição, até ser eleito mestre de noviços e irmãos de profissão temporária em Rodeio, em 1987. Ao mesmo tempo, serviu na paróquia local de São Francisco de Assis.

Em 1990 foi eleito membro da primeira Comissão pro Ratio Studiorum dos Frades menores e cinco anos mais tarde visitador geral da Província Franciscana do Rio Grande do Sul.

Em 1995, transferiu-se para Roma a fim de prosseguir os estudos na Pontifícia Universidade Antonianum, onde obteve uma Licenciatura em Teologia em 1998. Em 1999, foi nomeado secretário-geral da mesma universidade durante quatro anos. Em 2001 obteve o doutoramento em Filosofia com uma tese intitulada “A aseidade. O Conceito de Deus em Bernhard Welte”.

De regresso ao Brasil, em 2003 tornou-se vigário da paróquia do Senhor Bom Jesus dos Perdões e professor na Faculdade de Filosofia do Bom Jesus, do Instituto São Boaventura em Curitiba.

A 2 de fevereiro de 2005 foi nomeado Bispo Prelado de São Félix por João Paulo ii . Recebeu a ordenação episcopal a 16 de abril pelo Cardeal Arns na Catedral de São Paulo Apóstolo, Blumenau. Foram concelebrantes os bispos Angélico Sândalo Bernardino, de Blumenau, e Heinrich Timmerevers, auxiliar de Münster. Fez a sua entrada na prelatura durante uma celebração realizada a 2 de maio na Catedral da Assunção da Virgem Maria em São Félix do Araguaia. Escolheu como lema episcopal “Verbum caro factum est”.

Durante o seu episcopado na prelatura territorial, tomou uma posição firme no conflito entre os sem-terra e os grandes proprietários, defendendo os povos indígenas das prevaricações. No âmbito da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ( cnbb ), em 2007 tornou-se membro da Comissão Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, e Vice-Presidente da região Oeste 2, da qual foi também o bispo de referência para sacerdotes, para o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e para jovens. Ocupou estes cargos até 10 de maio de 2011, durante a última sessão da 49ª Assembleia Geral, quando foi eleito Secretário-Geral da mesma cnbb para o quadriênio sucessivo.

A 21 de setembro de 2011, Bento xvi nomeou-o auxiliar de Brasília e simultaneamente bispo titular de Thisiduensis. Em 2012, a cnbb escolheu-o para participar na xiii Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que teve lugar de 7 a 28 de outubro sobre o tema “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”.

Em 20 de abril de 2015, foi reeleito para um segundo mandato como secretário-geral da cnbb , mandato que concluiu a 7 de maio de 2019, durante a 57ª Assembleia Geral. E a 27 de novembro do mesmo ano, o Papa Francisco promoveu-o à sede arquiepiscopal de Manaus, no coração da Amazónia. Entrou na arquidiocese a 31 de janeiro de 2020.

Atualmente, é presidente da Comissão Especial para a Amazónia da cnbb e, desde 27 de março de 2022, vice-presidente

da Conferência Eclesial da Amazónia (Ceama), criada em junho de 2020 como organismo não exclusivamente episcopal, resultado da assembleia especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazónica, celebrado de 6 a 27 de outubro de 2019 no Vaticano.

Virgílio do Carmo da Silva
da Sociedade Salesiana de São João Bosco
Arcebispo de Díli (Timor Leste)


É o primeiro cardeal de Timor Leste, nação do sudeste asiático com uma população predominantemente católica (98%) e muito jovem: cerca de 40% dos habitantes têm menos de 15 anos e a idade média é de 20. O salesiano Virgílio do Carmo da Silva, que foi criado cardeal no oitavo Consistório do Papa Francisco, é também o primeiro arcebispo metropolitano de Díli, distrito eclesiástico da capital do país.

Nasceu a 27 de novembro de 1967 em Venilale, na diocese de Baucau. Depois de frequentar as escolas primária e secundária no Colégio de Dom Bosco em Fatumaca, onde se formou, entrou nos Salesianos a 31 de maio de 1990. Para os seus estudos de Filosofia e Teologia, foi enviado ao Canlubang Don Bosco em Manila, Filipinas. Ali fez a sua profissão solene a 19 de maio de 1997. Ordenado sacerdote em 18 de dezembro de 1998, no início de 1999 foi-lhe atribuído o cargo de formador de noviços em Timor Leste. Uma tarefa que desempenhou até 2004, quando foi nomeado ecónomo da casa de formação e vigário paroquial em Venilale.

Em 2005, transferiu-se para Roma, onde obteve uma Licenciatura em Espiritualidade na Pontifícia Universidade Salesiana. Regressando à pátria em 2007, foi nomeado mestre dos noviços. Dois anos mais tarde, os seus superiores confiaram-lhe também a direção da casa salesiana e da Escola Técnica Dom Bosco em Fatumaca, onde os herdeiros espirituais do santo de Valdocco estão presentes desde 1964. Até 2014, desempenhou ambos os cargos, seguindo em particular jovens estudantes especializados em disciplinas técnicas, tais como mecânica, eletrónica e construção de edifícios.

No ano seguinte, foi eleito inspetor da visitadoria salesiana da Indonésia — Timor Leste. O seu mandato não durou sequer um ano, porque a 30 de janeiro de 2016 o Papa Francisco nomeou-o Bispo de Díli. Recebeu a ordenação episcopal no dia 19 de março seguinte, na área protegida de Tasitolu, do Arcebispo Joseph Salvador Marino, núncio apostólico em Timor Leste. Foram concelebrantes D. Basílio do Nascimento, Bispo de Baucau, e D. Norberto do Amaral, Bispo de Maliana. Entrou na diocese durante uma cerimónia realizada na Catedral da Imaculada Conceição, a 6 de maio do mesmo ano. Escolheu como lema episcopal “Ad Deum Patrem Omnipotentem”.

Em 2018, a Conferência Episcopal de Timor Leste ( cet ) elegeu-o para participar na xv Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizada no Vaticano de 3 a 28 de outubro, sobre o tema «Os jovens, a fé e o discernimento vocacional». No seu discurso, relançou os fundamentos do carisma salesiano, sublinhando que os jovens «precisam de alguém que os escute; querem ser de confiança; querem respostas às suas perguntas; querem falar na sua “língua jovem”». Só ouvindo, disse, «somos capazes de ir mais longe, de descobrir o fogo do Pentecostes no coração dos jovens». Era a voz de um pastor que vive em contacto com uma realidade social em que mais de metade da população é constituída por crianças e jovens.

Em 2018, promoveu uma peregrinação aos principais locais religiosos do país, porque, explicou, «é tempo da Igreja e do governo unirem e desenvolverem formas de turismo religioso ricas não só do ponto de vista espiritual, mas também social, económico, cultural e histórico». De resto, o turismo religioso é uma ajuda fundamental para apoiar a economia do país, que está sempre à beira da emergência e com uma realidade social em que o radicalismo religioso se enraíza facilmente, tanto que em maio desse ano, a polícia lançou um alarme sobre possíveis ataques de extremistas islâmicos contra igrejas e contra o próprio Bispo de Díli.

De 15 a 18 de janeiro de 2019, representou a cet no encontro organizado pelo Gabinete para as Questões Teológicas da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (Fabc) e a Congregação para a Doutrina da Fé, realizada no Centro Pastoral Baan Phu Waan em Banguecoque, Tailândia, para discutir o papel das comissões doutrinais e os desafios da evangelização no contexto multicultural da Ásia.

A 11 de setembro de 2019, com a decisão do Papa Francisco de erigir a província eclesiástica de Díli, elevando a mesma diocese a Igreja Metropolitana, o prelado foi simultaneamente nomeado o seu primeiro Arcebispo Metropolitano.

Paulo Cezar Costa
Arcebispo Metropolitano de Brasília (Brasil)


É o quinto arcebispo de Brasília, capital do imenso país sul-americano desde 1960. Teólogo de renome, professor universitário e formador do clero e leigos, Paulo Cezar Costa sempre realizou trabalho pastoral entre as novas gerações, especialmente entre estudantes, e adquiriu grande experiência nesta área, graças também ao seu incansável empenho por ocasião da Jornada mundial da juventude de 2013 no Rio de Janeiro, da qual foi um dos organizadores.

Nascido em Valença a 20 de julho de 1967 de Geraldo Manoel da Costa Amaral e Maria Alice Miranda Amaral, estudou Filosofia no Seminário Nossa Senhora do Amor Divino em Petrópolis e Teologia no Instituto Superior de Teologia da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, onde se licenciou em 1991.

A 5 de dezembro de 1992, foi ordenado sacerdote na Catedral de Nossa Senhora da Glória, em Valença, pelo Bispo Diocesano Elias James Manning. Em 1993 serviu como vigário paroquial em Paraíba do Sul, depois de 1994 a 1996 foi pároco de Nossa Senhora da Conceição e da paróquia agregada de São Sebastião dos Ferreiros em Vassouras.

Transferiu-se para Roma em 1996 a fim de prosseguir a sua formação, obtendo a licença em 1998 e o doutoramento em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana em 2001. Especializou-se em Patrologia e Cristologia. Em 2002, ao regressar à pátria, foi nomeado pároco de Santa Rosa de Lima, no município de Valença, onde permaneceu até 2007.

De 2007 a 2010, foi diretor e professor do Departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Também ensinou na Escola de Teologia de São Bento. De 2006 a 2010, foi reitor do seminário interdiocesano Paulo vi e diretor do Instituto de Filosofia e Teologia de Nova Iguaçu.

Em 24 de novembro de 2010, Bento xvi nomeou-o auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e simultaneamente bispo titular do Oescus. A 5 de fevereiro de 2011, D. Costa recebeu a ordenação episcopal na catedral pelo Arcebispo Orani João Tempesta, agora cardeal. Foram concelebrantes os Bispos Elias James Manning, de Valença, e Rafael Llano Cifuentes, emérito de Nova Friburgo. Escolheu como lema: “Omnia sustineo propter electos”, tirado da segunda carta de São Paulo a Timóteo, onde o Apóstolo traça, por assim dizer, o seu testamento espiritual.

Na arquidiocese do Rio de Janeiro, como diretor administrativo, foi um dos organizadores da jmj de 2013, presidida pelo Papa Francisco na primeira viagem internacional do seu pontificado. D. Costa foi também animador do trabalho pastoral universitário, membro da Comissão Arquidiocesana de Evangelização e Missões, e membro da Academia Fides et Ratio e do Centro Cultural Dom Eugênio de Araújo Sales. Foi também responsável pelo gabinete jurídico, pelo património histórico e cultural arquidiocesano e pelo cuidado pastoral dos estudantes no estrangeiro. Foi membro do Conselho de Administração da Associação de Gestão e do Conselho Universitário da Pontifícia Universidade do Rio. Na Região Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ( cnbb ), foi referência para o trabalho pastoral universitário e para a Comissão Regional para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada. Foi membro da Comissão Pastoral da cnbb para a Doutrina da Fé.

A 22 de junho de 2016, o Papa Francisco transferiu-o para a sede residencial de São Carlos. No dia 6 de agosto seguinte, o Bispo Costa entrou na diocese, aí permanecendo durante quatro anos. Entre as prioridades do seu ministério episcopal em São Carlos estavam a reestruturação do sector da comunicação da diocese, a criação de novas paróquias e a reorganização da cúria.

Promovido arcebispo de Brasília a 21 de outubro de 2020, entrou na diocese na festa litúrgica de Nossa Senhora de Guadalupe, no dia 12 de dezembro seguinte. Na arquidiocese da capital visitou até agora quase todas as comunidades paroquiais e iniciou o plano de reestruturação da cúria metropolitana, bem como a convocação da Sétima Assembleia Arquidiocesana.

Atualmente é responsável pelo sector universitário da Igreja no Brasil, fazendo parte da Comissão Pastoral para a Educação e Cultura no seio da cnbb . É membro do Conselho Permanente da mesma Conferência. É também referência do Instituto Nacional de Pastoral Alberto Antoniazzi (Inapaz) e presidente do grupo de análise do contexto eclesial da Conferência Episcopal. É membro do Conselho Episcopal Latino-Americano ( celam ).

A 20 de abril de 2020 o Papa Francisco nomeou-o membro da Pontifícia Comissão para a América Latina e no dia 4 de julho seguinte do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, hoje Dicastério.