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​Uma mulher no sínodo dá voz às mulheres

«A Igreja contribuiu de maneira determinante para definir e disciplinar a família; portanto, encontra-se numa condição privilegiada para propor modelos de família novos e adequados ao nosso tempo, fiéis à vocação cristã. Contudo, para o fazer necessita de ouvir a realidade e os sujeitos reais da família, ou seja, os homens e as mulheres: homens e mulheres verdadeiros, mas sobretudo mulheres que viveram e reflectiram sobre a grande mudança do papel feminino no último século, uma das razões fundamentais da crise da família». Assim, numa intervenção muito aplaudida, Lucetta Scaraffia, auditora no sínodo sobre a família, interveio a 16 de Outubro durante a décima segunda congregação geral. «A Igreja precisa de ouvir as mulheres, ouvir o que pensam ter perdido e ganhado com a grande mudança, ouvir qual família desejariam hoje. Porque só através da escuta recíproca se realiza o verdadeiro discernimento. As mulheres são as grandes peritas em família: se sairmos das teorias abstractas, podemos dirigir-nos especialmente a elas para compreender o que é necessário fazer, como se podem construir os alicerces para uma nova família aberta ao respeito de todos os seus membros, já não fundada na exploração da capacidade de sacrifício da mulher, mas capaz de garantir a todos um alimento afectivo, solidário. Ao contrário, tanto no texto quanto nos debates, de mulheres, de nós, fala-se muito pouco. Como se as mães, as filhas, as avós, as esposas, ou seja, o coração das famílias, não fizessem parte da Igreja, daquela Igreja que compreende o mundo, que pensa, que decide. Como se se pudesse continuar, até a propósito da família, a fingir que as mulheres não existem. Como se se pudesse continuar a esquecer o olhar novo, a relação inédita e revolucionária que Jesus teve para com as mulheres. As famílias no mundo são muito diferentes, mas em todas são as mulheres que desempenham o papel mais importante e decisivo para garantir a sua solidez e durabilidade. E quando se fala de família não se deveria falar sempre e só de matrimónio: está a aumentar o número de famílias compostas por uma mãe sozinha e pelos seus filhos. São as mulheres, com efeito, que permanecem sempre ao lado dos filhos, mesmo se doentes, deficientes ou fruto de violência. Estas mulheres, estas mães quase nunca seguiram cursos de teologia, muitas vezes nem sequer são casadas, mas dão um exemplo admirável de comportamento cristão. Se vós, padres sinodais, não lhes dedicais atenção, se não as ouvis, correis o risco de as fazer sentir ainda mais infelizes porque a sua família é tão diferente daquela sobre a qual falais. Ainda mais sozinhas. Vós, de facto, muitas vezes falais de uma família abstracta, de uma família perfeita mas que não existe, uma família que nada tem a ver com as famílias verdadeiras que Jesus encontra ou sobre a qual fala. Uma família tão perfeita que parece não ter necessidade da sua misericórdia nem da sua palavra: “Os sadios não precisam de médico, mas os enfermos; não vim chamar os justos, mas os pecadores”».

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14 de Outubro de 2019

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