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​Um roteiro para o futuro da Europa
e dos seus povos

Nos discursos proferidos pelo Papa Francisco no seu primeiro dia na Roménia, pode-se traçar um roteiro para o futuro da Europa e do mundo. Falando ao presidente e às autoridades do país, o Pontífice explicou que a atenção aos últimos representa “o melhor aferimento da real bondade do modelo de sociedade que se está a construir”.

De facto, quanto mais uma sociedade “toma a peito a sorte dos mais desfavorecidos” — observou Francisco — tanto mais se pode dizer verdadeiramente civil”. Para se chegar a isso, é preciso um coração e uma alma livres “do poder desenfreado dos centros das altas finanças”, na “consciência da centralidade da pessoa humana e dos seus direitos inalienáveis”.

Certamente não é a primeira vez que o Papa coloca o dedo numa das chagas de nosso tempo, um sistema económico-financeiro que colocou no centro o “deus do dinheiro” e o idolatra, em vez de ter no centro mulheres e homens que trabalham. As palavras do Sucessor de Pedro são transversais e desconfortáveis, porque não podem ser facilmente rotuladas. Palavras que descrevem o mal-estar vivido por muitos povos contra poderes e estruturas cada vez mais intrusivas e desumanas. Um alerta para uma Europa que por vezes parece esquecer o cuidado das pessoas e que, em vez disso, deveria estar mais próxima daquela alma dos povos mencionados pelo Papa.

Esse olhar de Francisco também esteve presente nos encontros com as autoridades da Igreja Ortodoxa Romena. O Papa convidou os cristãos a “escutar juntos o Senhor”, especialmente nestes tempos “nos quais as estradas do mundo levaram a rápidas mudanças sociais e culturais”.

Muitos beneficiaram do desenvolvimento tecnológico e do bem-estar económico, mas a maioria permaneceu inexoravelmente excluída, enquanto uma globalização padronizadora contribuiu para erradicar os valores dos povos, enfraquecendo a ética e a vida comum, poluída, nos últimos anos, por uma sensação difundida de medo que, muitas vezes fomentada, leva a atitudes de fechamento e ódio.

“Precisamos de nos ajudar”, acrescentou o Pontífice, a não ceder às seduções de uma “cultura do ódio” e individualista que, talvez não seja mais ideológica do que nos tempos da perseguição ateísta, é todavia mais persuasiva e não menos materialista. Ela apresenta muitas vezes como um caminho de desenvolvimento aquilo que parece imediato e decisivo, mas na realidade é indiferente e superficial”.

Por esta razão, na paráfrase do Pai Nosso que o Papa Bergoglio propôs na nova catedral ortodoxa de Bucareste, está a oração para que o Senhor possa dar a todos os cristãos “o pão da memória, a graça de fortalecer as raízes comuns da nossa identidade cristã, raízes indispensáveis em um tempo em que a humanidade, e as jovens gerações em particular, correm o risco de se sentirem desenraizadas em meio a tantas situações líquidas, incapazes de fundar a existência”.

A redescoberta das raízes, dos valores comuns e do sonho dos Pais fundadores da Europa, não representam um elemento de “identidade” que cria separação e novos muros. Em vez disso, eles são um património oculto a ser desenterrado para criar novos laços, capacidade de acolhida e de verdadeira integração.

Andrea Tornielli

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24 de Junho de 2019

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