· Cidade do Vaticano ·

Abrigo da Fundação Avsi para imigrantes e refugiados venezuelanos no Brasil

Derrubar a barreira
da indiferença

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23 fevereiro 2021

Chama-se Casa Bom Samaritano e é uma estrutura de acolhimento para migrantes e refugiados venezuelanos que encontraram oportunidades de trabalho na região do Lago Sul, no Brasil. Inaugurada recentemente, numa propriedade doada pela Conferência nacional dos bispos do Brasil (Cnbb), será gerida pela Avsi, em colaboração com o Instituto para as migrações e os direitos humanos (Imdh)/irmãs scalabrinianas, e financiada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos para a população, os refugiados e as migrações (Prm). A iniciativa, que faz parte do projeto “Welcomed through work” (Acolhimento através do trabalho), implementado pela Avsi do Brasil, corrobora as ações da task force humanitária Operação Acolhida, liderada pelo governo federal brasileiro. “Welcomed through work” prevê a inserção no mercado de trabalho de migrantes venezuelanos e famílias brasileiras em situações de grande vulnerabilidade social. Num ano, encontraram trabalho 420 migrantes venezuelanos.

A estrutura pode contar com 18 quartos, uma cozinha, um refeitório e utensílios de cozinha, uma lavandaria, uma sala comunitária para jogos infantis, salas de aulas de português, cursos de informática e de preparação para o trabalho, uma sala de leitura, um auditório e uma capela. «São 3.500 metros quadrados de superfície», diz Fabrizio Pellicelli, diretor e presidente da Avsi do Brasil, «construídos para acomodar até 94 pessoas, grupos familiares nos quais pelo menos um membro foi selecionado para trabalhar na região e necessita deste apoio habitacional durante os primeiros meses. No centro haverá também um assistente social que dará apoio e ajudará os migrantes na sua transição para um local de residência estável».

«A falta de trabalho, a fome, a insegurança, as doenças — ressaltou o bispo de Roraima e vice-presidente da Conferência nacional dos bispos do Brasil, D. Mário Antônio da Silva — são um teste de sobrevivência para os migrantes. No entanto, os venezuelanos mantêm viva a esperança de uma nova vida no Brasil, de encontrar um lugar digno onde viver, de ter um emprego e de se integrar na nossa sociedade».

O presidente de “Red Clamor”, D. Gustavo Rodríguez Vega, arcebispo de Yucatán (México), é da mesma opinião. Nos últimos dias apresentou o relatório produzido por “Red Clamor” com o apoio da agência das Nações unidas para os refugiados (Acnur), e do Conselho episcopal latino-americano (Celam) sobre os refugiados e os migrantes que chegaram da Venezuela a várias regiões da América Latina para escapar da grave situação no seu país. Com efeito, o prelado argumenta que é necessário superar «a barreira da indiferença, despertando a consciência da valiosa contribuição que os refugiados e migrantes venezuelanos oferecem ao país que os acolhe. Aprendamos a derrubar os muros que nos separam e a lançar pontes de encontro para nos enriquecermos uns aos outros».

O relatório tem como objetivo compartilhar os testemunhos dos refugiados e migrantes venezuelanos, tornando visíveis os seus sentimentos, os desafios que enfrentaram e a força com que ultrapassaram todos os tipos de dificuldades. Também oferece uma série de recomendações para promover a proteção e o desenvolvimento global dos refugiados e migrantes nas comunidades que os hospedam. A este respeito, em colaboração com outros parceiros, a Avsi procura satisfazer as necessidades de milhares de pessoas forçadas a abandonar a própria casa. «Somente uma abordagem que envolva empresas particulares, doadores institucionais e outras Ongs — explica Giampaolo Silvestri, secretário-geral da Avsi — pode ajudar a enfrentar o problema da migração em tempos de pandemia. Esta parece-nos ser a melhor maneira de garantir a tutela dos direitos fundamentais de todos».

Francesco Ricupero