· Cidade do Vaticano ·

Ivan Rupnik pintou a imagem-símbolo para o evento de Roma em 2022

Bodas de Caná, ícone do x Encontro

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10 agosto 2021

O pano de fundo é o episódio das bodas de Caná da Galileia: no centro estão as figuras de Jesus e Maria, à esquerda as faces veladas dos esposos, enquanto o empregado que serve o vinho tem o semblante de São Paulo, segundo a antiga iconografia cristã; é ele que remove o véu com a mão e exclama, falando das bodas: «Este mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja!» (Ef 5, 32). O ícone revela que o amor sacramental entre homem e mulher é um reflexo do amor e da unidade indissolúvel entre Cristo e a Igreja: Jesus derramou o seu sangue por ela. Esta é a imagem-símbolo escolhida para o x Encontro mundial das famílias, que terá lugar em Roma em pouco menos de um ano, de 22 a 26 de junho de 2022. O Dicastério para os leigos, a família e a vida, e a diocese da qual o Papa é bispo — à qual está confiada a organização do evento — apresentaram-na no dia 28 de julho.

Realizada com cores vinílicas sobre gesso aplicado na madeira, é obra do jesuíta Marko Ivan Rupnik, sacerdote artista, teólogo e diretor do Centro “Aletti”. Nela predominam as tonalidades quentes. Mede 80x80 cm e intitula-se Este mistério é grande. «Em Caná — explicou o autor — na transformação da água em vinho, abrem-se os horizontes do sacramento, ou seja, a passagem do vinho para o sangue de Cristo. Com efeito, Paulo derrama o mesmo sangue que a Esposa recolhe no cálice». Com a esperança — acrescentou — «de que através desta pequena imagem possamos compreender» que «para nós cristãos a família» é a expressão do sacramento nupcial; e «isto muda totalmente o seu significado, pois um sacramento implica sempre transformação». De facto, no matrimónio cristão o amor dos cônjuges torna-se partícipe do amor que Cristo tem pela Igreja. Neste sentido, o matrimónio tem uma dimensão eclesial e é inseparável da Igreja», observou citando Nikolaj Berdjaev, o qual escreveu que nas tradições cristãs o matrimónio ainda não foi aprofundado, porque «demasiado depressa coberto com a família, mas de acordo com a natureza».

Depois da oração e do logótipo, o ícone é o terceiro símbolo publicado como instrumento pastoral para a preparação e o caminho das famílias rumo ao Encontro mundial de 2022. Os vídeos com as catequeses e explicações do padre Rupnik, legendados em cinco línguas, estão online na página do YouTube da diocese de Roma. «A interpretação que sobressai da imagem baseia-se no grande padre da Igreja síria, São Tiago de Sarug, que fala do “véu de Moisés”», disse o autor. Com efeito, continuou, «também a família, que por si mesma faz parte de uma existência segundo a natureza, como caraterística dos seres vivos, das aves, dos peixes, dos animais... Em Cristo é transfigurada pois através do Espírito Santo nos é dada a participação no amor de Cristo pela sua Igreja».

Além disso, frisou Rupnik, na imagem «torna-se manifesto que a família se liberta do sangue apenas como um dado natural, para ser transfigurada segundo a união no sangue de Cristo, através do sacramento do matrimónio, que manifesta o núcleo constitutivo da própria Igreja, como já assinalava São João Crisóstomo». Em suma, «a família é uma realidade eclesial na medida em que constitui participação na vida de Cristo do qual, como diria Nicholas Cabasilas, somos verdadeiramente consanguíneos».

Inicialmente previsto para 2021, o Encontro, adiado por um ano, terá lugar, por vontade do Papa Francisco, de forma inédita e multicêntrica, com iniciativas locais em dioceses de todo o mundo, semelhantes às que se realizarem contemporaneamente em Roma. Embora permanecendo a sede designada, cada diocese poderá ser o centro de um Encontro local para as próprias famílias e comunidades. Isto permitirá que todos se sintam protagonistas num momento em que ainda é difícil viajar devido à pandemia de Covid-19.

«O amor familiar: vocação e caminho de santidade» é o tema do Encontro mundial que será realizado em duas modalidades paralelas: Roma continuará a ser a sede principal, onde terão lugar o Festival das famílias e o Congresso teológico-pastoral — ambos na sala Paulo vi — e a missa em São Pedro, com a participação dos delegados das Conferências episcopais e dos movimentos internacionais comprometidos na pastoral familiar; contemporaneamente, nas dioceses, os bispos poderão programar iniciativas semelhantes, utilizando os três símbolos preparados na ótica de junho de 2022.