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Testemunhas credíveis

· No jubileu da misericórdia o exemplo dos santos José de Anchieta, Francisco de Laval e Junípero Serra ·

O «novo mundo», esta cultura do encontro que procuramos na misericórdia, é muito diferente do mundo no qual vivemos.

Quase há uma geração, João Paulo II escreveu: «A mentalidade contemporânea, talvez mais do que a do homem do passado, parece opor-se ao Deus da misericórdia e tende a pôr na margem da vida e a afastar do coração humano a ideia da misericórdia». O Papa Francisco citou estas palavras na sua bula para o ano santo: e infelizmente creio que são agora ainda mais verdadeiras.

Num mundo no qual parece que a guerra e a violência são constantes, e que todos os dias nos confrontamos com exemplos trágicos de pobreza espiritual e material, de injustiças e sofrimentos humanos, muitos irmãos nossos não são capazes de encontrar uma «evidência» de um Deus de misericórdia ou uma «prova» do facto que a criação é guiada por uma mão amorosa. E assim como no nosso mundo a fé em Deus se está a dispersar, também a esperança da misericórdia – até a ideia mesma da misericórdia – está a desaparecer da nossa vida pública.

Vejo no meu país sinais deste desaparecimento todos os dias. Há uma crescente dureza de coração, uma retórica dura e receosa nos nossos meios de comunicação e na nossa política, uma crescente impossibilidade das pessoas comuns sentirem empatia com a humanidade dos outros. Vejo tudo isto refletido no tratamento cruel em relação aos refugiados e aos imigrantes privados de documentos, nas deportações que separam famílias e deixam mulheres e crianças fechadas. Vejo-o também nos debates sobre programas sociais para os pobres e os desabrigados, nas penas cada vez mais severas para os criminais e no estado miserável de algumas das nossas prisões.

E não penso que o desaparecimento da compaixão pública e da misericórdia se limite aos Estados Unidos. O Papa Francisco fala de «globalização da indiferença». É triste dizê-lo, mas penso que estamos a tornar-nos um mundo sem misericórdia.

Neste momento o Papa Francisco diz que nós – a Igreja e todos nós como seguidores de Cristo e discípulos missionários – devemos dar um «testemunho credível da misericórdia». E tem razão. Só a misericórdia é credível num mundo que deixou de sentir o calor de Deus ou a carícia do seu amor.

José H. Gómez

Texto integral em inglêsespanhol 

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21 de Novembro de 2019

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