· Cidade do Vaticano ·

Celebrações da Páscoa na Basílica de São Pedro

cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg

14 abril 2020

Na carícia de Francisco à Salus populi Romani — e no sinal da cruz feito com a mão que acabava de cariciar a imagem — estão toda a energia da missa da Páscoa e da Semana Santa, que acabava de ser celebrada, e toda a força da mensagem Urbi et Orbi que, alguns momentos depois, o bispo de Roma transmitiu ao mundo, do altar da Confissão de Pedro.

Parecia que o Papa tinha pressa de ir saudar a Salus populi Romani, no final da celebração da Eucaristia no altar da cátedra, na manhã de domingo, 12 de abril. Para lá se dirigiu com passos rápidos, acompanhado pelo canto da antífona do Regina Caeli, fixando imediatamente o olhar da Mãe de Deus, tal como um filho faz com a própria mãe.

Foi como se a carícia do Papa e o sinal da cruz tivessem reunido em si as orações de gerações de cristãos. Francisco sabe bem que uma cópia da Salus popoli Romani era oferecida a todos os jesuítas que partiam em missão, e até Matteo Ricci recebeu uma que depois confiou ao imperador da China. Francisco sabe que esta é também a imagem que acompanha as missões impossíveis. Foi por isso que, em tempos de pandemia, durante toda a Semana Santa, a quis ao lado do crucifixo de San Marcelo “al Corso”, colocado no centro do presbitério.

A cruz e o ícone mariano — já símbolos da Jmj — também se tornaram sinais de esperança e renascimento nesta época complexa. E se o crucifixo de São Marcelo recorda a libertação da cidade da peste há quinhentos anos, foi à Salus populi Romani que, em 1835, o Papa Gregório xviI rezou para salvar Roma da cólera.

Há tudo isto na Páscoa inédita do Papa Francisco: a vigília noturna, a missa matutina e a mensagem da Páscoa com a bênção Urbi et Orbi transmitida do altar da Confissão, onde se desce ao túmulo de Pedro. Numa basílica extraordinariamente vazia mas que na realidade nunca está vazia, devido aos séculos de peregrinações.

Francisco foi acompanhado por um “séquito” verdadeiramente especial: todas as imagens de santos que, esculpidas nos seus gestos de fé e caridade, partilham o heroísmo cristão que hoje — recorda o Papa— é mais necessário do que nunca.

Tudo foi essencial, sóbrio, direto, sem os hinos italiano e pontifício, sem o jardim ornamentado por floricultores holandeses, que assim interromperam uma longa tradição, oferecendo este ano vinte mil rosas aos médicos que servem na linha de frente nos hospitais dos Países Baixos.

Introduziu a bênção do Papa o cardeal arcipreste Angelo Comastri, anunciando a concessão da Indulgência plenária, «segundo a forma estabelecida pela Igreja, a todos os que receberem a bênção através dos vários meios de comunicação ou unindo-se ao rito, ainda que só espiritualmente e com a própria vontade». Uma fórmula, a mesma utilizada para o momento de oração extraordinário de 27 de março, concebida especificamente aos que se encontram em unidades de cuidados intensivos: como pacientes, enfermeiros e médicos.

A missa do Domingo de Páscoa começou às 11h00 no altar da cátedra.Foi omitido o rito do “Resurrexit”l. O Evangelho foi cantado em latim e grego. Na oração dos fiéis elevaram-se súplicas para que «a graça da Páscoa faça resplandecer a Igreja com nova beleza»; para que «a luz deslumbrante da Páscoa ilumine as escolhas dos governantes»; para que «a riqueza dos dons pascais encha de superabundância os pobres e os aflitos»; para que «a nova vida que brota da Páscoa chegue a todos os batizados»; e para que «a vitória pascal sobre o mal e a morte console os doentes, os moribundos e quantos os assistem».

Na noite de Sábado Santo, o Papa presidiu à Vigília pascal no altar da cátedra, sem administrar batismos e sacramentos da iniciação cristã. Na procissão inicial, atravessou a nave central da basílica e passou ao lado do altar de São José, detendo-se diante do altar da Confissão para o rito da bênção do fogo. Omitiu-se a parte da preparação do Círio pascal, que contudo foi aceso pelo bispo de Roma.

Durante a breve procissão da Confissão ao altar da Cátedra, o diácono cantou três vezes a invocação de “Lumen Christi”.  Quando foi acesa a vela de Francisco, as luzes da basílica também se acenderam sequencialmente, até à iluminação completa com o canto do Glória, acompanhado também pelo badalar dos sinos. A terceira parte da vigília centrou-se na renovação das promessas batismais, relançadas pela oração dos fiéis. O diácono elevou a súplica a Deus para que preserve «na Igreja a perene novidade da Páscoa», suscite «nos bispos» a sua «sede de salvação para cada homem», «derrame nos governantes» o seu «Espírito de sabedoria e clarividência», faça «triunfar» a sua «vitória sobre o mal que aflige a humanidade», alimente «nos batizados a fé, a esperança e a caridade», reavive «em todas as famílias a disponibilidade ao dom recíproco», vença «a dureza dos corações» e abra «todos à ação» da sua «graça», encha «com a abundância» dos seus «dons os pobres e os que sofrem», e permita  que «os mortos contemplem eternamente» o seu «rosto».

A celebração, sóbria e essencial, concluiu-se com o canto da antífona mariana Regina Caeli, que Francisco ouviu em oração diante do ícone Salus populi Romani.