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Uma agenda de paz

· ​Para a actividade diplomática da Santa Sé ·

A acção diplomática da Santa Sé não se contenta de observar os acontecimentos ou de avaliar o alcance, nem pode permanecer só uma voz crítica. Ela está chamada a agir para facilitar a coexistência e a convivência entre as várias nações, a fim de promover aquela fraternidade entre os povos, onde o termo fraternidade é sinónimo de colaboração efectiva, de verdadeira cooperação, concorde e organizada, de uma solidariedade estruturada em benefício do bem comum e dos indivíduos. E o bem comum, como sabemos, tem com a paz mais do que um vínculo. Em síntese, a Santa Sé, age no cenário internacional não para garantir uma segurança genérica – que se tornou muito difícil nesta época devido à instabilidade persistente – mas para apoiar uma ideia de paz fruto de relações justas, de respeito das normas internacionais, de tutela dos direitos humanos fundamentais começando pelos dos últimos, os mais vulneráveis. Aquela paz que, como dissera o Beato Paulo VI, citando a Constituição conciliar Gaudium et spes, não provém apenas de «uma ausência de guerra fruto do equilíbrio precário das forças». Uma perspectiva que superava uma convicção tradicional das relações internacionais, estruturadas sobre o alternar-se entre a paz e a guerra.

A diplomacia da Santa Sé tem uma clara função eclesial: se certamente é o instrumento de comunhão que une o Romano Pontífice com os bispos responsáveis das Igrejas locais ou que permite a garantia da vida das Igrejas locais em relação às autoridades civis, ousaria dizer que é também o veículo do Sucessor de Pedro para «chegar às periferias», tanto as da realidade eclesial como as da família humana. Sem a obra das representações diplomáticas pontifícias quantos crentes – e não só baptizados – veriam a sua fé limitada? Quantas instituições da Igreja ficariam sem aquele contacto vital com o seu governo central que designa o seu agir, lhes dá apoio e até credibilidade? Na vertente da sociedade civil, a ausência da Santa Sé nos diversos contextos intergovernamentais de que orientações éticas iria privar as decisões de cooperação, de desarmamento, a luta à pobreza, a eliminação da fome, a cura das doenças, a alfabetização? Olhando para a actividade da diplomacia pontifícia no específico da vida internacional, os que foram citados são só alguns dos pontos possíveis para uma agenda que contém as muitas situações que concorrem para determinar condições de paz. Condições que pelos seus conteúdos exigem um compromisso cada vez mais específico que contudo não se confunde com aquele pragmaticismo estéril que muitas vezes anima a acção dos diversos agentes na Comunidade internacional.

Evitam-na a natureza eclesial e a missão ao serviço da família humana, conotações próprias da diplomacia da Santa Sé. No seu encontro com os representantes pontifícios o Papa Francisco ofereceu a este propósito uma indicação de método - «Não sois intermediários, mas mediadores, que com a mediação fazeis a comunhão» - e de igual modo também uma admoestação: «agir sempre com profissionalismo, porque a Igreja vos quer assim. E quando um representante pontifício não age com profissionalismo, perde até autoridade».

Pietro Parolin

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17 de Setembro de 2019

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