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Testemunhas de obediência

· Missa em Santa Marta ·

«Sim, sou pecador, sou mundano, tenho muitas mundanidades no meu coração mas, Senhor, tu podes fazer tudo: dá-me a graça de me tornar testemunha de obediência como tu, e também a graça de não me assustar quando chegam as perseguições, as calúnias, porque tu nos disseste que quando nos levarem diante do juiz será o Espírito quem nos dirá como responder». Eis a oração que o Papa Francisco improvisou, convidando a recitá-la abrindo o coração, durante a missa celebrada na manhã de quinta-feira, 27 de abril, na capela da Casa Santa Marta.

«Peçamos esta graça» insistiu o Pontífice, porque «o cristão não é testemunha de uma ideia, de uma filosofia, de uma empresa, de um banco, de um poder», mas é unicamente «testemunha de obediência, precisamente como Jesus».

«Na primeira leitura – observou imediatamente Francisco no início da homilia, referindo-se ao trecho dos Atos dos Apóstolos (5, 27-33) – continua aquele diálogo dos apóstolos começado com João e com os chefes, com os doutores da lei». O facto é que «depois do milagre da cura do coxo, que desencadeou a ira dos chefes, a comunidade continua a crescer e os apóstolos faziam muitos milagres, muitos sinais». Assim «as pessoas iam ter com eles, procuravam-nos para os ouvir e levaram-lhes também os doentes para que fossem curados». Com efeito, lê-se no mesmo capítulo dos Atos dos Apóstolos, que os doentes iam acompanhados «a fim de que, quando Pedro passasse, pelo menos a sua sombra cobrisse alguns deles». E «esta era a fé do povo».

Certamente, realçou o Papa, «havia problemas também na comunidade: no meio desta consolação havia os espertalhões que queriam fazer carreira, como Ananias e Safira». E também hoje acontece o mesmo, acrecentou. «Havia gente – insistiu Francisco – que quando via este povo crente levar os doentes ali, em peregrinação aos apóstolos, dizia “mas que gente ignorante, não sabe, este povo não sabe”». É «o desprezo em relação ao povo fiel de Deus que nunca erra, nunca». O mesmo acontece hoje, reconheceu o Papa. Mas «o Senhor queria que a Igreja fosse forte naquele momento como sinal da própria ressurreição».

Sempre os Atos, prosseguiu o Pontífice, dizem-nos que «os chefes, quando viram tudo isto, cheios de inveja prenderam os apóstolos e levaram-nos para a prisão pública». Mas «aquela noite – disse o Pontífice – assim como aconteceu também com Pedro quando estava na cadeia, um anjo do Senhor foi lá, abriu a porta» pedindo aos apóstolos para ir anunciar ao povo. E os apóstolos foram imediatamente, «ao amanhecer», ensinar ao povo no templo, mas os chefes dos sacerdotes foram informados e os apóstolos convocados para comparecer diante do sinédrio. «Contei tudo isto a fim de mostrar o desenvolvimento da vida da Igreja nestes primeiros meses» explicou o Papa, fazendo de novo referência à primeira leitura. «Nestes dias – referem portanto os Atos – o comandante e os seus guardas conduziram os apóstolos apresentado-os no sinédrio; o sumo sacerdote interrogou-os dizendo: “Expressamente vos ordenamos que não ensineis nesse nome ”». Querendo obviamente dizer «em nome de Jesus». Com efeito, Pedro e João tinham sido presos e, ao ser interrogados pelo sinédrio, responderam: «Não podemos silenciar o que vimos e ouvimos». Mas os chefes tinham proibido que continuassem a pregar. Eis porque a nova acusação: não obstante aquela proibição, os membros do sinédrio dizem aos apóstolos, «enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina e quereis lançar sobre nós a culpa pelo sangue desse homem». Mas eis que «Pedro – o próprio Pedro que por medo tinha atraiçoado o Senhor na noite de quinta-feira – hoje, corajoso responde: “É necessário obedecer a Deus e não aos homens”». Precisamente «a resposta de Pedro – afirmou o Papa – faz-nos compreender quem é o apóstolo, quem é o cristão: o cristão é testemunha da obediência, como Jesus. E com efeito «Jesus obedeceu, fez-se homem, abaixou-se, aniquilou-se». Assim, do mesmo modo, «o cristão é testemunha de obediência, como Jesus que disse ao Pai: eis um corpo, eu venho para fazer a tua vontade; como Jesus que no horto das oliveiras pediu ao Pai que afastasse dele aquele cálice “mas seja feita a tua vontade, não a minha: eu obedecerei”».

«O cristão é testemunha de obediência – reiterou Francisco – e, se nós não seguirmos este caminho de crescer no testemunho da obediência, não somos cristãos». Por conseguinte, é preciso «enveredar por este caminho» a fim de sermos deveras «testemunhas de obediência, como Jesus». Eis por que o cristão «não é testemunha de uma ideia, de uma filosofia, de uma empresa, de um banco, de um poder», mas «é testemunha de obediência, como Jesus».

Uma verdade que não é fácil compreender, reconheceu o Pontífice. A ponto que surge a pergunta «como nos tornamos testemunhas de obediência, onde estudamos para nos tornarmos tais?» Mas «isto pode fazê-lo somente o Espírito Santo» explicou Francisco, porque «tornar-se testemunha de obediência é uma graça do Espírito Santo: é Ele que realiza isto. É «o mesmo discurso que ouvimos Jesus fazer a Nicodemos: “Quem acredita no Filho tem a vida eterna. Quem se recusa de acreditar no Filho não verá a vida”». Mas «é do alto que vem isto, é do Espírito: Jesus, ungido pelo Espírito, traz a boa nova. Pensemos na sinagoga de Nazaré, só o Espírito nos pode tornar testemunhas de obediência».

Talvez, continuou, alguém pudesse afirmar «eu vou ter com aquele mestre espiritual» ou «leio este livro». Sim, explicou o Papa, «está tudo bem, mas só o Espírito pode transformar o nosso coração e pode tornar-nos testemunhas de obediência: é uma obra do Espírito e devemos pedi-lo, é uma graça a ser pedida: “Pai, Senhor Jesus, enviai-me o vosso Espírito para que eu me torne testemunha de obediência”, ou seja, um cristão».

O Pontífice não deixou de indicar, «quais são as consequências para uma pessoa que é testemunha de obediência». A este propósito, disse, «o final do trecho da primeira leitura hodierna é claro: “Ao ouvirem essas palavras, enfureceram-se e resolveram matá-los”». Porque «as consequências da testemunha de obediência são as perseguições». Com efeito, «quando Jesus enumera as bem-aventuranças acaba» por afirmar: “Bem-aventurados vós que sois perseguidos, insultados”».

«Não se pode eliminar a cruz da vida de um cristão» afirmou Francisco: «A vida de um cristão não é um status social, não é apenas um modo de viver uma espiritualidade que me torna bom, que me torna um pouco melhor. Isto não é suficiente. A vida de um cristão é o testemunho em obediência e a vida de um cristão está cheia de calúnias, maledicências, perseguições». E, concluiu, «esta é a mensagem da Igreja hoje» que pede para nos questionarmos se somos deveras cristãos, ou seja, «testemunhas de obediência como Jesus».

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19 de Setembro de 2019

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