· Cidade do Vaticano ·

Antes de partir para Chipre e Grécia, o abraço do Papa aos refugiados

De novo em Lesbos para estar próximo de quantos ainda lá estão

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07 dezembro 2021

Uma “antecipação” da visita a Lesbos. A saudação do Papa a dois grupos de refugiados acolhidos em Itália, antes de partir para a sua 35ª viagem apostólica, colocou um acento nítido num dos significados da visita a estas duas terras do Mediterrâneo. O primeiro teve lugar na Casa Santa Marta, o segundo pouco antes do embarque em Fiumicino, na paróquia de Santa Maria dos Anjos, nos arredores do aeroporto, onde Francisco rezou diante da imagem de Nossa Senhora de Loreto e falou com 15 refugiados hospedados pela comunidade paroquial.

Eram 12 os refugiados que o cardeal esmoler Konrad Krajewski acompanhou à Casa Santa Marta para cumprimentar o bispo de Roma antes da sua partida para Fiumicino. Os migrantes, agora residentes na Itália, eram de várias proveniências — Síria, Congo, Somália e Afeganistão — e passaram pela ilha de Lesbos nos últimos anos, para depois serem acolhidos à sua chegada na Itália pela Comunidade de Santo Egídio. Entre eles, também alguns que Francisco trouxe para Roma com em 2016, viajando a bordo do avião papal. Maria Quinto, da Comunidade de Santo Egídio, comprometida no projeto dos corredores humanitários, disse aos meios de comunicação social do Vaticano que o Papa pediu aos refugiados que rezassem pela visita a Chipre e à Grécia, acrescentando que queria voltar a Lesbos para estar perto de quantos ainda lá estão.

Como se realizou este encontro?

Numa atmosfera muito familiar, simples. Estavam presentes alguns núcleos familiares. Havia uma família somali com a mãe deficiente e três filhos. Todas as famílias vieram de Lesbos, como esta deficiente que fez a perigosa viagem de barco, que os seus filhos carregaram ao colo. Todos eles chegaram a Itália através dos corredores humanitários. O Papa ficou muito emocionado ao ouvir as suas histórias. Encontrou-se novamente com a família de um jovem que chegou no voo papal de Lesbos em 2016. Agora ele é casado, tem um filho e a sua esposa está à espera do segundo. Ele trabalha regularmente. O Papa ouviu, com satisfação, o caminho de integração desta família. Todos ficaram muito contentes com este encontro. Depois da chegada do chefe da família no voo papal de 2016 de Lesbos à Itália, a sua esposa, que vivia no Líbano, também chegou. Reuniram-se e, nos últimos anos, seguiu-se um caminho muito positivo, acompanhado pela Comunidade de Santo Egídio.

O que disse o Papa aos migrantes?

O Papa pediu-lhes que rezassem pela viagem e acrescentou: vou de novo a Lesbos para estar próximo de quantos ainda lá estão. Os refugiados ficaram muito impressionados. A experiência de ter vivido no campo de refugiados em Lesbos marcou-os.

E o que disseram os migrantes a Francisco?

Contaram as suas histórias. Havia pessoas que chegaram à Itália há cinco meses, outras há dois anos e uma família há um ano. Cada um disse algo sobre o próprio percurso. Uma mulher do Congo expressou a alegria por os seus filhos poderem ir à escola na Itália. São três crianças que frequentam a escola primária. Em seguida, uma família afegã expressou a sua preocupação por este momento particular que o seu país está a viver.

Portanto, um encontro em que as feridas e cicatrizes de Lesbos foram revistas, mas também um olhar de esperança dirigido, inclusive através da oração, para a viagem do Papa Francisco à Grécia...

Sim, através da oração e deste caminho acompanhado, como frisou várias vezes também Francisco, pela integração; porque é importante viver de modo construtivo em conjunto nas comunidades de acolhimento.

Amedeo Lomonaco