· Cidade do Vaticano ·

À Conferência episcopal Francisco indicou a missão da Igreja no país perante o drama da pandemia

Unidade e reconciliação
para o Brasil

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20 abril 2021

Publicamos a seguir a mensagem em vídeo enviada pelo Papa Francisco aos participantes na 58ª Assembleia geral da Conferência nacional dos bispos do Brasil (Cnbb), realizada online de 12 a 16 de abril sobre o tema: «E a Palavra habitou entre nós — Animação bíblica da pastoral a partir das Comunidades eclesiais missionárias».

Queridos irmãos no Episcopado!

Por ocasião da 58º Assembleia geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, quero me dirigir a vocês; e perdoem-me que o faça em espanhol, mas entre o Brasil e a Argentina há um idioma que todos entendemos: o “portunhol”, assim vocês me entenderão. E, através de vocês, quero me dirigir a cada brasileiro e brasileira, no momento em que este tão amado País enfrenta uma das provas mais difíceis de sua história.

Desejo, em primeiro lugar, manifestar a minha proximidade a todas as centenas de milhares de famílias que choram a perda de um ente querido. Jovens, idosos, pais e mães, médicos e voluntários, ministros sagrados, ricos e pobres: a pandemia não excluiu ninguém no seu rastro de sofrimento. Penso de modo particular nos Bispos que faleceram, vítimas da Covid. Peço a Deus que conceda a todos o descanso eterno e que traga consolação aos corações enlutados dos familiares que muitas vezes nem sequer puderam despedir-se dos seus parentes amados. E esta partida sem poder despedir-se, esta partida na solidão mais despojada é uma das maiores dores de quem parte e de quem fica.

Queridos irmãos, ainda ressoa junto de nós o anúncio da vitória do Senhor Jesus sobre a morte e o pecado. O anúncio pascal é um anúncio que renova a esperança nos nossos corações: não podemos dar-nos por vencidos! Como cantamos na Sequência do Domingo de Páscoa: «Duelam forte e mais forte: é a vida que enfrenta a morte. O Rei da vida, cativo, é morto, mas reina vivo!». Sim, queridos irmãos, o mais forte está ao nosso lado! Cristo venceu! Venceu a morte! Renovemos a esperança de que a vida vencerá!

A nossa fé em Cristo Ressuscitado nos mostra que podemos superar esse momento trágico. Nossa esperança nos dá coragem para nos reerguemos. A caridade nos impulsiona a chorar com os que choram e a dar a mão, sobretudo aos mais necessitados, para que possam voltar a sorrir. E a caridade nos impulsiona, a nós como Bispos, a nos despojar. Não tenham medo de despojar-se. Cada um sabe de que coisa... É possível superar a pandemia, é possível superar suas consequências. Mas somente conseguiremos se estivermos unidos! A Conferência Episcopal deve ser una neste momento, pois o povo que sofre é uno.

Durante a minha inesquecível visita ao Brasil em 2013, ao referir-me à história de Nossa Senhora Aparecida, comentava que aquela imagem encontrada dividida podia servir de símbolo para a realidade brasileira: «Aquilo que estava quebrado retoma a unidade... Em Aparecida, logo desde o início, Deus dá uma mensagem de recomposição do que está fraturado, de compactação do que está dividido. Muros, abismos, distâncias ainda hoje existentes estão destinados a desaparecer. A Igreja não pode descurar esta lição: a Igreja deve ser instrumento de reconciliação» (Discurso ao Episcopado brasileiro, 27 de julho de 2013).

E ser instrumento de reconciliação, ser instrumento de unidade. Essa é a missão da Igreja no Brasil: hoje mais do que nunca! Para tal, é preciso deixar de lado as divisões, os desentendimentos. É preciso nos encontrar no essencial. Com Cristo, por Cristo e em Cristo, reencontrar a «unidade do Espírito, pelo vínculo da paz» (Ef 4, 3). Somente assim vocês, como Pastores do Povo de Deus, poderão inspirar os fiéis católicos, mas também os demais cristãos e os homens e mulheres de boa vontade, em todos os níveis da sociedade, inclusive no nível institucional e governamental, poderão inspirar a trabalhar juntos para superar não somente o coronavírus, mas também outro vírus que há muito tempo assola a humanidade: o vírus da indiferença, que nasce do egoísmo e gera injustiça social.

Queridos irmãos, o desafio é grande. Porém sabemos que o Senhor caminha conosco: «Eis que estarei convosco todos os dias, até o final dos tempos» (Mt 28, 20), nos diz Ele. Por isso, na certeza de que «não nos deu um espírito de covardia, mas de fortaleza, de amor e de moderação» (2 Tm 1, 7), deixemos «de lado tudo o que não atrapalha e o pecado que nos envolve. Corramos com perseverança na competição que nos é proposta, com os olhos fixos em Jesus» (cf. Hb 12, 1-2). Sempre Jesus! Nele está a nossa base, a nossa força, a nossa unidade.

Peço ao Senhor Ressuscitado que esta Assembleia Geral produza frutos de unidade e reconciliação para todo o povo brasileiro e na Conferência Episcopal. Unidade que não é uniformidade, mas que é harmonia: essa unidade harmônica que somente o Espírito Santo confere. Imploro a Nossa Senhora Aparecida que Ela, como Mãe, fomente entre todos os seus filhos a graça de ser defensores do bem e da vida dos outros, assim como promotores da fraternidade.

A cada um de vocês, queridos irmãos Bispos, aos fiéis que lhes foram confiados e a todo povo brasileiro concedo de todo o coração a minha Bênção. E por favor, peço que não se esqueçam de rezar por mim. O Senhor os abençoe!