· Cidade do Vaticano ·

Sem trabalho famílias e sociedade não vão em frente

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No Angelus o Papa rezou pelo povo da Nicarágua e auspiciou novas formas de solidariedade

04 agosto 2020

A «pobreza», causada pela «falta de trabalho... é e será um problema pós-pandémico». E para o resolver é necessária «muita solidariedade e criatividade». Com um acréscimo pessoal ao texto preparado para o Angelus dominical de 2 de agosto, o Papa Francisco desejou «que, com o empenho convergente de todos os líderes políticos e económicos, o trabalho seja relançado», pois — explicou — sem trabalho as famílias e a sociedade não podem ir em frente». O apelo do Pontífice ressoou no final da oração mariana, recitado ao meio-dia da janela do estúdio particular do Palácio apostólico do Vaticano com os fiéis presentes na Praça de São Pedro — respeitando as medidas de segurança adotadas para evitar a propagação do contágio de Covid-19 — e com quantos o seguiam através dos meios de comunicação.

Na circunstância, o Papa dirigiu um pensamento «também ao povo da Nicarágua que sofre pelo ataque à Catedral de Manágua, onde a muito venerada imagem de Cristo foi gravemente danificada — quase destruída»; e recordou o dia do «Perdão de Assis», «o dom espiritual que São Francisco obteve de Deus através da intercessão da Virgem Maria». É — esclareceu — uma indulgência plenária que pode ser recebida abeirando-se dos Sacramentos... e visitando uma igreja... recitando o Credo, o Pai-Nosso e orando pelo Papa e pelas suas intenções». Além disso, «a indulgência também pode ser concedida a uma pessoa falecida», acrescentou o Bispo de Roma, realçando a importância de «colocar sempre o perdão de Deus no centro, pois “gera o paraíso” em nós e à nossa volta».

Antes do Angelus, no seu habitual comentário ao Evangelho do domingo, Francisco  frisou a necessidade de traçar «o caminho da fraternidade, essencial para enfrentar a pobreza e o sofrimento deste mundo, especialmente neste  grave momento». Inspirando-se no «prodígio da multiplicação dos pães» relatado pelo evangelista Mateus (14, 13-21), o Papa identificou «duas atitudes contrárias» na resposta à multidão faminta: a dos discípulos, que ao dizer a Jesus «despede-os» concretamente fazem a «proposta de um homem prático, mas não generoso: « ...que se arranjem»; e a de Jesus, que «pensa de outra forma»; na realidade, «através desta situação, ele  quer educar os seus amigos de ontem e de hoje para a lógica de Deus», ou seja, «cuidar do próximo; não lavar as mãos; não olhar para outro lado». Por isso, realçou, «“que se desenrasquem” não entra no vocabulário cristão». Ao contrário no dicionário dos cristãos, frisou Francisco, há outra «palavra que se repete no Evangelho quando Jesus vê um problema... “compadeceu-se”. Compaixão não é um sentimento puramente material; a verdadeira compaixão é sofrer com, assumir as dores dos outros». Por isso, concluiu, «talvez hoje nos faça bem perguntar-nos: quando leio as notícias de guerras, fome, pandemias... será que sinto compaixão por essas pessoas?