· Cidade do Vaticano ·

Alegria e profecia da santidade

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03 novembro 2021

A alegria e a profecia foram os dois aspetos de um «estilo de vida de santidade» sobre os quais o Papa Francisco refletiu durante o Angelus recitado com os fiéis na praça de São Pedro na segunda-feira, 1 de novembro, solenidade de todos os Santos. Em seguida, a meditação do Santo Padre.

Estimados irmãos e irmãs
bom dia!

Hoje celebramos Todos os Santos e na Liturgia ressoa a mensagem “programática” de Jesus, nomeadamente as bem-aventuranças (cf. Mt 5, 1-12a). Mostram-nos o caminho que conduz ao Reino de Deus e à felicidade: o caminho da humildade, da compaixão, da mansidão, da justiça e da paz. Ser santo significa caminhar por esta estrada. Concentremo-nos agora em dois aspetos deste estilo de vida. Dois aspetos que são próprios deste estilo de vida de santidade: alegria e profecia.

A alegria. Jesus começa com a palavra «bem-aventurados» (Mt 5, 3). É o anúncio principal, o anúncio de uma felicidade sem precedentes. A bem-aventurança, a santidade não é um programa de vida feito apenas de esforços e renúncias, mas é sobretudo a alegre descoberta de ser filhos amadas por Deus. E isto enche-nos de alegria. Não é uma conquista humana, é um dom que recebemos: somos santos porque Deus, que é o Santo, vem habitar na nossa vida. É Ele quem nos dá a santidade. Por isto somos bem-aventurados! A alegria do cristão, portanto, não é a emoção de um instante ou um simples otimismo humano, mas a certeza de poder enfrentar todas as situações sob o olhar amoroso de Deus, com a coragem e a força que vem d’Ele. Os santos, mesmo no meio de muitas tribulações, experimentaram esta alegria e deram testemunho dela. Sem alegria, a fé torna-se uma prática rigorosa e opressiva, e corre o risco de adoecer de tristeza. Consideremos estas palavras: adoecer de tristeza. Um Padre do deserto disse que a tristeza é um «verme do coração», que corrói a vida (cf. evagrio pontico , Os oito espíritos da maldade, xi ). Questionemo-nos sobre isto: somos cristãos alegres? Sou ou não um cristão alegre? Difundimos alegria ou somos pessoas sombrias, tristes e com cara de funeral? Lembremo-nos que não há santidade sem alegria!

O segundo aspeto: a profecia. As bem-aventuranças são dirigidas aos pobres, aos aflitos, a quantos têm fome de justiça. É uma mensagem contracorrente. Na verdade, o mundo diz que para ser feliz é preciso ser rico, poderoso, sempre jovem e forte, gozar de fama e sucesso. Jesus inverte estes critérios e faz um anúncio profético — e esta é a dimensão profética da santidade — a verdadeira plenitude de vida é alcançada seguindo Jesus, praticando a sua Palavra. E isto significa outra pobreza, ou seja, ser pobre dentro, esvaziar-se a si mesmo para dar lugar a Deus. Quem se considera rico, bem-sucedido e seguro, baseia tudo em si próprio e fecha-se a Deus e aos irmãos, enquanto aqueles que sabem que são pobres e não são autossuficientes permanecem abertos a Deus e ao próximo. E encontram a alegria. As bem-aventuranças, então, são a profecia de uma nova humanidade, de uma nova forma de viver: fazer-se pequeno e confiar-se a Deus, em vez de emergir sobre os outros; ser manso, em vez de procurar impor-se; praticar a misericórdia, em vez de pensar apenas em si mesmo; comprometer-se com a justiça e a paz, em vez de alimentar, até com conivência, injustiça e desigualdade. A santidade é acolher e pôr em prática, com a ajuda de Deus, esta profecia que revoluciona o mundo. Então podemos perguntar-nos: testemunho a profecia de Jesus? Expresso o espírito profético que recebi no Batismo? Ou será que me conformo com o conforto da vida e com a minha preguiça, pensando que tudo corre bem se estiver bem para mim? Levo ao mundo a novidade jubilosa da profecia de Jesus ou as queixas habituais por aquilo que não me agrada? Perguntas que nos fará bem formular a nós mesmos.

Que a Santa Virgem nos dê algo da sua alma, aquela alma abençoada que alegremente engrandeceu o Senhor, que “derruba os poderosos dos tronos e eleva os humildes” (cf. Lc 1, 52).

No final da prece mariana, o Papa Francisco saudou os atletas que participaram na «Corrida dos Santos» e do valor educativo do desporto. Em seguida, falou sobre a comemoração dos finados, do dia 2 de novembro.

Amados irmãos e irmãs!

Saúdo calorosamente todos vós, romanos e peregrinos. Dirijo uma saudação especial aos participantes na Corrida dos Santos, organizada pela Fundação “Dom Bosco no Mundo”. É importante promover o valor educativo do desporto. Obrigado também pela vossa iniciativa a favor das crianças da Colômbia.

Amanhã de manhã irei ao Cemitério Militar Francês em Roma: será uma oportunidade de rezar em sufrágio por todos os mortos, especialmente pelas vítimas da guerra e da violência. Ao visitar este cemitério, uno-me espiritualmente a todos aqueles que durante estes dias vão rezar nos túmulos dos seus entes queridos, em todas as partes do mundo.

Desejo a todos uma feliz festa dos Santos, na companhia espiritual de todos os Santos. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim.

Bom almoço e até à vista!