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Uma aventura do espírito humano

Foi uma ocasião deveras histórica — assim a definiu diante de todo o mundo o presidente da Agência espacial italiana que a introduziu — mas também um acontecimento sem precedentes a conversação que Bento XVI teve do Palácio apostólico com os astronautas presentes na estação internacional em órbita em volta da Terra. Graças a uma ligação directa audiovisual entre o Papa e a missão espacial até agora nunca feita.

E nunca até agora se tinha verificado a singular inversão de papéis pela qual foi Bento XVI quem fez as perguntas aos seus interlocutores, e não o contrário. Mesmo se já a 5 de Outubro de 1963 Paulo VI confessou, dirigindo-se a um congresso de medicina aeronáutica e aeroespacial, que teria preferido silenciar para ouvir os cientistas recebidos em audiência.

Precisamente o Papa Montini manifestou várias vezes — na época exaltante dos primeiros empreendimentos espaciais — o interesse e o apoio da Igreja católica. Mais em geral, muito importante foi, depois, entre a Idade Média e o início da era moderna, o papel desempenhado pelo catolicismo na promoção da astronomia e das ciências. Como sabe bem quem olha para a história sem preconceitos ideológicos e superando estereótipos abusados que pretenderiam que a Igreja fosse inimiga do progresso científico.

Meio século depois do começo dos voos no espaço — iniciados no contexto asperamente competitivo da corrida incessante à supremacia entre as duas superpotências soviética e americana — muito mudou. Como mostrou com evidência o quadro de bandeirinhas de diversos países diante das quais se estreitaram, na ausência de gravidade, os astronautas de várias nacionalidades para conversar com Bento XVI.

Contudo hoje não estão superados os problemas, levantados durante a conversa no espaço sideral pelo Papa, que com simplicidade se declarou «muito curioso por ouvir», precisamente como tinha dito Paulo VI. De que modo pode a ciência contribuir para a causa da paz? E como se deve assumir a responsabilidade do futuro do planeta Terra, fascinante pontinho na imensidão do cosmos?

A estas perguntas os astronautas deram respostas convincentes, idealmente importantes para todos. Numa «aventura do espírito humano» — assim a definiu Bento XVI, que é também «um estímulo muito forte para reflectir sobre as origens e sobre o destino do universo e da humanidade». Porque tudo, como disse Paulo VI celebrando a 20 de Julho de 1969 a primeira alunagem, «ainda depende do coração do homem».

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22 de Setembro de 2019

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