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Uma lição para o mundo
que se prepara para a guerra

· ​Admoestação do Papa no dia dedicado à comemoração dos finados ·

Hoje o mundo «está de novo em guerra e prepara-se para ir mais fortemente em guerra». A admoestação do Papa ressoou no silêncio do cemitério americano de Nettuno, diante do campo de cruzes brancas que recordam os soldados mortos de 1943 a 1944 durante a libertação da Itália na segunda guerra mundial. Nesse lugar altamente simbólico o Pontífice celebrou a missa na tarde de 2 de novembro — dia da comemoração dos finados — elevando uma prece por todas as vítimas dos conflitos e da violência e fazendo seu o brado lançado há um século por Bento XV contra o «massacre inútil».

«Hoje todos estamos aqui reunidos na esperança», disse o Papa na homilia, frisando que «a esperança muitas vezes nasce e lança raízes em tantas feridas e dores humanas», como o testemunham as oito mil cruzes do cemitério de Nettuno, que evocam a esperança de numerosas vidas jovens interrompidas pela tragédia da guerra. «Oremos por todos os defuntos, mas neste lugar rezemos de modo especial por estes jovens», exortou Francisco, repetindo: «Nunca mais a guerra. Nunca mais este massacra inútil».

Com a guerra, afirmou, «tudo se perde», pois cada conflito é «a nossa destruição». E «se este é um dia de esperança, é também um dia de lágrimas». São «lágrimas que hoje a humanidade não deve esquecer. O orgulho desta humanidade que não aprendeu a lição e parece que não a quer aprender!». A propósito, o Pontífice recordou que «quando muitas vezes na história os homens pensam em fazer a guerra, estão convictos de criar um mundo novo, de fazer uma “primavera”». Ao contrário, «acaba num inverno horrível e cruel, com o reino do terror e da morte».

«Hoje — concluiu — oremos por todos os defuntos, mas de forma especial por estes jovens, num momento em que muitos morrem nas batalhas diárias desta guerra aos pedaços. Rezemos ainda pelos mortos de hoje, vítimas da guerra, pelas crianças inocentes. Eis o fruto da guerra: a morte».

Depois o Papa foi às Fossas ardeatinas, onde prestou homenagem às vítimas do massacre de 24 de março de 1944. «Faz, ó Senhor — foi a sua prece — que neste lugar dedicado à memória das vítimas da liberdade e justiça, tiremos os calçados do egoísmo e da indiferença e através da sarça ardente deste mausoléu ouçamos em silêncio o teu Nome». O dia do Pontífice terminou nas grutas da basílica vaticana, com um instante de oração particular em sufrágio pelos Pontífices aí sepultados.

Enfim, na manhã do dia 3, Francisco celebrou em São Pedro a missa pelos cardeais e bispos falecidos durante o ano. «Eles — recordou na homilia — deixaram-nos na perspetiva da eternidade depois de ter servido a Igreja e o povo que lhes fora confiado. Enquanto damos graças pelo seu serviço generoso ao Evangelho e à Igreja, parece que os podemos repetir com o apóstolo: “A esperança não engana”», pois Deus «é fiel e a nossa esperança nele não é vã». O Papa concluiu com um convite à oração, para que eles «participem no banquete eterno que, com fé e amor, já prelibaram durante a peregrinação terrena».

Homilia do Papa no cemitério americano de Nettuno

Oração nas Fossas ardeatinas 

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12 de Novembro de 2019

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