· Cidade do Vaticano ·

Juramento de 38 recrutas da Guarda Suíça pontifícia

Crescer na fidelidade

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13 outubro 2020

São Francisco de Assis como exemplo de vida renovada. Uma figura, o Pobrezinho, que «convida a rezar mais intensamente hoje pelo Papa que assumiu o seu nome e a motivar-nos no serviço que lhe prestamos, para que nunca se reduza a uma tarefa honrosa, mas seja uma obra do coração marcada pela oração»; disse o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, durante a Missa presidida no altar da Confissão na Basílica do Vaticano, na manhã de  4 de outubro. Com esta celebração eucarística começou o dia dedicado ao juramento de 38 novos recrutas da Guarda Suíça pontifícia. O evento foi dividido em dois momentos: a missa presidida pelo cardeal e, à tarde, o juramento no pátio de São Dâmaso, onde devido à pandemia de Covid-19, teve lugar de forma estritamente privada. Na presença apenas dos familiares mais próximos dos recrutas, renovou-se a sugestiva cerimónia — tradicionalmente realizada a 6 de maio — ritmada pela recitação da fórmula do juramento diante da bandeira do Corpo.

Na homilia, o cardeal Parolin recordou que São Francisco, «tendo chegado a um momento particularmente difícil da vida, porque estava doente e quase cego, a ponto de não poder suportar a luz nem sequer o brilho do fogo, teve uma experiência particular». Ele passou «uma noite de grande sofrimento físico e de luta espiritual e, após  oração intensa, sentiu o conforto do Senhor». Foi depois desta noite, explicou, que «de madrugada teve a inspiração para compor a sua obra mais conhecida, o Cântico das Criaturas», na qual louvava «o Senhor precisamente pelo “irmão sol”, e com a qual deu substancialmente início, ele que parecia ter chegado ao fim, à literatura italiana».

Isto ensina, comentou o secretário de Estado, que com o Senhor até «a noite mais escura dá lugar ao dia e cada crise pode tornar-se uma fonte de esperança renovada». O purpurado fez então referência ao juramento, dizendo: é «um gesto revelador de uma fidelidade mais profunda». Na verdade, «prometer fidelidade ao sucessor de Pedro por amor a Cristo» não significa «apenas expressar a vontade de cumprir cuidadosamente um dever assumido», mas também de «adaptar a vida a essa intenção». Em termos concretos é uma manifestação da «vontade de crescer, através do serviço destes anos, em fidelidade ao Senhor e ao seu Evangelho». Uma «fidelidade que também pode beneficiar do clima construtivo e fraterno que existe entre vós» — disse aos guardas — e ser estruturada «numa união saudável entre ordem de vida e amizade genuína». A fidelidade do Corpo, salientou o cardeal, é também «sustentada por raízes sólidas: por aqueles que estão próximos de vós mesmo estando distantes, como os vossos familiares, e também por quantos vos precederam na história» com «gestos heroicos de dedicação e sacrifício».

Na Eucaristia, concluiu o purpurado, «a memória e a ação de graças estende-se a toda a família da Guarda Suíça, a quem desejo expressar verdadeira gratidão e renovar a estima da Santa Sé e a minha pessoal». Com estes sentimentos, o secretário de Estado formulou votos aos presentes para que «vivam o serviço na vinha do Senhor enxertados diariamente em Jesus, porque só assim daremos verdadeiramente fruto».

No início da missa, o capelão Widmer saudou o cardeal e as famílias dos novos recrutas, referindo-se à pandemia da Covid-19 e frisando que «as circunstâncias difíceis em que celebramos a festa de hoje nos ajudam a redescobrir o essencial»: isto é, «a presença da família que está unida e que se reúne à volta de Pedro para ouvir e pôr em prática o que o divino Mestre, Jesus Cristo, nos quer dizer».

Também à tarde, no pátio de São Dâmaso — quando na presença do arcebispo Edgar Peña Parra, substituto da Secretaria de Estado, teve lugar a cerimónia do juramento — o capelão destacou que o juramento não é apenas «uma forte promessa» mas «um ato de culto a Deus, porque temos Deus como testemunha de uma afirmação verdadeira». Em seguida, o capelão falou do primeiro sacramento, quando o batizado recebe uma veste branca, «sinal do revestir-se com a graça de Deus, a amizade de Jesus». Eis o convite a pensar na farda do Corpo que «poderia deste modo tornar-se um sinal de amizade». A isto deve estar associada a consciência da fiel amizade de Cristo.

Também o comandante Graf convidou a construir uma relação de confiança com Cristo, dizendo: «Ele não pretende muito de nós; quer que lhe sejamos fiéis, que guardemos os seus mandamentos, e que nos esforcemos por O seguir todos os dias». Para alcançar os objetivos da Guarda Suíça pontifícia, concluiu, «devemos esforçar-nos por restabelecer a confiança em nosso Senhor Jesus Cristo».