· Cidade do Vaticano ·

Mensagem ao patriarca Bartolomeu para a festa de Santo André

Espero que ortodoxos e católicos trabalhem cada vez mais juntos

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14 dezembro 2021

No âmbito do tradicional intercâmbio de delegações para as respetivas festas dos santos padroeiros — a 29 de junho em Roma, para a celebração dos Santos Pedro e Paulo; e a 30 de novembro em Istambul, para a comemoração de Santo André — o cardeal Kurt Koch, presidente do pontifício Conselho para a promoção da unidade dos cristãos, chefiou a delegação da Santa Sé para a festa do Patriarcado ecuménico. Acompanharam o purpurado o bispo Brian Farrell e monsenhor Andrea Palmieri, respetivamente secretário e subsecretário do dicastério. A eles uniu-se em Istambul monsenhor Walter Erbi, encarregado de assuntos “ad interim” da nunciatura apostólica na Turquia. Na igreja patriarcal de São Jorge no Fanar, a delegação da Santa Sé participou na solene Liturgia divina presidida pelo patriarca ecuménico Bartolomeu, a quem o cardeal Koch entregou uma mensagem autografada pelo Papa, cujo texto leu no final do rito.

A Sua Santidade Bartolomeu
Arcebispo
de Constantinopla
Patriarca Ecuménico

Por ocasião da festa do Apóstolo André, o primeiro chamado e irmão do Apóstolo Pedro, e santo Padroeiro da Igreja de Constantinopla e do Patriarcado Ecuménico, dirijo o meu pensamento a Vossa Santidade, amado irmão em Cristo, e à Igreja que nosso Senhor Jesus, «grande Pastor das ovelhas» (Hb 13, 20), confiou ao seu ministério. Faço-o não só em consideração da nossa amizade fraternal, mas também do antigo e profundo vínculo de fé e de caridade entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla. Com a certeza da minha proximidade espiritual, enviei uma delegação para transmitir os meus melhores votos de alegria e paz a Vossa Santidade, bem como aos seus irmãos Bispos, ao clero, aos monges e aos fiéis leigos congregados na Igreja Patriarcal de São Jorge para a Liturgia Divina em memória do Apóstolo André.

Para mim foi fonte de alegria, durante a sua recente visita a Roma, ter podido não apenas compartilhar as nossas preocupações sobre o presente e o futuro do nosso mundo, mas também expressar o nosso compromisso comum e abordar questões de importância crucial para toda a nossa família humana, entre as quais o cuidado da criação, a educação das gerações futuras, o diálogo entre as diferentes tradições religiosas e a busca da paz. Deste modo nós, como Pastores, e as nossas Igrejas, reforçamos o profundo vínculo que já nos une, dado que a nossa responsabilidade comum perante os desafios de hoje brota da nossa fé partilhada em Deus Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra; no único Senhor Jesus Cristo, seu Filho, que se fez homem para a nossa salvação, morreu e ressuscitou da morte; e no Espírito Santo, Senhor e doador da vida, que harmoniza as diferenças sem as eliminar. Unidos nesta fé, procuremos com determinação tornar visível a nossa comunhão. Embora reconhecendo que questões teológicas e eclesiológicas permanecem no centro da labuta do nosso diálogo teológico constante, é minha esperança que católicos e ortodoxos possam trabalhar cada vez mais juntos nas áreas em que não só é possível, mas até é imperativo fazê-lo.

Amado irmão em Cristo, no caminho rumo à plena comunhão entre as nossas Igrejas, o que nos sustenta é a intercessão dos santos irmãos Pedro e André, nossos santos Padroeiros. Naturalmente, a plena unidade a que aspiramos é um dom de Deus, mediante a graça do Espírito Santo. Possa nosso Senhor ajudar-nos a abraçar prontamente esta dádiva através da oração, da conversão interior e da abertura para procurar e oferecer perdão.

Com estes sentimentos sinceros, renovo os meus cordiais votos para a festa de Santo André e troco um abraço de paz com Vossa Santidade.

Roma, São João de Latrão, 30 de novembro de 2021.

Francisco