· Cidade do Vaticano ·

Homenagem de Francisco à Imaculada na praça de Espanha

Peregrino mariano em Roma

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14 dezembro 2021

Não, o Papa Francisco não estava sozinho na sua peregrinação, pouco antes do amanhecer de quarta-feira 8 de dezembro, para prestar homenagem à Imaculada Conceição, rezando aos pés da histórica coluna mariana na piazza Mignanelli, no coração de Roma. Escolhendo ir lá às 6h15 da manhã, precisamente para que não houvesse multidões num momento de pandemia.

Não, o bispo de Roma não estava sozinho! Tal como estava apenas fisicamente sozinho no dia 27 de março de 2020, no extraordinário momento de oração na praça de São Pedro, no auge da primeira vaga da pandemia. E os acontecimentos testemunharam que, com efeito, naquela tarde, a praça de São Pedro estava “cheia” como nunca.

Com o Papa estavam ontem — estão sempre... — mulheres e homens de todas as idades, que no simples gesto de devoção à Imaculada Conceição reconhecem uma perspetiva de futuro.

À sua chegada de carro à piazza Mignanelli, ao lado da praça de Espanha, o Papa — acompanhado por monsenhor Leonardo Sapienza, regente da Prefeitura da Casa pontifícia — foi recebido pela embaixadora da Espanha junto da Santa Sé, María del Carmen de la Peña Corcuera, e por algumas religiosas da ordem dos Mínimos que prestam serviço pastoral na basílica paroquial próxima de “Sant’Andrea delle Fratte”.

O Papa levou consigo um cesto de rosas brancas e acompanhou com o olhar o bombeiro que o colocou ao lado da coluna. E depois quis cumprimentá-los um por um, aqueles bombeiros que estavam lá, em serviço, num dia de festa.

Diante de Maria, o Pontífice rezou para que cuide de Roma e dos seus habitantes com amor, confiando-lhe todos aqueles que, nesta cidade e no mundo, são afligidos pela doença e pelo desânimo. E os povos que sofrem gravemente com as guerras e a crise climática. Rezando, em particular, para que a Imaculada converta e comova o coração de pedra daqueles que constroem muros para afastar de si a dor dos outros.

Tal como fez a 8 de dezembro de há um ano, o romano Francesco De Gregori — que noutra canção pintou uma imagem de Pio xii como peregrino entre as bombas em 1943 para estar ao lado dos romanos no popular bairro de San Lorenzo — fez o “cronista da alma” com a sua descrição poética do abraço entre tentativas de fé e esperança: «Pouco antes do amanhecer, quando a escuridão é mais escura», canta De Gregori para “deter” o momento de esperança. Exatamente a hora do dia escolhida pelo Papa para a sua peregrinação.

Gestos simples e populares. Gestos de peregrino. Tal como aqueles feitos por tantos romanos — e também pelas instituições — que trazem a cada 8 de dezembro — e desta vez também, por causa das limitações devido às normas de saúde — belas composições e pequenos ramos de flores — para uma homenagem informal. De filhos.

Um aspeto popular que o bispo de Roma vive todas as vezes que vai rezar diante do ícone de Nossa Senhora Salus populi Romani. E sim, havia também uma cópia deste ícone em 27 de março de 2020 na praça de São Pedro. E assim, na manhã de 8 de dezembro, depois de deixar a piazza Mignanelli, Francisco visitou a basílica liberiana — o santuário mariano do seu pontificado — onde foi recebido pelo cardeal arcipreste Stanisław Ryłko.

Foi imediatamente rezar em frente da imagem mariana, oferecendo-lhe outro cesto de rosas brancas. Depois, na capela, Francisco recolheu-se em oração. As estatísticas que contam o número de peregrinações de Francisco a Santa Maria Maior não valem nada: é evidente que cada uma das suas peregrinações é nova, como se fosse a primeira peregrinação espiritual. E pouco depois das 7 horas, o Papa regressou ao Vaticano.

Giampaolo Mattei