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​Três estilos de vida

· ​Missa em Santa Marta ·

«Três modos de levar a vida». Indicou-os o Papa Francisco durante a missa em santa Marta de sexta-feira 29 de Maio, partindo do trecho evangélico de Marcos (11, 11-25) que propõe precisamente três atitudes relacionadas com igual número de figuras: «da figueira», dos «comerciantes sem escrúpulos do templo» e «do homem de fé».

Já na celebração do dia anterior, o Papa Francisco tinha esboçado as características de três tipos de discípulos de Jesus – os «que não ouviam o brado de ajuda» do cego, os que «afastavam o povo de Jesus» e, por fim, «os que ajudavam as pessoas que tinham necessidade de ir ter com Jesus» – convidando todos a fazer um exame de consciência para encontrar o grupo ao qual pertenciam. No dia seguinte voltou a uma reflexão semelhante, inspirada no trecho evangélico de Marcos.

A figueira, explicou a este propósito, «representa a esterilidade, ou seja, uma vida estéril, incapaz de produzir alguma coisa». Isto é, uma vida que não dá frutos, «incapaz de fazer o bem», porque aquele tipo de homem «vive para si; tranquilo, egoísta», não quer «problemas». No trecho evangélico Jesus amaldiçoa a figueira porque é estéril, «porque não fez o que devia para dar fruto», tornando-se assim o símbolo da «pessoa que nada faz para ajudar, que vive sempre para si mesma, a fim de que nada lhe falte».

Estas pessoas, prosseguiu o Papa, no final «tornam-se neuróticas». E «Jesus condena a esterilidade espiritual, o egoísmo espiritual» de quem pensa: «Eu vivo para mim: que nada me falte, os outros que se arranjem!».

Há depois um segundo «modo de levar a vida», que é «o dos exploradores, dos comerciantes sem escrúpulos do templo». Eles «exploram até o lugar sagrado de Deus para fazer negócios: trocam as moedas, vendem os animais para o sacrifício, até entre eles têm uma espécie de sindicato para se defenderem». Um estilo «não só tolerado, mas também autorizado pelos sacerdotes do templo». Para fazer compreender melhor, o Pontífice recordou um episódio «muito feio», narrado na Bíblia, que descreve «os que fazem da religião um negócio»: é a história do sacerdote cujos filhos «convidavam as pessoas a fazer ofertas e ganhavam muito, até dos pobres». Sobre estes «Jesus não poupa as palavras» e diz aos mercantes no templo: «A minha casa será chamada casa de oração. Vós, ao contrário, fizeste dela um covil de ladrões!». Palavras severas, sobre as quais o Papa se prolongou: as pessoas «iam em peregrinação ali para pedir a bênção do Senhor, para fazer um sacrifício» e precisamente ali «eram exploradas»; os sacerdotes «não ensinavam a rezar, não lhes faziam catequese... Era um covil de ladrões». Não lhes interessava se havia devoção verdadeira: «pagai, entrai...». Cumpriam os ritos «sem verdadeira devoção». E referindo-se a isto Francisco convidou a uma reflexão: «Não sei se nos fará bem pensar se acontece connosco algo deste género nalgum lugar»: isto é «utilizar as coisas de Deus para o próprio proveito».

Por fim, há uma terceira tipologia, a «que Jesus aconselha, isto é, a vida de fé». Para a descrever, o Pontífice retomou a leitura do Evangelho de Marcos e recordou que quando os discípulos viram a figueira seca desde a raiz «porque Jesus a tinha amaldiçoado», Pedro diz-lhe: «Mestre, repara! A figueira que amaldiçoaste secou!». E Jesus aproveitando a ocasião para indicar o justo «estilo de vida» respondeu: «Tende fé em Deus. Se alguém dissesse a este monte: “levanta-te e lança-te ao mar”, sem ter a mínima dúvida, mas acreditando que o que diz acontece, isso acontecerá. Tudo o que pedirdes na oração, tende fé que o obtereis e acontecerá». Por conseguinte, explicou o Papa, «acontecerá precisamente o que nós pedimos com fé: é o estilo de vida da fé».

Alguém poderia perguntar: «Pai, que devo fazer para isto?». A resposta segundo Francisco é simples: «Pede-o ao Senhor, que te ajude a fazer coisas boas, mas com fé». Simples, mas com «uma condição» ditada pelo próprio Jesus: «Quando rezardes pedindo isto, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai. É a única condição, para que também o vosso Pai que está nos céus vos perdoe as vossas culpas».

Por conseguinte, vivei «a fé para ajudar os outros, para vos aproximardes de Deus», a fé «que faz milagres», é o terceiro estilo de vida sugerido. O Pontífice resumiu os três caminhos possíveis que se apresentam ao cristão: o primeiro é o da «pessoa estéril» que não deseja «dar frutos na vida» e leva «uma vida cómoda, tranquila, sem problemas e vai embora»: o estilo de quem não se preocupa por praticar o bem. Depois há os «que exploram os outros, também na casa de Deus; os exploradores, os comerciantes sem escrúpulos do templo», os que Jesus «afasta» com o chicote. Por fim o estilo de quem tem «confiança em Deus» e sabe que aquilo que pede ao Senhor com fé, «acontecerá». E é precisamente isto «que Jesus nos aconselha: o caminho de Jesus» que se pode percorrer sob uma única condição: «perdoai, perdoai os outros, para que o vosso Pai vos perdoa muitas coisas».

Ao concluir, o Papa convidou todos a pedir ao Senhor – «no sacrifício da Eucaristia – que ensine a «cada um de nós, à Igreja» a nunca cair «na esterilidade e nos negócios sem escrúpulos».

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20 de Setembro de 2019

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