· Cidade do Vaticano ·

Os bispos da República Democrática do Congo sobre os recentes ataques contra a Igreja no país

Ofensa à religião e ao povo

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10 agosto 2021

Atos deploráveis e crimes odiosos que constituem «um grave ataque contra a liberdade de religião e de expressão, mas também uma violação da democracia; um grande retrocesso no caminho rumo ao estado de direito a que aspira o povo congolês». Os bispos da República Democrática do Congo manifestam a sua indignação pelos ataques aos quais a Igreja no país foi submetida nos últimos meses. Referindo-se em particular ao episódio ocorrido há dois domingos, quando a residência do cardeal arcebispo de Kinshasa, Fridolin Ambongo Besungu, foi alvo de um grupo de jovens não identificados que perpetraram atos de vandalismo com slogans ultrajantes contra o purpurado, que no dia precedente fora objeto de acusações ofensivas por parte do secretário-geral da União para a democracia e o progresso social, Augustin Kabuya.

O líder político do partido do governo acusara o cardeal e o secretário-geral da Conferência episcopal congolesa (Cenco), padre Donatien Nshole, de querer “politizar” a Igreja. Os ataques estão ligados às divergências sobre a reorganização da Comissão eleitoral nacional independente (Ceni), em vista das eleições presidenciais de 2023, que a Igreja gostaria que fossem independentes da política e expressão da sociedade civil.

Comportamentos irresponsáveis, reiteraram os bispos, convidando os fiéis a permanecer «extremamente vigilantes» e a não se deixar «influenciar por ninguém». Numa declaração transmitida pela emissora local “Radio Okapi”, os prelados dizem-se «amargurados» também pelos repetidos atos de vandalismo, profanação e furtos de objetos sagrados, que ocorreram ao longo dos últimos quatro meses contra várias igrejas e lugares de culto, doze no total, na diocese de Mbujimayi, em Kasai oriental, e denunciados pelo bispo local, Bernard-Emmanuel Kasanda Mulenga, numa carta pastoral divulgada a 26 de julho. No documento, o prelado exorta «todas as autoridades administrativas, militares e de polícia» a ocupar-se da situação, garantindo a segurança e protegendo «todas as nossas igrejas paroquiais e todos os seus bens. Que nos ajudem a encontrar e a recuperar os objetos de culto roubados (tabernáculos, mobiliário sagrado, panos de altar, cibórios, decorações e imagens do Sagrado Coração de Jesus e da Virgem Maria)», assim como a fazer com que os culpados sejam processados perante os tribunais e recebam as justas sanções.