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Um juízo crítico sobre as hodiernas transformações culturais

· O Sumo Pontífice recebeu os membros das Pontifícias Obras Missionárias ·

Anunciar o Evangelho significa formular um «juízo crítico» sobre as hodiernas transformações planetárias que estão a mudar a cultura da humanidade, recordou o Papa aos participantes na assembleia ordinária do conselho superior das Pontifícias Obras Missionárias, recebidos em audiência na manhã do dia 21 de Maio. No início do encontro, realizado na Sala Clementina, o Santo Padre foi homenageado em nome de todos os presentes pelo prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, cardeal Ivan Dias, e em seguida dirigiu a todos os colaboradores da mesma Congregação o seguinte discurso.

Senhor Cardeal

Venerados Irmãos no Episcopado

e no Sacerdócio

Estimados irmãos e irmãs!

Sede bem-vindos! Dirijo a minha cordial saudação ao Cardeal Ivan Dias, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, a quem agradeço as amáveis palavras, ao Secretário, D. Robert Sarah, ao Secretário Adjunto, D. Piergiuseppe Vacchelli, Presidente das Pontifícias Obras Missionárias, a todos os colaboradores do Dicastério e, de maneira particular, aos Directores Nacionais das Pontifícias Obras Missionárias, vindos a Roma de todas as Igrejas para a Assembleia Ordinária anual do Conselho Superior.

Estou particularmente grato a esta Congregação à qual o Concílio Ecuménico Vaticano II, em sintonia com o acto constitutivo com que foi fundada em 1622, confirmou a tarefa de «regular e coordenar, no mundo inteiro, tanto a obra missionária como a cooperação missionária» (Decreto Ad gentes, 29). A missão da evangelização é imensa, especialmente nesta nossa época, em que a humanidade sofre uma certa falta de pensamento refleXIVo e sapiencial (cf. Caritas in veritate, 19 e 31) e se difunde um humanismo que exclui Deus (cf. ibid., n. 78). Por isso, é ainda mais urgente e necessário iluminar os novos problemas que sobressaem com a luz do Evangelho que não muda. Com efeito, estamos convencidos de que o Senhor Jesus Cristo, testemunha fiel do amor do Pai, «com a sua morte e ressurreição, é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira» ( ibid., n. 1). No início do meu ministério como Sucessor do Apóstolo Pedro afirmei com vigor: «Nós existimos para mostrar Deus aos homens. E só onde se vê Deus, começa verdadeiramente a vida. Só quando encontramos em Cristo o Deus vivo, nós conhecemos o que é a vida... Não há nada mais belo do que ser alcançado, surpreendido pelo Evangelho, por Cristo. Não há nada mais belo do que conhecê-lo e comunicar aos outros a sua amizade» ( Homilia no início do ministério petrino, 24 de Abril de 2005). A pregação do Evangelho é um serviço inestimável que a Igreja pode oferecer à humanidade inteira, que caminha na história. Provenientes das dioceses de todo o mundo, vós sois um sinal eloquente e vivo da catolicidade da Igreja, que se concretiza na abertura universal da missão apostólica, «até aos confins da terra» ( Act 1, 8), «até ao fim do mundo» ( Mt 28, 20), para que nenhum povo ou ambiente sejam privados da luz e da graça de Cristo. Este é o sentido, a trajectória histórica, a missão e a esperança da Igreja.

A missão de anunciar o Evangelho a todos os povos é juízo crítico sobre as transformações planetárias que estão mudar substancialmente a cultura da humanidade. Presente e activa nas fronteiras geográficas e antropológicas, a Igreja é portadora de uma mensagem que se insere na história, onde proclama os valores inalienáveis da pessoa, com o anúncio e o testemunho do plano salvífico de Deus, que se tornou visível e concreto em Cristo. A pregação do Evangelho é a chamada à liberdade dos filhos de Deus, inclusive para a construção de uma sociedade mais justa e solidária e para nos preparar para a vida eterna. Quem participa na missão de Cristo, inevitavelmente deve enfrentar tribulações, contrastes e sofrimentos, porque se debate com as resistências e os poderes deste mundo. Quanto a nós, como o Apóstolo Paulo, só dispomos como armas, da palavra de Cristo e da sua Cruz (cf. 1 Cor 1, 22-25). A missão ad gentes exige que a Igreja e os missionários aceitem as consequências do seu ministério: a pobreza evangélica, que lhes confere a liberdade de pregar o Evangelho com coragem e sinceridade; a não-violência, pela qual eles respondem ao mal com o bem (cf. Mt 5, 38-42; Rm 12, 17-21); a disponibilidade a oferecer a própria vida em nome de Cristo e por amor aos homens.

Assim como o Apóstolo Paulo demonstrava a autenticidade do seu apostolado com as perseguições, as feridas  e  as  tribulações  padecidas  (cf. 2 Cor 6-7), também a perseguição é prova da autenticidade da nossa missão apostólica. Mas é importante recordar que o Evangelho «“toma corpo” nas consciências e nos corações humanos, expandindo-se na história. Em tudo isto, é o Espírito Santo que dá a vida» (João Paulo II, Encíclica Dominum et vivificantem, 64), e a Igreja e os missionários são por Ele tornados idóneos para cumprir a missão que lhes foi confiada (cf. ibid., n. 25). É o Espírito Santo (cf. 1 Cor 14) que une e preserva a Igreja, infundindo-lhe a força para se difundir e cumulando os discípulos de Cristo com uma riqueza superabundante de carismas. É do Espírito Santo que a Igreja recebe a autoridade do anúncio e do ministério apostólico. Por isso, desejo confirmar com vigor aquilo que eu já disse a propósito do desenvolvimento (cf. Caritas in veritate, 79), ou seja, que a evangelização tem necessidade de cristãos com os braços erguidos para Deus em gesto de oração, cristãos impelidos pela consciência de que a conversão do mundo a Cristo não é produzida por nós, mas nos é conferida. Na verdade, a celebração do Ano sacerdotal ajudou-nos a adquirir maior consciência de que a obra missionária exige uma união cada vez mais profunda com Aquele que é o Enviado de Deus, Pai para a salvação de todos; requer a partilha daquele «novo estilo de vida» inaugurado pelo Senhor Jesus, que foi feito próprio pelos Apóstolos (cf. Discurso aos participantes na Assembleia Plenária da Congregação para o Clero, 16 de Março de 2009).

Caros amigos, volto a dirigir o meu agradecimento a todos vós, das Pontifícias Obras Missionárias, que estais comprometidos de diversos modos a manter despertada a consciência missionária das Igrejas particulares, impelindo-as a uma participação mais activa na missio ad gentes, com a formação e o envio de missionários e missionárias, e a ajuda solidária às jovens Igrejas. Um sentido obrigado também pela hospitalidade e a formação de presbíteros, de religiosas, de seminaristas e de leigos nos Pontifícios Colégios da Congregação. Enquanto confio o vosso serviço eclesial à salvaguarda de Maria Santíssima, Mãe da Igreja e Rainha dos Apóstolos, abençoo todos vós de coração.

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11 de Dezembro de 2019

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