· Cidade do Vaticano ·

Dehoniano, foi arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro

Faleceu o cardeal brasileiro
Eusébio Oscar Scheid

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19 janeiro 2021

O cardeal brasileiro Eusébio Oscar Scheid, dehoniano, arcebispo emérito de São Sebastião do Rio de Janeiro, faleceu a 13 de janeiro em São José dos Campos devido a complicações pulmonares após ter contraído a Covíd-19 e ter sido internado no hospital São Francisco em Jacareí. Nascido a 8 de dezembro de 1932 em Bom Retiro, na diocese de Joaçaba, foi ordenado sacerdote a 3 de julho de 1960 na congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos). Nomeado primeiro Bispo de São José dos Campos a 11 de fevereiro de 1981, recebeu a Ordenação episcopal a 1 de maio seguinte. No dia 23 de janeiro de 1991 foi promovido arcebispo de Florianópolis e a 25 de julho de 2001 foi transferido para a Sé Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro, com o encargo também de Ordinário para os fiéis de rito oriental residentes no Brasil e sem a hierarquia da própria Igreja «sui iuris». No consistório de 21 de outubro de 2003, foi criado e publicado cardeal do título dos Santos Bonifácio e Aleixo. A 27 de fevereiro de 2009 renunciou ao governo pastoral da arquidiocese do Rio de Janeiro e a 28 de julho de 2010 ao ordinariato para os fiéis de rito oriental.

Relançar a evangelização formando sacerdotes santos, que colaborem verdadeiramente com os leigos, e jovens com uma consciência forte: foram os objetivos de vida do cardeal Scheid, até 2009 arcebispo do Rio de Janeiro, visados nos seus sessenta anos de sacerdócio (completados a 3 de julho passado) e quase quarenta de episcopado. Fiel ao seu lema Deus é bom, ele testemunhou que precisamente «a bondade é um sinal eficaz e contracorrente para ser testemunha de Cristo na sociedade de hoje». Uma simples atitude de fé que aprendeu em casa desde a infância.

Nasceu em 1932, filho de Alberto Reinaldo Scheid e Rosália Joana. Frequentou a escola primária e secundária em Corupá e entrou no seminário Dehoniano onde cursou os estudos superiores. «Os dehonianos, disse Scheid ao comentar a sua espiritualidade, dedicam-se ao ministério sacerdotal, à formação do clero e a várias obras de apostolado social. Mas sempre, de fundo, há o espírito de reparação pelas ofensas da humanidade ao Coração de Jesus».

Emitiu a profissão religiosa a 2 de fevereiro de 1954. No mesmo ano, em Brusque, iniciou os estudos de filosofia, que concluiu em Roma, na Pontifícia Universidade Gregoriana e na Propaganda Fide (1955-1957), juntamente com os estudos de teologia (1957-1964). Obteve a especialização em cristologia (com um estudo sobre Ubertino da Casale) e o doutoramento com uma tese sobre a «interioridade de Cristo».

Em 1960 foi ordenado sacerdote em Roma por D. Inácio João Dal Monte, bispo de Guaxupé. Tendo regressado ao Brasil, no biénio de 1964-1965 foi professor no seminário de Cristo Rei e no seminário regional do nordeste. De 1966 a 1981 foi professor de teologia dogmática e de liturgia no Instituto Teológico de Taubaté.

Entre outros, desempenhou os seguintes cargos: diretor da Faculdade de Teologia e professor externo de cultura religiosa, convidado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1966-1968); coordenador da catequese em Taubaté (1970-1974).

Em 1981, o Papa nomeou-o primeiro bispo de São José dos Campos, diocese não muito distante de Aparecida. D. Scheid recebeu a ordenação episcopal a 1 de maio de 1981 do arcebispo Carmine Rocco, núncio apostólico no Brasil. Durante o seu ministério em São José dos Campos fundou o Instituto de Filosofia Santa Teresinha, construiu a residência teológica Padre Rodolfo, deu início à pastoral presbiteral, instituiu a escola diaconal e erigiu várias paróquias.

Promovido à sede arquiepiscopal de Florianópolis a 23 de janeiro de 1991, tomou posse da mesma a 16 de março seguinte. Nessa arquidiocese, com cerca de um milhão de católicos, instituiu o seminário de teologia Convívio de Emaús e o seminário de filosofia Edith Stein. Construiu a sede administrativa da cúria diocesana, providenciou à reestruturação do centro pastoral diocesano e à fundação de várias paróquias, como Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, Nossa Senhora do Bom Socorro em Nova Trento, Nossa Senhora dos Navegantes. E inaugurou o Instituto Social João Paulo ii e a escola dos ministérios.

Permaneceu em Florianópolis durante dez anos, como na diocese anterior, sentindo-se “em casa”. Confessou que, quando foi embora dessa diocese, foi «muito difícil: tinha encontrado um ambiente muito bom para mim. Mas ser um missionário significa ir trabalhar onde te enviam».

Em 25 de julho de 2001, o Papa nomeou-o arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro e ao mesmo tempo Ordinário para os fiéis de rito oriental residentes no Brasil. Entrou na metrópole carioca a 22 de setembro seguinte, com quase setenta anos, e vinte de episcopado. Instituiu imediatamente o vicariato da administração dos bens temporais da arquidiocese (26 de março de 2002), o vicariato da caridade social (30 de abril), o departamento de pastoral presbiteral (27 de fevereiro), a coordenação arquidiocesana da pastoral (23 de agosto), promovendo uma nova pastoral universitária na universidade católica do Rio e o Instituto de Filosofia João Paulo ii. Além disso, em 2003, abriu o seminário propedêutico Rainha dos Apóstolos e a escola diaconal Santo Efrém.

Na cnbb foi presidente da região Sul 4; membro da comissão nacional de doutrina; responsável da pastoral familiar na região Sul 1. Dedicou-se sempre aos problemas ligados à família: publicou vários escritos sobre este tema, tais como «Preparação para o casamento e para a vida familiar», «Introdução à pastoral familiar», «Ministério do acolhimento». A nível nacional foi membro do Conselho permanente e da Comissão do santuário de Aparecida.

João Paulo ii criou-o e publicou-o cardeal, no consistório de 21 de outubro de 2003, atribuindo-lhe o título dos Santos Bonifácio e Aleixo. Na Cúria romana foi membro do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais e da Pontifícia Comissão para a América Latina. A 17 de janeiro de 2007 foi nomeado membro do Conselho de Cardeais para o estudo dos problemas organizacionais e económicos da Santa Sé.

Certamente, o cardeal Scheid nunca evitou o confronto sobre os temas delicados da sociedade brasileira. E o seu estilo episcopal foi ilustrado quando em 2001 interveio na assembleia do Sínodo dos Bispos, falando da missão do bispo como homem aberto à aceitação, compreensão e sacramento da bondade de Deus.

Em 2005 participou no conclave que elegeu Bento xvi.

Em 27 de fevereiro de 2009, o Papa aceitou a sua renúncia ao governo pastoral da arquidiocese por motivos de idade, nomeando seu sucessor D. Orani João Tempesta que, numa carta pública, lhe pediu que permanecesse na residência episcopal e que continuasse a colaborar na missão no Rio de Janeiro. «Não peço mais — foi a resposta de Scheid — do que ser um sacerdote no meio do meu povo. Continuarei a dirigir-me sobretudo aos sacerdotes e aos jovens e a exortar os leigos a serem protagonistas».

E, como sacerdote, dedicou precisamente aos leigos a celebração dos seus vinte e cinco anos de episcopado, em maio de 2006. Quase um compêndio de todo o seu ministério. Nessa ocasião, pediu aos sacerdotes para não evitarem a plena colaboração com os leigos, que «veem as coisas numa perspetiva diferente e talvez melhor», salientando que o segredo do sucesso do sacerdócio consiste em «saber acolher bem o povo de Deus». E com os jovens, em particular, o cardeal Scheid sempre quis dialogar abertamente. Apaixonado pelo voleibol, procurou entrar na linguagem e nos estilos da cultura juvenil para um verdadeiro diálogo. A 28 de julho de 2010 renunciou também ao cargo de ordinário para os fiéis de rito oriental residentes no Brasil.


Pesar do Santo Padre


Ao tomar conhecimento da notícia  da morte do cardeal Eusébio Oscar Scheid, Francisco enviou a Dom Orani João Tempesta, O. Cist., arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, o seguinte telegrama.

Recebi com profundo pesar a notícia do falecimento do cardeal Eusébio Oscar Scheid e desejo assegurar-lhe neste momento de luto a minha solidariedade orante com todos os fiéis que nele encontraram um zeloso pastor. Seu lema episcopal, “Deus é bom”, recordava-nos a bondade de Deus com a sua Igreja, sendo esta recordação verdadeiramente consoladora quando fazemos memória do querido Dom Eusébio que com tanto denodo serviu o povo de Deus, tendo sido o primeiro bispo de São José dos Campos e pastoreado com igual esmero a arquidiocese de Florianópolis e a Sé Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo que agradeço ao Altíssimo por ter dado à Igreja do Brasil tão generoso pastor, elevo fervorosas preces para que o acolha na sua felicidade eterna e console pela esperança na ressurreição a todos quantos lamentam a perda do seu amado pastor, enviando-lhes, como penhor de reconfortantes favores celestiais, a Bênção Apostólica

Franciscus pp.