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Um Brasil
cada vez mais polarizado

· Para o ex-presidente Lula poderiam abrir-se as portas da prisão ·

Um Brasil cada vez mais polarizado recebe a sentença com a qual, a 4 de abril, o supremo tribunal federal (Stf) rejeitou, com um só voto de diferença, o pedido de habeas corpus apresentado pelos advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado em segundo grau a doze anos de prisão por corrupção passiva e reciclagem. Agora, para o fundador e líder indiscutível do partido dos trabalhadores poderiam abrir-se as portas do cárcere, não obstante, formalmente, Lula possa jogar outra carta: um recurso ao tribunal federal da 4ª região, o mesmo que o condenou, sobre alguns aspetos jurídicos ligados à motivação da sentença. 

Mas para além das minúcias, o veredito emitido em Brasília marca, como foi mencionado, uma ulterior e mais profunda divisão no seio da sociedade brasileira. Enquanto se espera a decisão do Stf, milhares de pessoas manifestaram no Brasil inteiro a favor e contra o ex-presidente. Hoje Lula — condenado pela compra e venda de um apartamento de cobertura no litoral de São Paulo que, segundo os juízes, era o suborno oferecido por uma sociedade de construções para a atribuição de uma série de empreitadas por parte da Petrobras — é provavelmente o homem mais impopular e, ao mesmo tempo, mais amado no Brasil. Depois de anos de forte recessão (menos 3,6 por cento em 2016), este ano há no Brasil uma previsão de crescimento de 2,7 por cento. Mas além dos dados estatísticos existe a realidade de uma pobreza difundida em vastas camadas da população, aquela mesma porção de brasileiros que as políticas sociais empreendidas por Lula contribuíram para resgatar da miséria e que, com toda a probabilidade, ainda o votaria. Além disso, há a questão da segurança, tanto nas grandes metrópoles como nos pequenos centros. Uma questão que o recente assassinato de Marielle Franco no Rio de Janeiro trouxe ao centro da atenção internacional. O homicídio de Franco teve ressonância sobretudo porque se quis atingir uma mulher negra justamente engajada a favor dos habitantes das favelas. Mas a sua morte trágica é uma gota no oceano. Com efeito, cada ano são dezenas de milhares as vítimas de crimes violentos. Sessenta mil, segundo algumas estimativas. E situação pior do que esta, talvez, somente na Síria.

Giuseppe Fiorentino

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10 de Dezembro de 2019

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