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​Superar a intolerância
seguindo os passos de Hélder Câmara

· Em Recife previstos nos próximos meses encontros sobre o diálogo ecuménico e inter-religioso ·

Só através do diálogo é possível superar a intolerância: estas palavras resumem o programa de encontros locais, regionais, nacionais e internacionais para o diálogo e sobre o diálogo que a cidade brasileira de Recife e a sua Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), dirigida pelos jesuítas, estão a preparar-se para receber nos próximos meses. Trata-se de uma escolha muito específica em favor do testemunho cristão, baseado na escuta e no acolhimento do outro, como nos recordou o arcebispo de Olinda e Recife, D. Antônio Fernando Saburido, presidente da comissão regional de pastoral para o ecumenismo e o diálogo inter-religioso da cnbb para o Nordeste do Brasil (Cnbb-Nordeste 2). O prelado frisou que o diálogo é o único caminho a seguir num momento em que a proclamação da Palavra de Deus deve conviver com uma intolerância generalizada e crescente, especialmente em relação às tradições religiosas e aos migrantes. Por esta razão, o diálogo ecuménico e inter-religioso torna-se um instrumento insubstituível, como o Papa Francisco repetiu tantas vezes, para construir a paz com a qual ir além deste clima. Em Recife, a atenção ao diálogo tem sido uma prioridade desde a época do episcopado de D. Hélder Câmara — que governou a arquidiocese de 1964 a 1985 — tanto que foi criado um Observatório das religiões que, enraizado na Unicap, deu origem a uma série de iniciativas públicas e projetos de pesquisa que, partindo das raízes da cidade de Recife, sempre imersa numa dimensão cosmopolita, alimentaram o diálogo entre religiões e culturas. Assim se definiu uma cultura de diálogo que se opõe ao momento de conservadorismo político e cultural que está na raiz dessa intolerância, tão presente na sociedade brasileira contemporânea por causa da ação hostil e das posições assumidas pelo fundamentalismo religioso e político contra o ecumenismo, que se apresenta com uma leitura muito distante da que o magistério da Igreja católica oferece, tal como formulada no concílio Vaticano ii. Precisamente o método ecuménico de construção da unidade e do respeito à diversidade, como salientou Gilbraz Aragão, professor da Unicap, foi um instrumento precioso na recuperação de um património religioso e espiritual, o que permitiu a criação de um diálogo com as religiões afro-brasileiras e com o Islão, a fim de superar tantos preconceitos. Diante dos desafios da intolerância, decidiu-se organizar um novo evento em março, dirigido àqueles que, a vários níveis, estão engajados no diálogo para reafirmar a centralidade da formação histórico-teológica numa perspetiva religiosa que, justamente à luz das experiências locais, seja capaz de abrir novos horizontes para o confronto na sociedade brasileira.

A nível nacional, com a ambição de concernir estudiosos latino-americanos e europeus, haverá um congresso, previsto para abril, sobre espiritualidade contemporânea, pluralidade religiosa e diálogo, no qual será dedicado um espaço muito especial a uma reflexão sobre o fundamentalismo. O congresso tem como objetivo promover uma contextualização da religiosidade “sectária e reacionária” gerada pelo fundamentalismo, de modo a identificar os percursos teológicos, abertos à pluralidade de tradições religiosas presentes no Brasil e, portanto, eliminar a intolerância e a discriminação. Na definição deste programa, fundamental continua a ser a referência à memória de D. Hélder Câmara, cuja fase diocesana da causa de beatificação chegou ao fim.

Para Luiz Carlos Luz Marques, professor da Unicap e autor de numerosos estudos sobre o bispo brasileiro, a memória de D. Hélder, promotor da Conferência episcopal da América Latina e corajosa testemunha da recepção do Vaticano II, constitui um caminho privilegiado para a redescoberta das riquezas espirituais com as quais se pode ler a natureza e a história através dos olhos do próximo.

Riccardo Burigana

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23 de Fevereiro de 2020

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