· Cidade do Vaticano ·

O Papa Francisco inaugurou um novo ciclo de catequeses

A Igreja de Paulo em saída

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30 junho 2021

O Papa Francisco inaugurou um novo ciclo de catequeses dedicado à Carta aos Gálatas. São Paulo encarna plenamente o ideal da Igreja em saída que o Papa frequentemente evoca para lembrar a toda a Igreja que nunca perca de vista a sua obra missionária primordial e essencial, que é sempre uma missão de “atração”, segundo a feliz expressão do Papa emérito Bento xvi, «a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração». Esta missão/atração significa que o evento cristão é sempre um acontecimento amalgamado com a biografia pessoal de cada discípulo e anunciador do Evangelho. A credibilidade, ou seria melhor dizer a autoridade de um anúncio, passa sempre pela concretização da experiência. A palavra da testemunha tem uma unção maior do que a simples palavra do mero competente. O Papa Francisco enfatizou na sua catequese, que o texto da Carta aos Gálatas é precisamente uma «Carta muito importante, diria até decisiva — disse o Pontífice — não só para conhecer melhor o Apóstolo, mas especialmente para considerar alguns temas que ele aborda em profundidade, mostrando a beleza do Evangelho». Nesta Carta — continuou o Papa — «Paulo faz várias referências biográficas que nos permitem conhecer a sua conversão e a decisão de colocar a sua vida ao serviço de Jesus Cristo». A experiência da fundação da Igreja da Galácia é um unicum significativo pois, o próprio Paulo o admite, a sua estadia naquela região foi devida à doença (cf. Gl 4, 13). A «evangelização — acrescentou o Papa — nem sempre depende da nossa vontade e projetos, mas requer a vontade de nos deixarmos moldar e de seguir outros caminhos que não estavam previstos». Outro elemento fundamental que o Papa sublinhou é a força que vem de um tecido de “pequenas comunidades” que são mais eficazes do que o desejo de encontrar imediatamente experiências grandes e visíveis: «Paulo, quando chegava a uma cidade, a uma região — acrescentou o Papa improvisando — não construía imediatamente uma catedral, não. Estabelecia as pequenas comunidades que são o fermento da nossa cultura cristã de hoje. Começava com as pequenas comunidades. E estas pequenas comunidades cresciam, cresciam e iam em frente. Também hoje este método pastoral é realizado em cada região missionária». A realidade, com tudo o que vai para além dos nossos esquemas e cálculos, torna-se o verdadeiro lugar onde podemos ouvir a vontade de Deus. E a realidade não está livre de áreas de sombras e contradições. A comunidade dos Gálatas também enfrentou desafios e riscos: «Alguns cristãos vindos do judaísmo tinham-se infiltrado nestas igrejas e astutamente começaram a semear teorias contrárias aos ensinamentos do Apóstolo, chegando ao ponto de o difamar». A resistência a entrar numa nova lógica faz sobressair toda a força do Apóstolo, que toma consciência deste cansaço e desorientação para afirmar claramente que a liberdade que Cristo obteve para nós não tem necessidade de nostalgia tranquilizadora do passado ou escapismo ideológico, mas sim a capacidade de ver na mudança a verdadeira fidelidade à tradição: «Ainda hoje, não faltam pregadores que, especialmente através dos novos meios de comunicação, podem perturbar as comunidades. Apresentam-se não para anunciar o Evangelho de Deus que ama o homem em Jesus Crucificado e Ressuscitado, mas para reiterar com insistência, como verdadeiros “guardiães da verdade” qual é a melhor maneira de ser cristão». É por isso que a escolha do Pontífice de mergulhar no texto da Carta aos Gálatas «ajudar-nos-á a compreender qual caminho seguir. O caminho que o Apóstolo indicou é aquele libertador e sempre novo de Jesus Crucificado e Ressuscitado; é o caminho do anúncio, que se realiza através da humildade e da fraternidade, os novos pregadores não sabem o que é humildade nem fraternidade; é o caminho da confiança mansa e obediente, os novos pregadores não conhecem a mansidão nem a obediência. E este caminho manso e obediente vai em frente, na certeza de que o Espírito Santo age em cada época da Igreja. Em última instância, a fé no Espírito Santo presente na Igreja leva-nos em frente e salvar-nos-á».

Luigi Maria Epicoco