· Cidade do Vaticano ·

Todos nós temos um único Pastor: Jesus

cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg

Homilia do Santo Padre Francisco transmitida ao vivo da capela da casa Santa Marta de 4 de maio de 2020

04 maio 2020

Introdução

Rezemos hoje pelas famílias. Neste tempo de quarentena, a família, fechada em casa, procura fazer muitas coisas novas, ter tanta criatividade com as crianças, com todos, para seguir em frente. E às vezes existe também outra situação: a violência doméstica. Rezemos pelas famílias, para que continuem em paz, com criatividade e paciência, nesta quarentena.

Homilia

Quando Pedro subiu a Jerusalém, os fiéis repreenderam-no (cf. At 11, 1-8). Eles reprovaram-no porque entrou na casa de homens não circuncidados e comeu com eles, com os gentios: isto não se podia fazer, era um pecado. A pureza da lei não o permitia. Mas Pedro fê-lo porque o Espírito o conduziu ali. Na Igreja há sempre - e muito na Igreja primitiva, porque isto ainda não era claro - o espírito do “nós somos justos, os outros são pecadores”. Este “nós e os outros”, “nós e os outros”, as divisões: “Assumimos a posição correta perante Deus”. Mas, há “os outros”; diz-se também: “Eles são os já condenados”. E esta é uma doença da Igreja, uma enfermidade que deriva de ideologias ou de partidos religiosos... Pensemos que na época de Jesus havia pelo menos quatro partidos religiosos: o partido dos fariseus, dos saduceus, dos zelotas e dos essénios, e cada um interpretava a lei de acordo com “a ideia” que tinha. E esta ideia é uma escola “fora da lei”, quando é uma forma de pensar, de sentir, mundana que se faz intérprete da lei. Também criticaram Jesus por entrar na casa dos publicanos - que, segundo eles, eram pecadores - e por comer com eles, com pecadores, porque a pureza da lei não o permitia (cf. Mt 9, 10-11); Ele não lavou as mãos antes do almoço (cf. Mt 15, 2.20). É esta repreensão que causa sempre a divisão: este é o aspeto importante que eu gostaria de enfatizar.

Há ideias, posições que provocam divisão, a ponto de a divisão ser mais importante do que a unidade. A minha ideia é mais importante do que o Espírito Santo que nos guia. Há um cardeal “emérito” que vive aqui no Vaticano, um pastor bom, que dizia aos seus fiéis: “Sabeis que a Igreja é como um rio? Alguns estão mais deste lado, outros do outro, mas o importante é que todos estejam dentro do rio”. Tal é a unidade da Igreja. Ninguém fora, todos dentro. Depois, com as peculiaridades: isto não divide, não é ideologia, é lícito. Mas por que a Igreja tem esta amplidão de rio? Porque o Senhor assim o quer.

No Evangelho, o Senhor diz-nos: «Ainda tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco; também as devo conduzir, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor» (Jo 10, 16). O Senhor diz: “Tenho ovelhas por toda a parte e sou o pastor de todas”. Em Jesus, este todas é muito importante. Pensemos na parábola da festa de casamento (cf. Mt 22, 1-10), quando os convidados não queriam participar: um porque tinha comprado um campo, outro porque se casara... todos deram uma razão para não ir. E o senhor zangou-se e disse: «Ide, pois, às encruzilhadas e convidai para as bodas todos os que encontrardes» (v. 9). Todos. Grandes e pequenos, ricos e pobres, bons e maus. Todos. Este “todos” é um pouco a visão do Senhor que veio para todos e morreu por todos. “Mas será que Ele também morreu por aquele miserável que me tornou a vida impossível?”. Morreu também por ele. “E por aquele bandido?”. Morreu por ele. Por todos. E também pelas pessoas que não acreditam nele ou são de outra religião: morreu por todos. Isto não significa que devemos fazer proselitismo: não. Mas Ele morreu por todos, justificou todos.

Aqui em Roma havia uma senhora, uma mulher bondosa, a professora [Maria Grazia] Mara, que quando estava em dificuldade por muitos motivos, e quando havia divisões, dizia: “Cristo morreu por todos: vamos em frente!”. A capacidade construtiva. Temos apenas um Redentor, só uma unidade: Cristo morreu por todos. Ao contrário, a tentação... Paulo também a sofreu: “Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou deste, eu sou do outro...” (cf. 1 Cor 3, 1-9). E pensemos em nós, há cinquenta anos, no pós-Concílio: as divisões que a Igreja sofreu. “Eu sou deste lado, penso assim, tu pensas de outro modo...”. Sim, é legítimo pensar assim, mas na unidade da Igreja, sob o Pastor Jesus.

Duas considerações. A repreensão dos apóstolos a Pedro, porque entrou na casa de pagãos e Jesus que diz: “Eu sou pastor de todos”. Eu sou pastor de todos. E que diz: «Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também as devo conduzir, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho» (cf. Jo 10, 16). É a oração pela unidade de todos os homens, porque todos, homens e mulheres, todos nós temos um só Pastor: Jesus.

Que o Senhor nos livre daquela psicologia da divisão, da separação, e nos ajude a ver isto em Jesus, este grande aspeto de Jesus, pois nele somos todos irmãos e Ele é o pastor de todos. Que hoje, esta palavra: todos, todos, nos acompanhe ao longo do dia.

Oração para fazer a Comunhão espiritual

As pessoas que não podem receber a Eucaristia, agora fazem a Comunhão espiritual

Ó meu Jesus, prostro-me aos vossos pés e ofereço-vos o arrependimento do meu coração contrito que mergulha no vosso coração e na vossa santa presença. Adoro-vos no Sacramento do vosso amor, a inefável Eucaristia. Desejo receber-vos na pobre morada que o meu coração vos oferece. À espera da felicidade da Comunhão sacramental, quero possuir-vos em espírito. Vinde a mim, ó meu Jesus, e que eu venha a Vós. Que o vosso amor possa inflamar todo o meu ser, na vida e na morte. Creio em Vós, espero em Vós, amo-vos!