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Sinal de fraternidade, convite ao diálogo

· O Papa explica o significado da sua visita ao Líbano, onde chegou na manhã de sexta-feira 14 de Setembro ·

Em Beirute o convite a tornar o modelo libanês um exemplo de convivência para o Médio Oriente e para o mundo

Nunca pensei em renunciar a esta viagem. Bento XVI reafirmou-o várias vezes sem hesitações ao responder às perguntas que lhe foram feitas pelos jornalistas esta manhã, sexta-feira 14 de Setembro, durante o encontro habitual a bordo do avião que o levou a Beirute. O Papa nunca hesitou. Aliás, o agravar-se dos conflitos e o complicar-se da situação tornou mais vigoroso o seu desejo de oferecer um sinal de fraternidade e um convite ao diálogo a todas as populações do Médio Oriente, cujas condições de sofrimento não terá fim – afirmou – enquanto não for impedida a passagem das armas destinadas aos beligerantes, como acontece no dramático contexto da crise síria.

Tendo isto como ponto firme, o Pontífice enfrentou questões e temas quentes que se tornaram de actualidade sobretudo nos últimos tempos. E recordando dois trágicos acontecimentos que marcaram o passado recente das regiões e do mundo - o massacre ocorrido em 1982 nos campos de prófugos palestinianos de Sabra e Chatila, precisamente no Líbano, e o atentado às Torres gémeas de 11 de Setembro de 2001 – falou sobre a apreensão perante o crescimento dos fundamentalismos e das agressões de que são vítimas numerosos cristãos. Sucessivamente, referindo-se explicitamente à situação da Síria, mencionou o risco de que precisamente os cristãos nos países onde floresceu a chamada «primavera árabe», sendo minoria, possam sucumbir. Enfim, sublinhou o valor da exortação pós-sinodal que entregará no próximo dia 16 e o papel que as Igrejas da Europa e das Américas podem desempenhar para apoiar os seus irmãos do Médio Oriente.

As respostas do Papa, num certo sentido, anteciparam os temas que estarão no centro da visita ao Líbano. Onde – recordou – convivem pacificamente três religiões monoteístas que fizeram do diálogo um estilo de vida.

Do Pontífice chegou, em primeiro lugar, uma condenação firme da violência: uma prática – disse – que deve ser sempre rejeitada, independentemente de onde vier. Uma das mensagens que ele tenciona levar consigo ao Líbano, mas idealmente a todo o Médio Oriente, é exactamente a rejeição da violência e a redescoberta do diálogo. Um diálogo que se revela particularmente difícil com o fundamentalismo, que representa – afirmou – a negação da religião. Por conseguinte, a Igreja tem a tarefa de convidar à purificação das consciência e dos corações, a fim de favorecer a capacidade de ver no próximo a imagem real de Deus.

Portanto, Bento XVI julgou de forma positiva a «primavera árabe», pois, pelo menos na sua intenção original, tenta promover a democracia e a cooperação. É um brado de liberdade – disse – que provém de uma juventude culta em busca da solidariedade e da coexistência.

Todavia, o Pontífice recordou também o perigo de perder de vista, neste processo, a liberdade do outro. Embora os cristãos estejam sempre prontos a colaborar no respeito de todos, permanece o facto de que o conceito de liberdade – explicou - deve ser considerado sempre na dimensão da tolerância. De qualquer modo, o Papa está convicto de que a «primavera árabe» exprime o desejo de viver juntos. E neste sentido considera positivamente também os movimentos que visam obter uma participação plena de todos na vida social e política de cada país.

Construir uma sociedade pacificada e organizada conforme este critério de coexistência impediria também a hemorragia constante dos cristãos do Médio Oriente. Embora – especificou o Pontífice – não sejam só os cristãos a fugir de certas situações, mas inclusive numerosos muçulmanos. Sem dúvida, os cristãos correm o risco de desaparecer de certas realidades. O que pode fazer então a Igreja? Entretanto, procurar fazer compreender que a violência e a guerra constituem a primeira das causas que obrigam a fugir. É necessário divulgar a mensagem de paz no mundo, assim como é indispensável impedir o tráfico de armas que, sistematicamente, são importadas onde há guerra: aliás, seria preciso importar solidariedade em vez de armas. A este propósito, segundo o Pontífice, é fundamental procurar convencer os políticos a comprometer-se contra a violência e a favor da paz. Porque a violência – concluiu – não constrói a paz e mais não obtém a não ser o sofrimento do homem.

CERIMÓNIA DE BOAS-VINDAS - DISCURSO DO PAPA BENTO XVI

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13 de Novembro de 2019

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