· Cidade do Vaticano ·

O Papa encorajou os bispos e sacerdotes da Venezuela a promover iniciativas de caridade para os mais necessitados

Ao lado dos irmãos extenuados pela pobreza
e pela pandemia

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26 janeiro 2021

Um encorajamento à proximidade em relação às pessoas extenuadas pela pobreza e pela pandemia foi dirigido pelo Papa Francisco aos bispos e ao clero diocesano e regular da Venezuela, por ocasião do início de um encontro virtual organizado a 19 e 20 de janeiro pela conferência episcopal do país, a fim de promover, mediante o diálogo fraterno, um espaço para ouvir as experiências de prelados, sacerdotes e religiosos neste momento de emergência sanitária, causada pela Covid-19, com o tema «Os nossos sacerdotes na pandemia: a sua experiência e exercício ministerial neste período».

Amados Irmãos Bispos e Sacerdotes!

Agradeço ao Senhor a oportunidade de vos dirigir a palavra neste dia em que iniciais um encontro virtual, tendo em conta as dificuldades que também oprimem tantos dos nossos irmãos e irmãs na Venezuela e em todo o mundo. Esta é uma oportunidade para partilhar, num espírito de fraternidade ministerial, experiências sacerdotais, canseiras, incertezas, bem como anseios e a convicção de continuar a obra da Igreja, que é obra do Senhor.

Nestes momentos difíceis, lembro-me da passagem do Evangelho de Marcos (cf. 6, 30-31) que narra como os Apóstolos, no seu regresso da missão para a qual Jesus os tinha enviado, se reuniram à sua volta. Disseram-lhe tudo o que tinham feito, tudo o que tinham ensinado. Então Jesus convidou-os a ir, a sós com ele, para um lugar deserto para descansar um pouco.

O nosso ser Pastores da Igreja, mesmo no contexto atual, exige que ajamos desta forma. Não podemos agir sozinhos, isolados, autossuficientes, com projetos escondidos. É indispensável que regressemos sempre a Jesus, que nos reunamos em fraternidade sacramental, para contarmos a Ele e a nós “tudo o que fizemos e ensinámos”, com a convicção de que não é obra nossa, mas de Deus. É ele quem nos salva, nós somos apenas instrumentos nas suas mãos.

O objetivo desta assembleia, que se realiza virtualmente devido à pandemia de Covid-19, é permitir uma reunião daqueles que receberam a missão de testemunhar e difundir a paternidade do Senhor entre o povo santo e fiel de Deus. A este respeito, gostaria de vos assinalar dois princípios que nunca devem ser perdidos de vista, e que garantem o crescimento da Igreja se formos fiéis: o amor ao próximo e o serviço mútuo. Estes dois princípios estão ancorados em dois Sacramentos que Jesus instituiu na Última Ceia, e que são o fundamento, por assim dizer, da sua mensagem: a Eucaristia, para ensinar o amor, e o lava-pés, para ensinar o serviço. Amor e serviço juntos, caso contrário não está bem.

É assim que o Senhor nos quer: especialistas na tarefa de amar os outros e capazes de lhes mostrar, na simplicidade de pequenos gestos diários de afeto e atenção, a carícia da ternura divina. Ele também quer que sejamos servos dos nossos irmãos, mas servos humildes, porque é Jesus quem nos envia e nos lembra que o servo não é maior que o seu Senhor, nem o enviado é maior que aquele que o enviou. É necessário reanimar na vida o desejo de imitar o Bom Pastor, e aprender a ser “servos” de todos, especialmente dos nossos irmãos e irmãs menos afortunados e frequentemente descartados, e assegurar que, neste tempo de crise, eles se sintam acompanhados, apoiados e amados.

Queridos Irmãos Bispos e Sacerdotes, convido-vos a ir em frente, trabalhando com alegria e determinação na vossa tarefa pastoral. A renovar o dom de vós mesmos ao Senhor e ao seu povo santo. Agradeço-vos o testemunho de amor e serviço aos irmãos e irmãs venezuelanos, manifestado na vossa atenção aos doentes, aos quais levastes a força da palavra de Deus e da Eucaristia; no vosso acompanhamento do pessoal médico e paramédico e dos voluntários que assistem os doentes nesta pandemia; no vosso zelo em ajudar os pobres e os excluídos, e os que carecem do necessário para sobreviver e ir em frente com dignidade. Muito obrigado, obrigado por tudo isto!

Com gratidão asseguro a minha proximidade e as minhas orações a todos vós que desempenhais a missão da Igreja na Venezuela, na proclamação do Evangelho e nas numerosas iniciativas de caridade para com os irmãos extenuados por causa da pobreza e da crise sanitária. Confio-vos a todos à intercessão de Nossa Senhora de Coromoto e de São José.

E que o Senhor vos abençoe e vos acompanhe. Que ele abençoe e acompanhe o vosso trabalho, o vosso coração, as vossas mãos, os vossos joelhos quando rezais. Que ele abençoe e acompanhe as vossas esperanças, as boas intenções e, sobretudo, que ele abençoe e acompanhe a vossa unidade. Não vos dividais, irmãos! Não vos dividais. Há sempre uma possibilidade de unidade. Assim como há sempre a possibilidade de se isolar e criar uma atitude de coração sectário, fora da unidade da Igreja.

O Senhor vos abençoe e vos acompanhe! E, por favor, peço-vos que rezeis por mim. Obrigado!