· Cidade do Vaticano ·

A expetativa nas palavras do patriarca Sako

Como crianças que se preparam para uma festa

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09 março 2021

«Esta visita é como um sonho que se torna realidade. E nós somos como crianças que se preparam para uma festa. Do maior até ao mais pequenino de nós». As palavras do cardeal Louis Raphael Sako, patriarca da Babilónia dos Caldeus, confiadas à agência Fides, descrevem com simplicidade a realidade de uma viagem longamente sonhada por João Paulo ii e agora realizada por Francisco. Os rostos alegres e agradecidos de quem aguarda o Bispo de Roma documentam que esta viagem está há muito tempo no coração do Papa e no dos iraquianos, não só dos cristãos.

Muitas vezes, durante os anos do seu pontificado, Francisco falou das comunidades cristãs que sofrem em várias partes do mundo, e a sua peregrinação à terra de Abraão, não obstante a pandemia e as preocupações pela segurança, dão testemunho da proximidade do Sucessor de Pedro. Mas o destino dos cristãos no Iraque, assim como os seus sofrimentos, não devem ser separados dos sofrimentos dos membros das outras confissões religiosas, num país onde todos padeceram as consequências de guerras, terrorismo, violências, divisões e abusos em nome de Deus para justificar o ódio.

«Decoramos as nossas igrejas», frisou o patriarca Sako, «mas todos os iraquianos adornaram as suas cidades... Há bandeiras do Vaticano e cartazes de boas-vindas por toda a parte, até em Najaf, em Nassiriya... E em Mosul, a cidade que ainda se apresenta com todas as suas feridas. Os muçulmanos compuseram cânticos para receber o Papa». Há uma frase do aiatolá Ali al Sistani que sobressai nos cartazes em que a imagem da mais alta autoridade xiita do país está ao lado da fotografia do Papa: «Vós sois uma parte de nós, e nós somos uma parte de vós». Outro modo de dizer que somos todos irmãos. As palavras do cardeal que governa a antiga Igreja caldeia ajudam a compreender que a esperança para o futuro do Iraque não virá do fortalecimento de uma comunidade religiosa em detrimento das outras, nem da criação de “reservas” protegidas e separadas, onde colocar em segurança as chamadas minorias, mas da redescoberta das profundas raízes de uma convivência que coincide com a identidade de um país. Uma esperança que se reacende em Ur, seguindo os passos de Abraão: vós sois uma parte de nós, e nós somos uma parte de vós.

Andrea Tornielli