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Supremacia absoluta às ideias (muitas vezes das mulheres)

· A propósito dos editoriais de «L’Osservatore Romano» de 2007 a 2011 ·

«A modernidade jornalística de “L’Osservatore Romano”, tal como se depreende da sucessão dos seus editoriais, consiste na supremacia absoluta das ideias». Assim se expressou a jornalista Ritanna Armeni ao intervir, segunda-feira, 19 de Dezembro, na apresentação do livro Uno sguardo cattolico. 100 editoriali dell’Osservatore romano (2007-2011).

«Vivemos — continuou a jornalista Armeni — num mundo dominado pela informação que flui, invade, arrasta e que muitas vezes nos impede de pensar. Uma informação que, frequentemente, vive de si mesma e nem sempre produz ideias ou é produzida pelas ideias. E se o facto de possuir informação se tornou mais importante do que as ideias que dela podem surgir, o que “L’Osservatore” pode oferecer, permanecendo ele mesmo até ao fim, são exactamente aquelas ideias das quais hoje há tanta escassez». À crise profunda que a imprensa diária actualmente está a viver, «é possível responder de dois modos: adequando-se ao mercado da informação ou tornando-se instrumento de difusão de ideias. Reivindicar a supremacia das ideias e os tempos das ideias (que relativamente a “L’Osservatore” são os tempos da Igreja que não coincidem com os tempos do mundo) pode ser mais moderno e propulsivo do que seguir os tempos da informação globalizada e conformista. Estar neste mundo sem ser deste mundo. Quem mais do que o jornal da Igreja pode responder melhor hoje a esta tarefa? E talvez dar uma indicação também a uma imprensa leiga ansiosa, empobrecida e demasiado conformista».

Ritanna Armeni frisou também a numerosa presença no livro de editoriais com assinatura feminina. «Eles são muitos mais do que se poderia imaginar. Certamente muito mais de quantos podem vangloriar os principais diários que se definem leigos e progressistas, que lutam pela dignidade das mulheres, confinando-as depois largamente nas páginas de crónica e de moda».

Caracterizou-se por um estilo eminentemente histórico a intervenção de Paolo Mieli que, ao definir as cem contribuições «mais ensaios do que editoriais», iniciou recordando a coincidência entre as datas de «L’Osservatore Romano» e as do Reino de Itália. «Portanto, se em 1861 já existia o jornal do Papa, ao contrário ainda faltavam os grandes jornais leigos. E, provavelmente, chegará um dia em que os jornais leigos já não existirão, enquanto “L’Osservatore” estará ainda bem firme no seu lugar».

A verosimilhança da «profecia» do historiador e jornalista italiano está a demonstrar a própria história do jornal do Papa, nascido como jornal de conflitos. Tendo no dna a capacidade de dever falar num contexto hostil — continuou Mieli — ao longo dos anos «L’Osservatore» manteve a capacidade de conservar a própria capacidade. Especialmente nos delicados anos do fascismo, quando toda a imprensa italiana se submeteu à ditadura, «L’Osservatore» não mudou minimamente. A seguir, nunca foi o jornal partidário da Democracia cristã, mesmo nos anos em que se podia pensar que o fosse.

Com base na sua experiência de longa data como director de importantes diários italianos, o presidente de rcs Livros quis assinalar como «L’Osservatore Romano» tenha muito para ensinar aos jornais leigos e concluiu a sua intervenção recordando o último artigo do livro, o «maravilhoso editorial de Ettore Gotti Tedeschi»: no número do passado dia 27 de Agosto, de facto, L’orizzonte di Noè antecipava aspectos da persistente crise económica que surgiriam pouco tempo depois.

Por fim, foi muito interessante a intervenção de Ugo Sartorio. «Se alguém desejasse ter uma visão clara do que aconteceu no mundo neste último lustro, com uma chave de leitura que se baseia no Vaticano, poderia encontrar nas 270 páginas do livro um apoio incomparável. Nítido, competente, sem vestígio algum daquele «eclesialês», daquele calão de Igreja que é o mal crónico de um certo tipo de comunicação eclesiástica. «L’Osservatore», que não é agressivo, partidário, polémico, mas nem sequer irénico, superficial, nem conciliador, desempenha uma tarefa de informação-formação particularmente atenta à totalidade e integralidade do facto cristão, tanto na sua geografia quanto na peculiaridade dos seus conteúdos. Fazer isso é promover na Igreja e em prol da Igreja a característica da catolicidade».

«A catolicidade — concluiu Pe. Sartorio — é autêntica precisamente porque é amor e acolhimento na verdade. E este livro demonstra-o pelo menos cem vezes nos seus cem editoriais».

Participaram no encontro os cardeais Giovanni Coppa e Salvatore De Giorgi, os bispos Giuseppe Sciacca, Giuseppe Versaldi e Pietro Vittorelli, o monsenhor Ettore Balestrero, os embaixadores junto da Santa Sé da Polónia, Portugal, Espanha e para a Itália o vice-presidente do Senado, Rocco Buttiglione, o ministro da Defesa, Giampaolo Di Paola, e o subsecretário para as Relações com o Parlamento, Giampaolo D’Andrea. Estavam presentes, entre outros, também Aurelio Mottola, director editorial de Vita e Pensiero , o vice-director e o director do nosso jornal.

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21 de Novembro de 2019

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