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Só a caridade salva o mundo

· Bento XVI visitou o Centro Dom Orione e as dominicanas de Santa Maria do Rosário em Roma ·

As obras de caridade não podem reduzir-se a simples gestos de filantropia, mas devem permanecer «expressão tangível do amor providente de Deus», recordou Bento XVI durante a visita realizada ao Centro Dom Orione, no bairro romano de Monte Mário para a bênção da imagem de Nossa Senhora.

Prezados irmãos e irmãs!

Em primeiro lugar, gostaria de saudar cordialmente todos vós, aqui reunidos para o significativo evento hodierno. Nesta colina voltou a velar sobre a nossa Cidade a majestosa imagem de Nossa Senhora, abatida há alguns meses pela fúria do vento. Antes de tudo, saúdo o Cardeal Vigário Agostino Vallini e os Bispos presentes, Dirijo um pensamento especial a Pe. Flávio Peloso, reeleito para a guia da Obra Dom Orione, agradeço-lhe as amáveis palavras que me quis dirigir. Estendo esta saudação aos religiosos participantes no 13º Capítulo geral, àqueles que trabalham nesta Instituição ao serviço dos jovens e de quem sofre, e a toda a família espiritual orionita. Dirijo o meu pensamento especial ao Senhor Presidente da Câmara Municipal de Roma. Dep. Gianni Alemanno: desejo manifestar-lhe antecipadamente o meu apreço pelo Concerto que o Capitólio me oferecerá na tarde de 29 de Junho; é um gesto que testemunha o afecto de toda a Cidade de Roma ao Papa. Saúdo também as demais autoridades civis e militares. Enfim, não posso deixar de agradecer de coração a quantos, de vários modos, contribuíram para restituir à imagem de Nossa Senhora o seu esplendor original.

Foi de bom grado que aceitei o convite a unir-me a vós para prestar homenagem a Maria, «Salus populi romani», representada nesta maravilhosa imagem, tão querida ao povo romano. Imagem que é memória de acontecimentos dramáticos e providenciais, escritos na história e na consciência da Cidade. Com efeito, ela foi colocada na colina de Monte Mário em 1953, como cumprimento de um voto popular pronunciado durante a segunda guerra mundial, quando as hostilidades e as armas faziam temer pelo destino de Roma. Então, das obras romanas de Dom Orione surgiu a iniciativa de uma angariação de assinaturas para um voto a Nossa Senhora, ao qual aderiram mais de um milhão de cidadãos. O Venerável Pio XII recolheu a devota iniciativa do povo, que se confiava a Maria, e o voto foi pronunciado no dia 4 de Junho de 1944, diante da imagem de Nossa Senhora do Divino Amor. Precisamente nesse dia teve lugar a libertação pacífica de Roma. Como não renovar também hoje, juntamente convosco, queridos amigos de Roma, aquele gesto de devoção a Maria «Salus populi romani», benzendo esta bonita imagem?

Os Orionitas quiseram-na grande, colocada no alto, sobranceira à cidade, para prestar homenagem à santidade excelsa da Mãe de Deus que, humilde na terra, «foi exaltada acima dos coros angélicos nos reinos celestes» (Gregório VII, A Adelaide da Hungria ) e para ter dela, ao mesmo tempo, um sinal de presença familiar na vida quotidiana. Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, esteja sempre no ápice dos vossos pensamentos e dos vossos afectos, amável conforto das vossas almas, guia segura das vossas vontades e sustento dos vossos passos, inspiradora persuasiva da imitação de Jesus Cristo. A «Madonnina» – como os romanos gostam de lhe chamar – no gesto de olhar do alto para os lugares da vida familiar, civil e religiosa de Roma, proteja as famílias, suscite propósitos de bem, sujira a todos desejos celestes. «Olhar para o céu, rezar e depois ir em frente com coragem e trabalhar. Ave Maria e em frente!» – exortava São Luís Orione.

No seu voto a Nossa Senhora, além de prometer oração e devoção, os romanos comprometeram-se também em obras de caridade. Por sua vez, os Orionitas realizaram neste Centro de Monte Mário, antes ainda da imagem, o acolhimento de crianças mutiladas e de órfãos. O programa de São Luís Orione – «Somente a caridade salvará o mundo» – teve aqui uma concretização significativa e tornou-se um sinal de esperança para Roma, juntamente com a «Madonnina» posta sobre a colina. Estimados irmãos e irmãs, herdeiros espirituais do Santo da Caridade, Luís Orione! O Capítulo geral que há pouco terminou teve como tema esta expressão querida ao vosso Fundador, «Somente a caridade salvará o mundo». Abençoo o propósito e as decisões que foram tomadas para relançar aquele dinamismo espiritual e apostólico que sempre vos deve distinguir.

Dom Orione viveu de modo lúcido e apaixonado a tarefa da Igreja, de viver o amor para fazer entrar no mundo a luz de Deus (cf. Deus caritas est, 39). Deixou esta missão aos seus discípulos, como caminho espiritual e apostólico, convencido de que «a caridade abre os olhos para a fé e aquece os corações de amor a Deus». Caros Filhos da Providência Divina, continuai ao longo deste sulco carismático por ele traçado porque, como ele dizia, «a caridade é a melhor apologia da fé católica», «a caridade conquista, a caridade move, leva à fé e à esperança» ( Actas, 26.11.1930, pág. 95). As obras de caridade, quer como actos pessoais, quer como serviços às pessoas frágeis, prestados em grandes instituições, nunca podem reduzir-se a um gesto filantrópico, mas hão-de permanecer sempre como uma expressão tangível do amor providente de Deus. Para fazer isto – recorda Dom Orione – é necessário ser «imbuído pela caridade suavíssima de nosso Senhor» ( Escritos, 70, 231), mediante uma vida espiritual autêntica e santa. Só assim é possível passar das obras da caridade à caridade das obras, porque – acrescenta o vosso Fundador – «também as obras sem a caridade de Deus, que as valorize diante dele, de nada valem» ( Às psmc, 19.6.1920, pág. 141).

Estimados irmãos e irmãs, agradeço-vos mais uma vez o vosso convite e a vossa hospitalidade. Acompanhe-vos todos os dias a salvaguarda maternal de Maria, que juntos invocamos para quantos trabalham neste Centro e para toda a população romana e, enquanto a cada um garanto a minha recordação orante, abençoo-vos a todos afectuosamente.

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7 de Dezembro de 2019

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