· Cidade do Vaticano ·

Rumo à assembleia eclesial da América Latina e do Caribe

Missionários a caminho

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09 fevereiro 2021

Juntamente com o povo de Deus e em oração: estas foram as duas tarefas confiadas pelo Papa Francisco a D. Miguel Cabrejos Vidarte, arcebispo de Trujillo, presidente da Conferência Episcopal Peruana e do Conselho Episcopal da América Latina ( celam ). Exprimiu-as numa mensagem de vídeo enviada por ocasião da apresentação da assembleia eclesial da América Latina e do Caribe, realizada na Basílica de Guadalupe, na Cidade do México, a 24 de janeiro.

Durante o percurso de preparação para o encontro — que tem como lema «Todos somos discípulos missionários em saída» — foram promovidas algumas iniciativas, centradas na experiência de escuta, diálogo e encontro, à luz da Palavra de Deus, do Documento de Aparecida e do Magistério do Papa Francisco. Este tempo de preparação — a assembleia eclesial terá lugar a 21-28 de novembro na Cidade do México — é útil para ouvir as necessidades do povo de Deus, aprofundar os desafios do continente no contexto da pandemia de Covid-19, e para reacender o compromisso pastoral, procurando novos caminhos a fim de que todos tenham vida em abundância.

A realização da primeira assembleia eclesial será uma etapa importante para os discípulos missionários do continente devido à sua natureza sinodal, ao percurso de escuta do povo de Deus, ao caminho espiritual, com atenção especial à celebração dos 500 anos da aparição da Virgem em Guadalupe e aos 2000 anos da Redenção (2031-2033).

Entre as mensagens enviadas por ocasião da apresentação da assembleia eclesial, a do Cardeal Marc Ouellet, presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, evidencia como o Papa acompanha «de perto e com grande interesse o andamento desta assembleia, e espera que os frutos desta investigação estejam na continuidade da sua exortação apostólica Evangelii gaudium». O purpurado afirmou que vê nesta iniciativa «um sinal profético para o futuro da Igreja, porque não só os bispos se encontram», mas também todos os membros do povo de Deus, acrescentando o convite a reconsiderar «a cultura vocacional na América Latina». A este propósito, disse que se quisermos realmente trabalhar juntos, «com respeito pela diversidade dos carismas, devemos desenvolver ainda mais uma cultura vocacional que abranja todas as vocações dos bispos, incluindo leigos, cônjuges e pessoas consagradas».

Interveio também D. Cabrejos Vidarte, salientando que a cultura do encontro será aplicada para «desenvolver uma eclesiologia do Povo de Deus» mediante um processo participativo de escuta aberta a todos. O apelo é dirigido não apenas àqueles que «ocupam cargos e responsabilidades» na Igreja, ou a especialistas em teologia pastoral, mas a todos os fiéis. O presidente do celam apelou à «teologia da sinodalidade que abre os novos caminhos que os fiéis percorrem na senda da evangelização e do anúncio do Reino». Este processo de escuta, «de uma perspetiva sinodal, será a base do nosso discernimento e iluminar-nos-á na guia dos passos futuros» que, como celam e como Igreja na região, «devemos assumir o seguimento de Jesus encarnado». Por esta razão, acrescentou o prelado, esta assembleia eclesial «sem precedentes» que se situa na perspetiva teológica e na «novidade eclesiológica sinodal» e «em profunda comunhão com o Santo Padre», é como «uma oferenda à Igreja universal».

Deste modo, disse o prelado peruano, Aparecida é recordada com gratidão, pelo que a assembleia eclesial se torna «uma etapa fundamental que quer acompanhar o profundo e urgente processo de renovação e reestruturação do celam , inspirado nos quatro sonhos que o Papa escreveu na Querida Amazonia». Ao partilhar sonhos sociais, culturais, ecológicos e eclesiais, a Igreja da América Latina e do Caribe espera renovar a sua «identidade eclesial ao serviço da vida».

Por sua vez, D. Jorge Eduardo Lozano, secretário-geral do celam , e D. Alfonso Miranda Guardiola, secretário-geral da Conferência Episcopal Mexicana, explicaram o significado do lema escolhido: «Todos somos discípulos missionários em saída», o qual recorda que desde o momento do batismo «somos parte da vida da comunidade cristã».

O logótipo inclui o mundo. Um mundo que «está em movimento e que no nosso continente possui uma grande riqueza de biodiversidade».

Um mundo em que «o barco de Pedro está a navegar». Todos estamos «neste mesmo barco» — como disse o Papa Francisco — que se encontra a «atravessar os oceanos» e «com a presença e companhia da Virgem Maria» simbolizada na estrela.

Os dois prelados sublinharam que a pandemia «desencadeou a criatividade da Igreja». Por este motivo, a assembleia eclesial «determinará um marco na forma como realizamos os nossos encontros latino-americanos e caribenhos». A assembleia será realizada «de forma híbrida ou mista». Ou seja, algumas pessoas participarão fisicamente na Cidade do México e outras em diferentes locais nos vários países da América Latina e do Caribe. Na verdade, na intenção dos organizadores, há o envolvimento de toda a Igreja do continente. Para tal, haverá ligações virtuais. De facto, «a criatividade que a pandemia despertou na Igreja inclui o enorme esforço de comunicação, a nível paroquial, diocesano e continental». No caminho para o encontro eclesial há três fases de preparação: a espiritual, a escuta e o encontro. D. Rogelio Cabrera López, arcebispo de Monterrey, presidente da Conferência Episcopal Mexicana e do Conselho para os assuntos económicos do celam , convidou os fiéis para o evento para recordar Aparecida, mas também para «traçar novos caminhos». Durante onze anos, acrescentou, «caminhámos nesta aprendizagem: ser discípulos, ser irmãos, mas também missionários, para anunciar a alegria do Evangelho». Se nesta recordação de Aparecida «traçarmos um novo caminho, sem dúvida realizaremos o sonho da fraternidade universal e da amizade social». Por sua vez, D. Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ( cnbb ), salientou que a divulgação da Boa Nova é «muito mais do que professar a fé com palavras». É uma tarefa que «não pode ser confundida com proselitismo ou com a instrumentalização das verdades do Evangelho». De facto, «anunciar a Boa Nova significa procurar ser a presença de Jesus na vida quotidiana das pessoas». E exortou todos a serem «cada vez mais missionários».

Nicola Gori