· Cidade do Vaticano ·

Em preparação para o Dia mundial que será celebrado a 30 de julho

O poder do cuidado para desmantelar estruturas de exploração e de escravatura

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27 julho 2021

Com a hashtag em inglês #CareAgainstTrafficking, a rede global Talitha Kum — que reúne mais de três mil religiosas católicas e colaboradores no esforço de erradicação do tráfico de seres humanos — convida todas as famílias religiosas parceiras e os amigos presentes em cerca de noventa países do mundo a participar na campanha mediática de preparação para o Dia mundial contra este fenómeno desprezível, que será celebrado a 30 de julho.

Uma verdadeira “ativação online”, sobretudo através dos canais sociais, foi lançada a 22 de julho, em vista do Dia da luta ao tráfico de pessoas, promovido pelas Nações Unidas: «Juntos, queremos contar uma história de cuidados», explicou a coordenadora internacional Gabriella Bottani, das irmãs missionárias combonianas, traduzindo o significado das palavras: Care Against Trafficking. «O objetivo é demonstrar que o cuidado podem fazer a diferença em todas as fases do percurso para combater o tráfico: cuidado por quantos estão em perigo, cuidado pelas vítimas e pelos sobreviventes», acrescentou. Por isso, das contas do Talitha Kum no Twitter, Instagram e Facebook partiu a iniciativa «Cuidado contra o tráfico», atualizando banners e perfis com a palavra-chave em inglês. «Todo o material, como o logótipo e as fotografias, é partilhado através da publicação de histórias de religiosas, para ilustrar a mensagem e para a ampliar através da web». Na sua maioria, são testemunhos que servem para descrever o poder do cuidado, particularmente nas áreas de acesso à educação de qualidade, licenças e oportunidades de trabalho, cuidado pela saúde e apoio psicossocial, e justiça para os sobreviventes. E para aqueles que não estão familiarizados com o mundo social, o convite é a enviar as suas experiências para o e-mail communication@talithakum.info: depois, o gabinete de coordenação na sede da União internacional dos superiores-gerais (Uisg), em Roma, irá divulgá-las para as dar a conhecer. Embora, salientou a coordenadora, «a participação na campanha seja possível através de todos os canais locais, a fim de alcançar mais pessoas e de ter um impacto maior».

«O tráfico de seres humanos é uma chaga no corpo da humanidade contemporânea», disse o Papa Francisco aos participantes na Conferência internacional sobre o tráfico, no dia 10 de abril de 2014. Por este motivo, afirmou a religiosa comboniana, «não ficaremos em silêncio enquanto as pessoas em todos os cantos do mundo sofrerem por causa disto».

As irmãs de Talitha Kum sabem-no bem, e em Pattaya, na Tailândia, um dos principais destinos do turismo sexual, oferecem formação como cabeleireiras e massagistas às jovens salvas do mercado da prostituição, para que possam encontrar um trabalho digno. «Alimentadas pela força da espiritualidade — comentou a irmã Gabriella — ajudamos dezenas de milhares de pessoas que escaparam à violência, a encontrar um percurso para reconstruir a vida, a dignidade e a liberdade. E ousamos dar mais um passo ao longo do nosso caminho de cuidado: queremos ativar uma mudança sustentável a longo prazo para desmantelar as estruturas que permitem a opressão e a exploração.

Para enfrentar este desafio global e encontrar soluções sistémicas, reconhecemos que devemos trabalhar com organizações do setor privado, governos, Ongs e a sociedade civil. Devemos transformar a economia do tráfico numa economia de cuidado que permita a todos, especialmente às mulheres, promover comunidades prósperas e seguras. Por conseguinte, pedimos a todas as pessoas de boa vontade que se unam a fim de enfrentar as causas sistémicas deste fenómeno, e aos governos a fim de que ofereçam apoio a longo prazo aos sobreviventes, garantindo educação, formação, justiça e ressarcimentos, assistência médica e psicológica», concluiu.

Gianluca Biccini