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Foi arcebispo emérito de Maputo em Moçambique

Faleceu o cardeal Alexandre José Maria dos Santos

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05 outubro 2021

O cardeal moçambicano Alexandre José Maria dos Santos, da ordem franciscana dos Frades menores, arcebispo emérito de Maputo, faleceu a 29 de setembro no Instituto do Coração, na capital do país. Nascido em Zavala, diocese de Inhambane, a 18 de março de 1924, foi ordenado sacerdote em 25 de junho de 1953. Nomeado arcebispo metropolitano de Maputo a 23 de dezembro de 1974, recebeu a ordenação episcopal em 9 de março de 1975. Criado e publicado cardeal no Consistório de 28 de junho de 1988, do título de «San Frumenzio ai Prati Fiscali», renunciou ao governo pastoral da arquidiocese a 22 de fevereiro de 2003.

Primeiro sacerdote, primeiro bispo e primeiro cardeal natural de Moçambique, Alexandre José Maria dos Santos completou os primeiros estudos na escola dos missionários franciscanos da província de Portugal, presentes na região desde o início do século.

Frequentou o seminário menor dos Frades menores em Amatongas, região central de Moçambique e depois foi enviado para Nyassaland — hoje Malawi — para estudar Filosofia com os Padres brancos (Missionários de África), pois naquela época ainda não havia um seminário maior em Moçambique.

Em 1947 entrou no noviciado da província portuguesa dos Frades menores em Varatojo, perto de Lisboa. Emitiu a profissão temporária em 1948, frequentou o curso de Teologia na capital portuguesa, emitiu a solene profissão religiosa em 1951 e foi ordenado sacerdote dois anos mais tarde, em Lisboa.

Regressou a Moçambique em 1954 e exerceu o ministério sacerdotal nas missões franciscanas da região de Inhambane. Em 1972, tornou-se conselheiro da Custódia da sua ordem em Moçambique e reitor do novo seminário menor em Vila Pery, atualmente Chimoio.

Após a independência de Moçambique de Portugal, em 1974 foi nomeado por Paulo vi arcebispo metropolitano de Maputo. No ano seguinte recebeu a ordenação episcopal das mãos do cardeal Agnelo Rossi, prefeito da Congregação para a evangelização dos povos, do cardeal Laurean Rugambwa, arcebispo metropolitano de Dar-es-Salaam (Tanzânia), e de D. Eduardo André Muaca, bispo de Malanje (Angola). Escolheu como lema episcopal «Servir e não ser servido» (cf. Mc 10, 45).

A 18 de setembro de 1976, após a mudança do nome da capital moçambicana, a Santa Sé decidiu mudar o nome da arquidiocese de Lourenço Marques, que recebeu o atual nome de Maputo. Assumindo o governo pastoral da arquidiocese, D. Alexandre dos Santos comprometeu-se intensamente a favor do povo atingido pela guerra civil e pelas calamidades naturais. Fundou a Cáritas e foi o seu primeiro presidente. Promoveu programas concretos de ajuda aos pobres, refugiados e vítimas da seca. Trabalhou também pela promoção de novas relações entre as comunidades eclesiais das antigas colónias portuguesas: Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe.

A 22 de agosto de 1981, fundou a Pia União feminina com o nome de Franciscanas de Nossa Senhora Mãe da África, com relativo decreto. Trata-se de um instituto religioso africano formado por mulheres moçambicanas: o objetivo do arcebispo era fazer reflorescer no país a vida religiosa tanto contemplativa como ativa, na pastoral e na assistência aos pobres.

Foi criado cardeal em 1988. E em setembro do mesmo ano, recebeu e acompanhou João Paulo II na visita pastoral a Moçambique. Trinta anos mais tarde, em 2019, teria a alegria de participar na visita do Papa Francisco que, a 5 de setembro, o saudou na catedral de Maputo, no meio do seu povo, aquele povo de Deus a quem o cardeal tinha servido durante tanto tempo.

Em 1994 e 2009, participou nas duas assembleias especiais para a África do Sínodo dos Bispos, contribuindo com a sua apaixonada experiência de serviço. Renunciou ao governo pastoral da arquidiocese de Maputo em 2003.