· Cidade do Vaticano ·

Natal de paz para a Ucrânia

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14 dezembro 2021

«Que este Natal do Senhor leve paz à Ucrânia!»: os bons votos do Papa Francisco ressoaram no final do Angelus, recitado da janela do Estúdio particular do Palácio apostólico do Vaticano ao meio-dia de 12 de dezembro. Antes da oração mariana com os fiéis presentes na praça de São Pedro, o Pontífice comentou o Evangelho do terceiro domingo de Advento. A seguir, a sua meditação.

Estimados irmãos e irmãs
bom dia!

O Evangelho da Liturgia de hoje, terceiro Domingo de Advento, apresenta-nos vários grupos de pessoas — as multidões, os publicanos e os soldados — que são tocados pela pregação de João Batista e depois perguntam-lhe: «O que devemos fazer?» (Lc 3, 10). O que devemos fazer? Esta é a pergunta que fazem. Reflitamos um momento sobre esta questão.

Essa pergunta não vem de um sentido de dever. Pelo contrário, é o coração tocado pelo Senhor, é o entusiasmo pela sua vinda que leva a dizer: o que devemos fazer? João afirma: “O Senhor está próximo” — “O que fazer?”. Demos um exemplo: pensemos que um ente querido nos vem visitar. Aguardamo-lo com alegria e impaciência. A fim de o receber adequadamente, limparemos a casa, prepararemos a melhor refeição possível, talvez um presente... Em suma, daremos o melhor de nós. Assim acontece com o Senhor, a alegria pela sua vinda faz-nos dizer: o que devemos fazer? Mas Deus formula esta questão a um nível mais elevado: o que devo fazer da minha vida? A que sou chamado? O que me realiza?

Ao colocar esta questão, o Evangelho recorda-nos algo importante: a vida apresenta-nos uma tarefa. A vida não é inútil, não é deixada ao acaso. Não! É um dom que o Senhor nos dá, dizendo-nos: descobre quem és, e trabalha para realizar o sonho que é a tua vida! Cada um de nós — não nos esqueçamos — é uma missão a realizar. Portanto, não tenhamos medo de perguntar ao Senhor: o que devo fazer? Repitamos-lhe frequentemente esta pergunta. Ela aparece também na Bíblia: nos Atos dos Apóstolos algumas pessoas, ouvindo Pedro que anunciava a ressurreição de Jesus, «emocionaram-se até ao fundo do coração com essas palavras. E perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Que havemos de fazer?”» (cf. 2, 37). Perguntemo-nos também nós: o que é bom fazer por mim e pelos irmãos? Como posso contribuir para o bem da Igreja, para o bem da sociedade? O Tempo de Advento serve para isto: parar e perguntar-nos como preparar o Natal. Estamos ocupados com tantos preparativos, com dons e coisas que passam, mas perguntemo-nos o que devemos fazer por Jesus e pelos outros! O que devemos fazer?

A esta pergunta “o que devemos fazer?” responde João Batista no Evangelho, diferentemente para cada grupo. Com efeito, João recomenda a quantos têm duas túnicas para partilhar com aqueles que não têm nenhuma; aos publicanos, que cobram impostos, diz: «Nada exijais além do que vos foi estabelecido» (Lc 3, 13); e aos soldados: «Não exerçais violência sobre ninguém» (v. 14). A cada um foi dirigida uma palavra específica, relativa à situação real da sua vida. Isto oferece-nos um precioso ensinamento: a fé encarna-se na vida concreta. Não se trata de uma teoria abstrata. A fé não é uma teoria abstrata, uma teoria generalizada, não, a fé toca a carne e transforma a vida de cada um. Pensemos sobre a concretismo da nossa fé. Eu, a minha fé: é algo abstrato ou concreto? Levo-a adiante ao serviço dos outros, na ajuda?

E assim, concluindo, perguntemo-nos: o que posso fazer concretamente? Nestes dias, à medida que nos aproximamos do Natal. Como posso fazer a minha parte? Assumamos um compromisso concreto, mesmo que pequeno, que se ajuste à nossa situação de vida, e levemo-lo a cabo para nos prepararmos para este Natal. Por exemplo: posso telefonar àquela pessoa sozinha, visitar aquele idoso ou doente, fazer algo para servir um pobre, um necessitado. Ou ainda: talvez eu tenha um perdão a pedir ou a conceder, uma situação a esclarecer, uma dívida a saldar. Talvez tenha negligenciado a oração, e depois de tanto tempo é hora de me aproximar do perdão do Senhor. Irmãos e irmãs, encontremos algo concreto e realizemo-lo! Que nos ajude Nossa Senhora, em cujo ventre Deus se fez carne.

No final do Angelus, o Pontífice lançou um apelo a favor da paz na Ucrânia, recordou as vítimas do furacão que atingiu os Estados Unidos, saudou os participantes no rosário por ocasião da festa da Virgem de Guadalupe, formulou bons votos à Caritas internationalis no 70º aniversário de atividades e concluiu, benzendo as pequenas imagens do Menino Jesus do presépio, trazidas à praça de São Pedro pelas crianças do Centro de oratórios romanos.

Amados irmãos e irmãs!

Desejo assegurar a minha oração pela querida Ucrânia, por todas as suas Igrejas e comunidades religiosas e por todo o seu povo, a fim de que as tensões à sua volta possam ser resolvidas através de um diálogo internacional sério e não com as armas. Entristece-me tanto a estatística que li, a última: neste ano, foram fabricadas mais armas do que no ano passado. As armas não são o caminho. Que este Natal do Senhor leve paz à Ucrânia!

E rezo também pelas vítimas do furacão que atingiu o Kentucky e outras partes dos Estados Unidos da América.

Agora, permiti-me que mude para o espanhol.

Saludo con afecto a las comunidades de todo el continente americano y de las Filipinas — ¡cuántas banderas de Países americanos! —, que se han reunido aquí en la Plaza de San Pedro a rezar el Rosario para honrar a la Virgen de Guadalupe, y para consagrarse a ella. ¡Los felicito! Felicito a ustedes que con este gesto se han unido a quienes desde Alaska hasta la Patagonia festejan a Santa María de Guadalupe, Madre del verdadero Dios por quien se vive, cada 12 de diciembre.

La Virgen de Guadalupe y San Juan Diego nos enseñan siempre a caminar juntos, desde las periferias hasta el centro, en comunión con los sucesores de los Apóstoles, que son los obispos, para así ser Buena Noticia para todos. Esta experiencia debe repetirse una y otra vez; de este modo, Dios que es comunión, animará la conversión y la renovación de la Iglesia y de la sociedad que tanto necesitamos en las Américas — la situación de tantos Países americanos es muy triste — y también necesitamos en el mundo.

Me alegra que con actos de fe y de testimonio público como el que ustedes han realizado hoy comencemos a preparar el Jubileo Guadalupano del 2031 y el Jubileo de la Redención del 2033 — tenemos que mirar adelante siempre.

Todos juntos: ¡Viva la Virgen de Guadalupe!

[Saúdo com afeto as comunidades de todo o continente americano e das Filipinas — tantas bandeiras de países americanos! — que se reuniram aqui na praça de São Pedro para rezar o terço em honra de Nossa Senhora de Guadalupe e para se consagrarem a ela. Felicito-vos! Felicito-vos porque, com este gesto, vos unistes àqueles que, do Alasca à Patagónia, celebram Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe do verdadeiro Deus por quem vivemos, todos os anos a 12 de dezembro.

Nossa Senhora de Guadalupe e São Juan Diego ensinam-nos sempre a caminhar juntos, das periferias ao centro, em comunhão com os sucessores dos Apóstolos, que são os bispos, a fim de sermos uma Boa Nova para todos. Esta experiência deve repetir-se sempre; desta forma, Deus, que é comunhão, encorajará a conversão e renovação da Igreja e da sociedade que tanto precisamos nas Américas — a situação de tantos países americanos é muito triste — e que também precisamos no mundo.

Congratulo-me com o facto de, com ações de fé e testemunhos públicos como o que fizestes hoje, comecemos a preparar o Jubileu Guadalupano de 2031 e o Jubileu da Redenção de 2033 — devemos sempre olhar para o futuro.

Todos juntos: Viva a Virgem de Guadalupe!].

Também apresento os meus melhores votos à Caritas Internationalis, que completa 70 anos. É uma criança! Precisa de crescer e tornar-se mais forte! A Cáritas em todo o mundo é a mão amorosa da Igreja para os pobres e os mais vulneráveis, nos quais Cristo está presente. Convido-vos a continuar o vosso serviço com humildade e criatividade, para alcançar os mais marginalizados e a promover o desenvolvimento integral como antídoto para a cultura do descarte e da indiferença. Em particular, encorajo a vossa campanha global Together We, baseada na força das comunidades na promoção de cuidados pela criação e pelos pobres. As feridas infligidas na nossa casa comum têm consequências dramáticas sobre os últimos, mas as comunidades podem contribuir para a necessária conversão ecológica. Por isso convido a aderir à campanha da Caritas Internationalis! E vós, caros amigos da Caritas Internationalis, continuai o vosso trabalho de racionalização da organização, para que o dinheiro não vá para a organização, mas para os pobres. Racionalizai bem esta organização.

E saúdo todos vós, romanos e peregrinos; especialmente vós, crianças que viestes com os vossos “Meninos” para receberem a bênção. No final, concederei a bênção a todas as imagenzinhas. Agradeço ao Centro de Oratórios Romanos e peço-vos que leveis os meus melhores votos de um Feliz Natal aos vossos avós e a todos os vossos entes queridos.

Saúdo os fiéis de Leiria (Portugal) e os da paróquia de São Luís Gonzaga em Roma. Saúdo as crianças de Civitavecchia, que se preparam para a Primeira Comunhão, e os adolescentes romanos de Santa Maria Estrela da Evangelização que fazem a preparação para a Confirmação. Saúdo os escoteiros adultos de Rimini e San Marino-Montefeltro; o grupo de trabalhadores da escola de Sondrio; bem como os cidadãos das aldeias ardeatinas, que encorajo a dialogar para o cuidado do seu território. Saúdo também o grupo de Senigallia, nas Marcas.

Desejo a todos bom domingo. Saudemos mais uma vez Nossa Senhora de Guadalupe: “¡Viva la Virgen de Guadalupe!”. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!