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Sarar os corações feridos para uma reconciliação verdadeira

· Durante a visita à catedral de Nossa Senhora da Misericórdia de Cotonu ·

«A misericórdia divina não consiste apenas na remissão dos nossos pecados, mas também no facto de Deus, nosso Pai, nos reconduzir — por vezes com sofrimento, aflição e temor da nossa parte — ao caminho da verdade e da luz, porque não quer que nos percamos», recordou o Sumo Pontífice durante a visita à Catedral de Nossa Senhora da Misericórdia em Cotonou, que teve lugar na tarde de sexta-feira, 18 de Novembro. Depois do Te Deum, o Papa prestou homenagem aos saudosos arcebispos, que aqui repousam, D. Christophe Adimou e D. Isidore de Sousa, recordando o papel determinante que este último teve na transição democrática do país. Após a saudação do Arcebispo de Cotonou e Presidente da Conferência Episcopal do Benim (ceb), D. Antoine Ganyé, Bento XVI dirigiu aos Bispos locais, aos Bispos convidados e aos fiéis presentes o seguinte discurso.

Venerados Cardeais

Amado Arcebispo

e caros irmãos no Episcopado

Reverendo Reitor da catedral

Amados irmãos e irmãs!

O antigo hino do Te Deum , que acabámos de cantar, exprime o nosso louvor a Deus, três vezes santo, que nos reúne nesta bela Catedral de Nossa Senhora da Misericórdia. Agradecidos, rendemos homenagem aos Arcebispos anteriores, que aqui repousam: D. Christophe Adimou e D. Isidore de Sousa. Foram valorosos trabalhadores na Vinha do Senhor, cuja memória continua ainda viva no coração dos católicos e de numerosos habitantes do Benim: estes dois Prelados foram, cada um a seu modo, Pastores cheios de zelo e caridade, que se entregaram sem reservas ao serviço do Evangelho e do Povo de Deus, especialmente dos mais desvalidos. Como bem sabeis, D. Isidore de Sousa foi um amigo da verdade e teve um papel determinante na transição democrática do vosso país.

Enquanto louvamos a Deus pelas maravilhas, com que não cessa de cumular a humanidade, convido-vos a meditar brevemente sobre a sua misericórdia infinita, nesta catedral que a isto se presta providencialmente. A história da salvação, que culmina na encarnação de Jesus e tem o seu pleno cumprimento no mistério pascal, é uma revelação esplêndida da misericórdia de Deus. No Filho, torna-Se visível «o Pai das misericórdias» ( 2 Cor 1, 3), que, sempre fiel à sua paternidade, «é capaz de debruçar-se sobre todos os filhos pródigos, sobre qualquer miséria humana e, especialmente, sobre toda a miséria moral, sobre o pecado» (João Paulo II, Enc. Dives in misericordia , 6). A misericórdia divina não consiste apenas na remissão dos nossos pecados, mas também no facto de Deus, nosso Pai, nos reconduzir — por vezes com sofrimento, aflição e temor da nossa parte — ao caminho da verdade e da luz, porque não quer que nos percamos (cf. Mt 18, 14; Jo 3, 16). Esta dupla manifestação da misericórdia divina mostra como Deus é fiel à aliança selada com cada cristão no Baptismo. Repassando a história pessoal de cada um e a da evangelização dos nossos países, podemos dizer com o salmista: «Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor» ( Sl 89/88, 2).

A Virgem Maria experimentou, no seu grau mais excelso, o mistério do amor divino: «A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem» ( Lc 1, 50) — exclama Ela no seu Magnificat . Com o seu «sim» ao chamamento de Deus, contribuiu para a manifestação do amor divino entre os homens. Neste sentido, é Mãe de Misericórdia por participação na missão do seu Filho; recebeu o privilégio de nos poder socorrer sempre e em toda parte. «Com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada» (Conc. Ecum. Vat. ii, Const. Lumen gentium , 62). Ao abrigo da sua misericórdia, os corações feridos curam, as ciladas do maligno são evitadas e os inimigos reconciliam-se. Em Maria, temos não só um modelo de perfeição, mas também uma ajuda para realizar a comunhão com Deus e com os nossos irmãos e irmãs. Mãe da misericórdia, Ela é um guia seguro para os discípulos de seu Filho que querem estar ao serviço da justiça, da reconciliação e da paz. Com simplicidade e coração materno, Ela indica-nos a única Luz e a única Verdade — o seu Filho, Cristo Jesus — que conduz a humanidade para a sua plena realização no Pai do Céu. Não tenhamos medo de invocar, com confiança, Aquela que não cessa de dispensar aos seus filhos as graças divinas:

Ó Mãe de Misericórdia,

nós Vos saudamos,

Mãe do Redentor;

nós Vos saudamos,

Virgem gloriosa;

nós Vos saudamos,

nossa Rainha!

Ó Rainha da Esperança,

mostrai-nos a facedo vosso divino Filho;

guiai-nospelos caminhos da santidade;

dai-nos a alegria daqueles que

sabem dizer «sim» a Deus!

Ó Rainha da paz,

satisfazei as mais nobres aspirações

dos jovens africanos;

satisfazei os corações sedentos

de justiça, paz e reconciliação;

satisfazei os anseios das crianças

vítimas da fome e da guerra!

Ó Rainha da justiça,

alcançai-nos o amor filial e fraterno;

alcançai-nos ser amigos

dos pobres e dos humildes;

alcançai para os povos da terra

o espírito de fraternidade!

Ó Nossa Senhora da África,

alcançai-nos do vosso divino Filho

a cura para os doentes,

a consolação para os aflitos,

o perdão para os pecadores;

intercedei junto do vosso divino Filho

pela África

e alcançai, para toda a humanidade,

a salvação e a paz!

Amen.

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16 de Setembro de 2019

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