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Mensagem do Papa ao festival dos jovens em Medjugorje

Mensagem do Papa para o festival dos jovens em Medjugorje

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03 agosto 2021

Publicamos o texto da mensagem enviada pelo Papa ao Festival dos jovens (Mladifest) que tem lugar de 1 a 6 de agosto em Medjugorje.

Caríssimos!

O Festival dos Jovens é uma semana intensa de oração e de encontro com Jesus Cristo, especialmente na sua Palavra viva, na Eucaristia, na adoração e no sacramento da Reconciliação. Este evento — como nos diz a experiência de muitos — tem a força de colocar a caminho rumo ao Senhor. E é precisamente este o primeiro passo dado também pelo “jovem rico” de quem nos falam os Evangelhos sinóticos (cf. Mt 19, 16-22; Mc 10, 17-22; Lc 18, 18-23), que se pôs a caminho, aliás, correu ao encontro do Senhor, cheio de ímpeto e de desejo de encontrar o Mestre para ter em herança a vida eterna, ou seja, a felicidade. A palavra guia do Festival deste ano é exatamente a pergunta que o jovem fez a Jesus: «Que hei de fazer de bom para alcançar a vida eterna?». É uma palavra que nos coloca diante do Senhor; e Ele fixa o seu olhar em nós, ama-nos e convida-nos: «Vem! Segue-me!» (Mt 19, 21).

O Evangelho não nos diz o nome daquele jovem, o isto sugere que ele pode representar cada um de nós. Além de possuir muitos bens, ele parece ser bem-educado e instruído, e também animado por uma inquietação saudável que o impele a procurar a verdadeira felicidade, a vida em plenitude. Por isso, põe-se a caminho para encontrar um guia influente, credível e fiável. Encontra esta autoridade na pessoa de Jesus Cristo e é por isso que lhe pergunta: «Bom Mestre, que hei de fazer para alcançar a vida eterna?» (Mc 10, 17). Mas o jovem pensa num bem a conquistar com as próprias forças. O Senhor responde-lhe com outra pergunta: «Por que me chamas bom? Só Deus é bom» (v. 18). Assim, Jesus orienta-o para Deus, que é o único e sumo Bem de quem provém todos os outros bens.

Para o ajudar a aceder à nascente da bondade e da verdadeira felicidade, Jesus indica-lhe a primeira etapa a percorrer, ou seja, aquela de aprender a fazer o bem ao próximo: «Se quiseres entrar na vida, observa os mandamentos!» (Mt 19, 17). Jesus restitui-o à vida terrena, mostrando-lhe o caminho para herdar a vida eterna, isto é, o amor concreto ao próximo. Mas o jovem responde que sempre fez isto e compreendeu que não é suficiente seguir os preceitos para ser feliz. Então, Jesus fixa sobre ele um olhar cheio de amor. Com efeito, reconhece o desejo de plenitude que o jovem tem no coração e a sua saudável inquietação que o põe em busca; por isso, sente ternura e afeto por ele.

Contudo, Jesus compreende também qual é o ponto fraco do seu interlocutor: está demasiado apegado aos muitos bens materiais que possui. Por isso, o Senhor propõe-lhe uma segunda etapa a percorrer, passar da lógica do “mérito” para a do dom: «Se quiseres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu» (Mt 19, 21). Jesus muda a perspetiva: convida-o a não pensar em assegurar a vida depois da morte, mas a dar tudo na vida terrena, imitando assim o Senhor. É a chamada a uma maior maturidade, a superar os preceitos observados para obter recompensas, ao amor gratuito e total. Jesus pede-lhe que abandone o que pesa no coração e impede o amor. O que Jesus propõe não é tanto um homem despojado de tudo, mas um homem livre e rico em relações. Se o coração estiver cheio de posses, o Senhor e o próximo tornar-se-ão apenas uma coisa entre outras. As nossas demasiadas posses e desejos sufocam o nosso coração, tornando-nos infelizes e incapazes de amar.

No final, Jesus propõe uma terceira etapa, a da imitação: «Vem! Segue-me!». «Seguir Cristo não é uma imitação exterior, já que atinge o homem na sua profunda interioridade. Ser discípulo de Jesus significa tornar-se conforme a Ele» (Bento xvi, Carta Encíclica Veritatis splendor, 21). Em contrapartida, receberemos uma vida rica e feliz, cheia de rostos de muitos irmãos e irmãs, pais, mães e filhos... (cf. Mt 19, 29). Seguir Cristo não é uma perda, mas um lucro incalculável, pois a renúncia diz respeito ao obstáculo que impede o caminho. Mas aquele jovem rico tem o seu coração dividido entre dois senhores: Deus e o dinheiro. O medo de arriscar e de perder os seus bens leva-o a voltar para casa triste: «Entristeceu-se e foi embora abatido» (Mc 10, 22). Não hesitara em fazer a pergunta decisiva, mas não teve a coragem de aceitar a resposta, que é a proposta de se “desligar” de si próprio e das riquezas para se “ligar” a Cristo, para caminhar com Ele e descobrir a verdadeira felicidade.

Amigos, Jesus diz também a cada um de vós: «Vem! Segue-me!». Tende a coragem de viver a vossa juventude, confiando-vos ao Senhor e colocando-vos a caminho com Ele. Deixai-vos conquistar pelo seu olhar de amor que nos liberta da sedução dos ídolos, das falsas riquezas que prometem vida, mas trazem a morte. Não tenhais medo de acolher a Palavra de Cristo, nem de aceitar a sua chamada. Não desanimeis como o jovem rico do Evangelho; pelo contrário, fixai o olhar em Maria, o grande modelo da imitação de Cristo, e confiai-vos a Ela que, com o seu «eis-me!», respondeu sem reservas à chamada do Senhor. A sua vida é uma doação total de si, desde o momento da Anunciação até ao Calvário, onde se tornou nossa Mãe. Fitemos Maria para encontrar a força e receber a graça que nos permitem pronunciar o nosso «eis-me!» ao Senhor. Fixemos o olhar em Maria para aprender a levar Cristo ao mundo, como Ela mesma fez quando, cheia de esmero e alegria, correu para ajudar Santa Isabel. Fitemos Maria para transformar a nossa vida num dom ao próximo. Mediante a sua preocupação com os esposos de Caná, Ela ensina-nos a estar atentos aos outros. Com a sua vida, mostra-nos que na vontade de Deus está a nossa alegria, e acolhê-la e vivê-la não é fácil, mas torna-nos felizes. Sim, «a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria» (Exortação Apostólica Evangelii gaudium, 1).

Estimados jovens, no vosso caminho com o Senhor Jesus, animado também por este Festival, confio todos vós à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, nossa Mãe celestial, invocando luz e força do Espírito Santo. O olhar de Deus, que vos ama pessoalmente, vos acompanhe todos os dias para que, nos relacionamentos com os outros, possais ser testemunhas da nova vida que recebestes como um dom.

Por isto rezo e abençoo-vos, e peço-vos também que rezeis por mim!

Roma, São João de Latrão, 29 de junho de 2021.

Francisco