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Uma campanha difamatória

· O presidente dos bispos brasileiros a propósito das acusações dirigidas ao Papa ·

Está a decorrer uma verdadeira «campanha difamatória» contra a Igreja e contra o Papa, afirmou o presidente do episcopado brasileiro, o Arcebispo de Mariana, D. Geraldo Lyrio Rocha, numa declaração concedida à televisão católica nacional, expressando solidariedade e proximidade ao Pontífice a propósito das vicissitudes relativas aos casos de abusos contra menores cometidos por homens da Igreja.

«Sem temer a verdade – disse o prelado brasileiro – o Papa Bento XVI não só reconheceu publicamente estes graves erros cometidos por membros da Igreja, mas inclusive pediu perdão por eles». Além disso, o Papa, com a carta pastoral enviada aos católicos irlandeses, «não teve medo de exprimir a sua dificuldade e a vergonha por aqueles actos que mancharam a Igreja», «condenou com determinação a atitude de quantos geriram os casos de maneira inadequada» e afirmou que «quem estiver envolvido neles deve ser julgado pelos tribunais». Precisamente por todos esses motivos o Pontífice «não merecia», por parte dos meios de comunicação social, esta «campanha difamatória» que «fere o povo brasileiro».

O presidente do episcopado brasileiro realça como «em todo o mundo o povo católico segue com profunda angústia a denúncia de numerosos casos de abuso sexual em crianças e adolescentes cometidos por pessoas ligadas à Igreja, sobretudo sacerdotes e religiosos». A referência é a episódios verificados nos Estados Unidos, na Alemanha, na Irlanda e no Brasil. Casos que viram o Papa intervir com coragem e determinação, mas também «mostrar a todos o horizonte da misericórdia de Deus, o único capaz de ajudar verdadeiramente o homem a superar feridas e falências». Uma atitude sobre a qual todos nós somos chamados a «meditar».

Contudo – frisa D. Lyrio Rocha – «é lamentável que a difusão das notícias relativas a tais crimes injustificáveis» se torne ocasião «para uma campanha difamatória contra a Igreja católica e contra o Papa». Principalmente o que deixa «perplexos» é a «frequência» e a «sistematicidade» dos ataques em relação à obra do então Cardeal Ratzinger. Na realidade – afirma o prelado – «uma análise objectiva dos factos», assim como os «testemunhos» das pessoas envolvidas nos escândalos, revelaram a «fragilidade» de tais insinuações. Ao contrário, o Papa «reconheceu publicamente os erros de alguns membros da Igreja» e por eles «pediu desculpa». Também por isso «não merecia este tratamento que fere a maior parte do povo brasileiro que nestes tempos difíceis sofre e reza pelas vítimas dos abusos e pelas suas famílias, pelos autores dos crimes, mas também pelas dezenas de milhares de sacerdotes que no mundo inteiro procuram honrar a própria vocação». De facto – realçou ainda o Arcebispo Lyrio Rocha – «a grande maioria dos nossos sacerdotes não está envolvida nestas situações graves, que dizem respeito talvez só a 1%». O restante 99%, com efeito – disse, citando uma intervenção do cardeal brasileiro prefeito da Congregação para o Clero, Cláudio Hummes – «são homens de Deus, dignos, honestos e incansáveis no doar todas as energias para o próprio ministério, na evangelização, a favor do povo, especialmente no serviço aos pobres, marginalizados, excluídos, vítimas das injustiças, desesperados e sofredores de todos os tipos».

A declaração – que traz também as assinaturas do vice-presidente e do secretário-geral do episcopado brasileiro, o Arcebispo de Manaus, D. Luiz Soares Vieira e o Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, D. Dimas Lara Barbosa, respectivamente – conclui-se com uma referência à Páscoa e à certeza da vitória definitiva do bem sobre as trevas e todos os males. Em particular, cita-se um famoso trecho paulino: «Somos atribulados, mas não esmagados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos» ( 2 Cor 4, 8-9).


Nota do Conselho episcopal latino-americano

Reconstruções falsas e caluniosas

Insinuações e reconstruções «falsas» e «caluniosas». Deste modo, o Conselho episcopal latino-americano (celam) define as acusações que recentemente foram dirigidas ao Pontífice pelos meios de informação internacionais e relativas, como se sabe, à gestão de casos de abusos contra menores cometidos em décadas passadas. Numa nota difundida pelo presidente do celam, o Arcebispo de Aparecida, D. Raymundo Damasceno Assis, exprimiu solidariedade ao Papa e, de facto, realçou como «contrariamente a quanto alguns sectores da imprensa publicaram, a atitude do então Cardeal Ratzinger em relação aos casos de abusos sexuais contra menores por parte de membros do clero foi sempre muito severa, como demonstram os testemunhos de pessoas que trabalharam com ele».

Ao enfrentar estes problemas, explica D. Damasceno Assis, «o Papa sempre demonstrou uma grande coragem». E ao contrário, lamenta a nota do celam, «com uma reconstrução falsa e caluniosa, deseja-se fazer acreditar que o actual Papa agiu a seu tempo escondendo os casos de abusos sexuais ou que estivesse em sintonia com os seus autores». Portanto, diante da difusão de notícias «sem fundamento» o «Conselho episcopal latino-americano exprime solidariedade ao Papa Bento XVI, unindo-se a ele na oração». E «congratula-se» expressamente com o Papa pela carta enviada aos católicos da Irlanda que, ao intervir sobre temáticas tão delicadas e graves, evoca a exigência de uma guia clara, forte e justa, «acompanhada de uma solicitação de confiança humilde na presença misericordiosa do Senhor que conduz a sua Igreja».

Reconfirmando ao Papa a «comunhão e o afecto» de todo o episcopado latino-americano, D. Damasceno Assis conclui a nota realçando como, sobretudo no contexto da Semana Santa, a «agressão injusta» sofrida pelo Santo Padre permite «recordar e partilhar mais de perto o que o Senhor sofreu» para a redenção do mundo. Na certeza de que a participação na vida do Senhor ressuscitado «nos tornará cada vez mais seus fiéis discípulos e missionários».


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18 de Novembro de 2019

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