· Cidade do Vaticano ·

No cinquentenário da morte do padre Alberione, o Pontífice recebeu a família religiosa fundada pelo beato

Os meios de comunicação “púlpito” dos Paulinos

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30 novembro 2021

Seguindo o exemplo do beato Giacomo Alberione, os Paulinos são chamados a escolher «os meios de comunicação como “púlpito”» para «dar a conhecer Jesus Cristo aos homens do nosso tempo com os meios do nosso tempo», recomendou o Papa Francisco aos membros da família religiosa, recebidos em audiência na manhã de 25 de novembro na Sala Clementina, por ocasião do cinquentenário da morte do fundador.

Estimados irmãos e irmãs!

Recebo-vos juntos por ocasião do cinquentenário da morte do Beato Giacomo Alberione, fundador das várias Congregações religiosas, dos Institutos de vida secular consagrada e agregações laicais que compõem a Família Paulina. Agradeço ao Superior-Geral da Sociedade de São Paulo que se fez intérprete de todos vós.

Este aniversário é uma ocasião favorável para a Igreja, e particularmente para vós, para recordar as grandes coisas feitas pelo Espírito Santo no Beato Alberione e através dele, e para reafirmar a importância do seu carisma no contexto atual, na perspetiva da nova evangelização. De facto, com grande clarividência o vosso Fundador foi capaz de captar para o século xx a necessidade de que a «palavra do Senhor se propague (cf. 2 Ts 3, 1) e se difunda utilizando e explorando os instrumentos e as línguas mais eficazes oferecidas pelo progresso tecnológico.

A figura desta testemunha exemplar da Palavra aparece-nos vividamente no “retrato” que dele fez São Paulo vi : «Humilde, silencioso, incansável, sempre vigilante, sempre absorvido nos seus pensamentos, que correm da oração ao trabalho, sempre com a intenção de sondar os “sinais dos tempos”, ou seja, as formas mais engenhosas de chegar às almas». E assim, continuava o Papa: «O nosso padre Alberione deu à Igreja novos meios de expressão, novos meios para dar vigor e amplitude ao seu apostolado, nova capacidade e nova consciência da validade e possibilidade da sua missão no mundo moderno e com meios modernos» (Discurso à Família Paulina, 28 de junho de 1969).

Estas expressões, caros irmãos e irmãs, dizem-vos respeito individualmente e como Família religiosa. Interpelam-vos na realidade da vossa existência como pessoas consagradas, que recebem da oração a capacidade de perscrutar os “sinais dos tempos” a fim de adaptar os projetos apostólicos às situações e necessidades das pessoas de hoje.

O padre Alberione repetiu muitas vezes que o vosso verdadeiro fundador é o Apóstolo Paulo. Sempre o mostrou como inspirador e pai, como modelo a ser imitado em total doação ao Senhor Jesus Cristo e ao seu Evangelho, deixando-se conduzir pelo seu amor no caminho da santificação. E a sua intuição forte e clara foi que este caminho é para vós o caminho do apostolado, ou seja, o serviço aos irmãos e irmãs que têm sede, talvez inconscientemente, da luz e alegria do Evangelho. E essa é precisamente a paixão pelo Evangelho. Paixão pelo Evangelho, friso isto. Porque o Evangelho não pode ser vivido sem paixão. O Evangelho das palavras por si só não é bom: o Evangelho vem do nosso coração, paixão... É precisamente a paixão pelo Evangelho que brilha nas suas inúmeras iniciativas apostólicas, animadas pela mesma motivação e propósito que encontramos no Apóstolo quando escreve: «Embora livre de sujeição de qualquer pessoa, fiz-me servo de todos para ganhar o maior número… Fiz-me fraco com os fracos, a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, a fim de salvar a todos. E tudo isso faço por causa do Evangelho, para dele me fazer participante» (1 Cor 9, 19-23).

E foi novamente São Paulo que sugeriu ao vosso Fundador a forma como o apostolado da vossa Família Religiosa, embora diversificado, pode ser considerado “único”, assim como a vossa espiritualidade (cf. Ef 3, 10). É neste sentido que sois todos, justamente, “paulinos”, porque sois todos filhos e filhas espirituais de São Paulo, com uma única tensão espiritual para com Jesus Cristo, o Mestre, o Caminho, a Verdade e a Vida. E cada Congregação e Instituto Paulino oferece a própria contribuição particular para o serviço da evangelização. A Sociedade de São Paulo e as Filhas de São Paulo, através da publicação de livros, periódicos, multimédia e digital. As Pias Discípulas do Divino Mestre, através do apostolado litúrgico, sacerdotal e eucarístico. As Irmãs de Jesus Bom Pastor, na pastoral paroquial. O Instituto das Irmãs da Rainha dos Apóstolos, com o apostolado vocacional — isto hoje é necessário hoje! — E depois há a contribuição específica dos Institutos de vida secular consagrada: o Instituto São Gabriel Arcanjo; o Instituto Maria Santíssima Anunciada; o Instituto Jesus Sacerdote e o Instituto da Sagrada Família. Os membros destes Institutos, assim como os Cooperadores Paulinos, servem o Evangelho sobretudo em diálogo com o mundo contemporâneo — que é de certa forma a pedra angular de toda a espiritualidade paulina — no qual, como leigos e seculares, estão plenamente inseridos.

É verdade que a evolução tecnológica levou toda a comunidade eclesial a assumir os modernos instrumentos de comunicação como elementos da pastoral ordinária. No entanto, a vossa presença é ainda hoje necessária — aliás, diria cada vez mais — a vossa presença, animada pelo vosso carisma e enriquecida pela experiência de trabalho “em campo”. Isto é decisivo.

No contexto do percurso sinodal que empreendemos, peço-vos que não deixeis de dar o vosso contributo. É por isso que vos encorajo a trabalhar juntos, em rede, cada um contribuindo com o que lhe é “próprio”, de acordo com o desejo do Beato Alberione.

Cinquenta anos após o seu nascimento no Céu, as celebrações pelo vosso Fundador oferecem-vos a oportunidade de reconhecer ainda mais o valor profético do seu testemunho. Seguindo o seu exemplo e por sua intercessão, também vós escolheis os meios de comunicação como o vosso “púlpito” para, como ele próprio disse, se possa dar a conhecer Jesus Cristo aos homens do nosso tempo com os meios do nosso tempo. Agradeço-vos o empenho com que trabalhais e, acima de tudo, rezais. Não esqueçais a oração. É o meio de comunicação mais importante: comunicar ali [indica para cima]. Se eu comunicar com o mundo inteiro e não com o Senhor, não funciona. Trabalho e oração, para que o povo santo de Deus possa alimentar-se cada vez mais da Palavra de Deus. Procurando «em tudo e com todo o coração, na vida e no apostolado, só e sempre, a glória de Deus e a paz dos homens» (cf. Pe. Alberione, Oração de aliança com Deus).

Que Maria, Rainha dos Apóstolos, vos acompanhe pelas estradas do mundo como apóstolos e apóstolas do Evangelho, sempre abertos a “aprender com as pessoas comuns”, como o Padre Alberione gostava de dizer. Também eu vos acompanho com a minha oração e a minha bênção. E, por favor, peço-vos que rezeis por mim. Obrigado!