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Um carisma não um luxo

· O diálogo entre as religiões no vídeo do Papa Francisco para o Apostolado da oração ·

A rede mundial do Apostolado da oração que, desde há tempos, desempenha uma vasta tarefa de difusão das intenções mensais do Pontífice, acrescentou uma novidade significativa com o vídeo do Papa. O primeiro da série, difundido na festa da Epifania, contém além dos pontos centrais da sua mensagem, sinais importantes e marcas muito pessoais.

Não é por acaso que a primeira intenção seja a favor do diálogo entre as religiões. Francisco considera-o um carisma especial do seu pontificado. Tem a certeza de que somos todos filhos de Deus, certeza fundada na narração bíblica da criação que diz: «Deus criou o homem à sua imagem e semelhança» (Gn 1, 27). Daqui o convite a todos a difundir, a rezar e a colaborar com esta causa que no Quénia definiu «essencial», certamente «não um luxo» nem «algo acrescentado ou opcional»

Funda-se sobre isto o encontro entre as religiões, não sobre uma ideologia qualquer. E, portanto, torna-se um instrumento invencível diante das armas dos sistemas religiosos fundamentalistas, que procuram justificar a guerra, a morte e a violência utilizando o nome de um deus que se quer deformar, manipular e uniformizar. Francisco apresenta uma teologia que vai além: a de um Pai amoroso que, sendo pai de todos, procura e se deixa encontrar, nas diversas formas de pensamento e na riqueza da diversidade de fé. Por isso, o diálogo sincero é contrário ao confronto «religioso», porque comporta a paz e a justiça.

Jesus levou consigo os seus amigos galileus, e entre os sumos sacerdotes de Jerusalém eram reconhecidos pelo seu modo de falar. O vídeo do Papa possui exactamente esta característica. Dos quatro representantes das diversas confissões que participam nele, três são argentinos e percebe-se isso do seu modo de falar. Isto está em sintonia com outra característica fundamental do Papa Bergoglio: a sua coerência. A sua incansável e constante dedicação ao diálogo entre as religiões é algo que traz no coração e uma acção que realiza há pelo menos duas décadas, desde quando estava em Buenos Aires.

Nós que continuamos a percorrer o mesmo caminho, devemos reconhecer destas latitudes que somos filhos e devedores da sua guia. Eis porque, assistindo ao vídeo, por um lado recordo os encontros de oração inter-religiosos na Argentina e, por outro, as narrações evangélicas de Jesus que leva consigo ao monte da Transfiguração ou ao das Oliveiras os seus três melhores amigos.

Francisco é um Papa que convida constantemente para rezar com ele. Este aspecto do seu ministério como sucessor de Pedro surpreendeu desde a sua primeira saudação após a eleição. Pedir a um povo para rezar por ele, abençoando-o, e a frase sempre reiterada «rezai por mim» são sinais claros. Não palavras nem atitudes retóricas, mas solicitações genuínas, sentidas e profundas. No vídeo convida-nos a rezar «com ele». Francisco acredita profundamente no poder da oração conjunta. Na sua última frase mostra a sua confiança sincera no facto de que muitos o acompanharão nesta fundamental prática espiritual. Será que faremos isto em intenção e acção a partir da nossa religiosidade? Queira o Deus do shalom, da paz e do salam que assim seja.

Marcelo Figueiroa

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24 de Agosto de 2019

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