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Vasos comunicantes

· Entrevista ao secretário encarregado da vice presidência da Pontifícia Comissão para a América Latina ·

Do documento de Aparecida à «Evangelii gaudium»

Existe um fio condutor que une o documento de Aparecida e a exortação apostólica Evangelii gaudium do Papa Francisco. Afirma o secretário encarregado da vice presidência da Pontifícia Comissão para a América Latina, Guzmán Carriquiry Lecour, que fala sobre uma «conversão pessoal, pastoral e missionária» à qual o Pontífice chama todos, começando pelos pastores até incluir os leigos e os jovens. E precisamente a esses últimos – anuncia na entrevista ao nosso jornal – será dedicado o próximo documento que a Pontifícia Comissão publicará.

De que modo o continente se sente interpelado pelo primeiro Pontífice latino-americano da história?

A providência põe a Igreja, os povos e as nações da América Latina numa situação singular, excepcional. Até se poderia afirmar que seria necessário reler a história, a realidade hodierna e a projecção futura da América Latina à luz do pontificado do Papa Francisco. Como não recordar as palavras que Bento XVI pronunciou no avião que o levava ao Brasil, respondendo aos jornalistas: «Estou convicto – disse, referindo-se ao continente latino-americano – de que aqui se decide, pelo menos em parte, e de uma parte fundamental, o futuro da Igreja católica». Com o Papa Francisco também está em jogo o futuro da América Latina.

Quanto pode influir este pontificado na aplicação do documento de Aparecida?

O documento de Aparecida foi sinal de comunhão, de maturidade eclesial e de impulso missionário para todo o continente. Existe um fio de continuidade entre aquele texto e a exortação apostólica Evangelii gaudium, unidos como vasos comunicantes. O pontificado de Francisco repropõe-nos agora com força a conversão pessoal – um encontro sempre renovado com Cristo – mas também a conversão pastoral, antes de tudo dos pastores, e a conversão missionária: sair rumo a todas as periferias e ir ao encontro das pessoas, especialmente das mais pobres.

O Papa recomenda com frequência a ocupar-se dos jovens, em particular dos que caíram no desencanto e na desconfiança. É uma prioridade também para a Igreja na América Latina?

Certamente. Eles são mais de vinte e cinco por cento da população. Os milhões de jovens latino-americanos que se encontraram em Copacabana para a Jmj são uma realidade e um potencial enorme para a Igreja. Agora é preciso saber acompanhá-los de perto, ajudá-los a crescer na fé, facilitar a sua participação na vida da Igreja. Contudo, apresenta-se um desafio enorme – quer como emergência educativa quer como transmissão da fé – em relação aos jovens abandonados a si mesmos, sem pais nem mestres nem educadores verdadeiros, arrastados por uma cultura que semeia confusão sobre o sentido da vida. A Igreja deve interessar-se de modo totalmente particular pelos vinte por cento dos jovens latino-americanos que ainda não estão inseridos no sistema escolar e são marginalizados também pelo mercado de trabalho, em situação de grande vulnerabilidade, tentados pelo consumo de drogas e presas fáceis das redes do narcotráfico e da violência urbana.

Nicola Gori

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23 de Outubro de 2019

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