Nota

Este site utiliza cookies...
Os cookies são pequenos arquivos de texto que ajudam a melhorar a sua experiência de navegação no nosso site. Ao navegar em qualquer parte deste site você autoriza a utilização dos cookies. Poderá encontrar maiores informações sobre a policy dos cookies nas Condições de utilização.

Uma história feita de imagens

· Os trinta anos do Centro televisivo do Vaticano ·

A televisão narra uma história feita de imagens. «Celebravam-se os cinquenta anos da Rádio vaticano – recorda o cardeal Stanisław Dziwisz – e João Paulo II, sendo um homem aberto em relação aos mass media e ao mundo, pensou que a rádio não era suficiente. As pessoas querem ver imagens, e assim decidiu criar o Centro televisivo do Vaticano», que «funciona, funciona bem e, hoje, tem sua própria posição no mundo».

Os trinta anos do Ctv, o Centro televisivo do Vaticano, instituído a 22 de Outubro de 1983, hoje constituem uma ocasião para reflectir sobre a dinâmica complexa que caracteriza o uso do meio televisivo como instrumento narrativo ao serviço das palavras e dos gestos do Pontífice. Dois níveis de discurso, distintos e, ao mesmo tempo, relacionados: por um lado, a comunicação do Papa, o seu modo de se expressar, dialogar e de se encontrar com as pessoas, por outro, a comunicação sobre a sua figura e a sua mensagem.

A directa televisiva de 13 de Março de 2013 marca uma mudança significativa relativamente à função estratégica que o meio televisivo desempenha, não só na documentação, mas também na declinação em chave narrativa do pontificado. Para exemplificar, é suficiente recordar o uso persistene da lente grande-angular em formato cinematográfico ou os enquadramentos das câmaras colocadas atrás dos fiéis: no específico, precisamente estas câmaras davam a impressão que a comunidade dos fiéis ocupasse todo o espaço que separa a praça do adro, simulando assim uma proximidade entre os fiéis e o novo bispo de Roma.

Portanto, a partir daquele momento, um aspecto principal que caracteriza as escolhas das direcções do Ctv sob o ponto de vista da enunciação televisiva, diz respeito à construção de um efeito de inclusão máxima do expectador, exactamente para estar ao serviço do desejo de proximidade do Papa. Neste sentido, algumas imagens de Lampedusa, Rio de Janeiro, Cagliari ou Assis, são reveladoras de uma gestão táctica dos pontos de vista atribuídos ao meio televisivo, para oferecer ao público uma visão mais aproximada sobre a grande intensidade emocional que marca os encontros do Papa Francisco.

Outro aspecto importante da construção da narração televisiva do Ctv para favorecer o contacto do expectador é a atenção à força do não-verbal. Nesta perspectiva inserem-se numerosos primeiros planos e os enquadramentos que se detêm sobre a figura do Pontífice e sobre a sua capacidade de estabelecer e alimentar o diálogo apaixonado com os fiéis.

Portanto, depois de trinta anos, reconsiderar o papel e a responsabilidade do meio televisivo significa para o Ctv aceitar um desafio dúplice. Isto diz respeito quer à inovação sob o ponto de vista das tecnologias, quer à renovação a nível da linguagem, em função daquela que se poderia definir uma renovada estética da transmissão em directo.

Relativamente ao primeiro ponto, estes últimos meses foram caracterizados por um grande esforço a nível de investimento tecnológico; iniciou-se um percurso de ulterior profissionalização, indispensável para dialogar com os maiores protagonistas do mercado da informação a nível internacional e para oferecer ao público conteúdos de altíssimo perfil sob o ponto de vista da qualidade das imagens e do som. Desde Julho de 2013, o Ctv empreendeu um processo que permitirá a consultação já a partir de 2014, em forma progressiva, do material, quer aos agentes internos quer a quem tenciona visionar os documentos disponíveis no arquivo.

A especificidade do arquivo do Ctv é que inclui não só a gravação dos acontecimentos realizados em directo ou os verdadeiros programas fruto de trabalho de montagem, os documentários e as sínteses nas várias edições linguísticas, mas também as filmagens dos vários acontecimentos antes de serem elaboradas, que constituem documentos preciosos para os futuros historiadores. Por conseguinte, a escolha de investimentos tecnológicos deve ser interpretada em função de uma exigência de construir um arquivo visual o mais possível pormenorizado e duradouro, capaz de satisfazer um pedido frequente de documentação histórico-social ao qual a linguagem visual pode oferecer um contributo enorme.

Enfim, no que diz respeito à renovação a nível da linguagem, o Ctv tenciona reconsiderar as formas da narração televisiva (nomeadamente a directa), haurindo das peculiaridades expressivas do meio cinematográfico. Multiplicação dos pontos de filmagem, grande uso da lente grande-angular, filmagens muito aproximadas testemunham, em particular, um projecto estratégico que influencia as escolhas da regia em função de uma representação renovada do real.

Edição em papel

 

AO VIVO

Praça De São Pedro

22 de Novembro de 2019

NOTÍCIAS RELACIONADAS