· Cidade do Vaticano ·

Iluminar o caminho para o Salvador

cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg
14 dezembro 2021

A música e as luzes foram as protagonistas da iluminação da árvore de Natal e da inauguração do presépio montado na praça de São Pedro. A tradicional cerimónia teve lugar na tarde de 10 de dezembro, com a execução dos hinos pontifício, interpretado pela banda musical do corpo da Gendarmaria do Vaticano, e do Peru, de onde provém a representação da Natividade. Este ano, devido à chuva, os participantes reuniram-se na Sala Paulo vi e fizeram uma ligação ao vivo com a praça.

Três vídeos deram vida às tradições e cultura da região de Huancavelica, apresentando cantos populares, o primeiro dos quais foi cantado por um grupo de acólitos. No seu discurso, o arcebispo Fernando Vérgez Alzaga, presidente do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, salientou que a árvore e o presépio «querem unir diferentes raças, culturas e línguas para expressar a chamada universal à santidade». E «a Europa e a América estão unidas pela homenagem ao “Rei dos reis”», uma espécie de «tributo para acolher o Menino Jesus». O prelado assinalou que este ano, «os habitantes de duas cadeias montanhosas, as Dolomitas e os Andes, unem-se para oferecer uma homenagem ao Príncipe da paz». E este gesto de oferta contém «o desejo de doar tempo, energia e recursos ao Senhor». Com efeito, o «trabalho dos artesãos andinos, como o dos voluntários e dos trabalhadores trentinos que escolhem e cortam a árvore, unem-se num ato de veneração e de afeto ao Menino Jesus». O arcebispo fez votos a fim de que «a luz que iluminará esta porção da praça de São Pedro» seja «como um farol para atrair a atenção de todos os peregrinos e turistas que passarem por aqui». Com efeito, será precisamente a luz «a encorajar o encontro entre os fiéis e Jesus, entre a representação do nascimento do Menino rodeado por Maria e José, e o fluxo diário da vida de cada homem e mulher que por vezes atravessa as nossas ruas à pressa».

Por sua vez, o bispo da diocese de Huancavelica, D. Carlos Alberto Salcedo Ojeda, fez votos para que a humanidade progrida em fraternidade e amizade social e rezou pela tutela da criação. Após a inauguração do presépio, a banda da Gendarmaria tocou o hino italiano para introduzir a localidade de origem da árvore: o planalto de Andalo, no parque natural de Adamello Brenta. O arcebispo de Trento, D. Lauro Tisi, salientou que Jesus, Luz do mundo, ensina que é perfeitamente digno servir, pois é um Deus que substitui o “tomar” pelo “dar”. Depois, o presidente da Câmara municipal de Andalo, Alberto Perli, explicou que o abeto provém de uma floresta alpina sustentável, que se regenera cada ano.

Sucessivamente, a irmã Raffaella Petrini, secretária-geral do Governatorato, tomou a palavra para sublinhar que o presépio e a árvore de Natal, «como sinais de esperança num momento em que o mundo inteiro ainda luta para superar o sofrimento e a incerteza causados pela pandemia», convidam «a contemplar» a Natividade de Jesus e «a pôr-nos espiritualmente a caminho, atraídos pela humildade d’Aquele que se fez homem para se encontrar com todos os homens». Como religiosa franciscana, acrescentou, «não posso deixar de me sentir particularmente tocada por estes “sinais”», ou seja, pela cena de Natal que «São Francisco de Assis, pela primeira vez, quis realizar em Greccio, para que as pessoas pudessem reviver a emoção e a alegria do mistério da Encarnação». A cerimónia concluiu-se com as notas do canto Tu scendi dalle stelle.