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Se a felicidade tem o nome de Jesus

· Sobre a nova evangelização ·

Mostrar que a felicidade almejada pelo coração humano tem um só nome, o de Jesus. Eis o método da nova evangelização, que o Papa sugeriu no dia 13 de Junho, inaugurando o congresso eclesial da diocese de Roma. Por isso, quis referir-se a um dos Padres da Igreja, santo Hilário de Poitiers. Segundo o seu próprio testemunho, Hilário tornou-se crente no momento em que compreendeu que para uma vida verdadeiramente feliz eram insuficientes tanto a posse como o usufruto tranquilo das coisas. Havia algo mais importante e precioso que o atraía: o conhecimento da verdade e a plenitude do amor oferecidos por Cristo (cf. De Trinitate 1, 2). «Não devemos também nós, hoje — interrogou-se, portanto, Bento XVI — mostrar a beleza e o bom senso da fé, levar a luz de Deus ao homem do nosso tempo, com coragem, convicção e alegria?».

Manifestar o «bom senso da fé». Eis um dos temas recorrentes no magistério de Joseph Ratzinger, que já em 2003 observara de forma intrépida: «Deve mesmo parecer um milagre se, não obstante, ainda continuamos a crer cristãmente». Ao mesmo tempo, ele dava-se conta de que a fé ainda tem uma possibilidade de bom êxito nos nossos dias. Por quê? Pelo íntimo bom senso da verdade cristã, ou seja, pela sua correspondência ao coração do homem: «No homem existe uma aspiração nostálgica inesgotável ao infinito. Nenhuma das respostas procuradas é suficiente; somente o Deus que se tornou finito, para dilacerar a nossa finitude e para a levar à amplidão da sua infinitude, é capaz de ir ao encontro das interrogações do nosso ser» (Joseph Ratzinger, Fede, verità e tolleranza. Il cristianesimo e le religioni del mondo, Cantagalli, Siena 2003, pág. 143).

Demonstrar o bom senso da verdade da fé, e não apenas do acto de acreditar, é uma arte à qual fomos pouco habituados. Segundo um certo método apologético, os motivos para aderir à revelação cristã está assentes sobretudo no argumento da autoridade divina que revela, e não tanto na correspondência à razão da verdade revelada. Assim, tende-se — em virtude de uma ênfase excessiva da sua índole sobrenatural — a conceber tal verdade como desprovida de qualquer forma de evidência diante da razão do homem; pelo menos, não é esta evidência que se procura acima de tudo. Com efeito, numa perspectiva semelhante, todas as energias da razão confluíram na averiguação factual da revelação de Deus. Às argumentações derivadas da correspondência da religião católica às aspirações do coração do homem não se confere um valor irrefutável, mas eventualmente de confirmação.

E assim pode acontecer — afirmou o Papa no congresso da diocese de Roma, citando também João Paulo II e a sua insistência sobre a necessidade de uma nova evangelização — que muitas pessoas, «embora já tenham ouvido falar da fé, não apreciem e já não conheçam a beleza do Cristianismo mas, ao contrário, às vezes chegam até a considerá-lo um obstáculo para alcançar a felicidade». Verifica-se uma separação entre a verdade cristã e a satisfação do coração, como se a felicidade pudesse residir alhures, em algo que o homem é capaz de se conceder a si mesmo sozinho. Daqui, os ídolos com os quais ela foi substituída: a luxúria, a avareza e o poder, os novos deuses de que Thomas S. Eliot falava na sua obra The Rock. O itinerário para a fé, proposto por Bento XVI, radica-se ao contrário numa tradição eclesial mais antiga. Com efeito, segundo o pensamento de Agostinho e de Tomás de Aquino, o homem é «feito para Deus» e, por conseguinte, traz em si mesmo esta situação histórica paradoxal, mediante a qual está destinado pela sua natureza a alcançar um fim, a vida eterna, que não pode obter com as suas próprias forças, mas somente em virtude da graça (cf. Summa Theologiae, i-ii, 114, 2, ad 1). É por isso que o encontro com Cristo e a fé que daqui deriva representam o início da felicidade eterna (cf. De Veritate, i, 14, 2, c).

Eis o motivo da forte insistência da parte do magistério de Bento XVI: «Por isso, hoje desejo repetir aquilo que disse aos jovens na Jornada Mundial da Juventude, em Köln: “A felicidade que procurais, a felicidade que tendes o direito de saborear possui um nome, um rosto: o de Jesus de Nazaré, escondido na Eucaristia”!».

Com efeito, não existe uma evangelização completa, a não ser aquela que termina no reconhecimento de Cristo, sentido como a resposta a todos os anseios do nosso coração e às exigências mais profundas da nossa razão.

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16 de Setembro de 2019

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