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​Sangue vivo

· ​Missa em Santa Marta ·

A Igreja «tem necessidade de testemunhas», mártires e cristãos «coerentes» que «levem a sério a vida». Na meditação durante a missa celebrada em Santa Marta a 7 de abril, o Papa meditou sobre a linfa vital da Igreja, sobre o «sangue vivo» que a leva em frente dia a dia: o testemunho.

Uma meditação que se inspirou na liturgia do dia, em especial na primeira leitura, tirada dos Atos dos apóstolos (5, 27-33), na qual se apresenta «um trecho da longa história» que tem início quando João e Pedro curam «o paralítico que estava na porta formosa do templo». Todos, recordou o Pontífice, «viram a cura» e ninguém podia negar a extraordinariedade do acontecimento, porque «todos conheciam aquele homem que tinha quarenta anos». E no entanto os chefes, os sacerdotes, zangados, proibiram que os apóstolos «ensinassem, pregassem em nome de Jesus». Aliás, repreendendo-os, nunca proferiam o nome de Jesus, mas diziam: «aquele homem». E afirmavam: «Enchestes Jerusalém com o vosso ensinamento e desejais fazer cair sobre nós o sangue deste homem». Eram postos em dificuldade por uma realidade que «estava diante de todos. Todos conheciam o paralítico desde há anos e agora viam-no dançar de alegria, louvar a Deus, porque fora curado».

Diante deles, «forte no seu testemunho», estava Pedro. E o Papa, fazendo uma comparação, quis recordar a diversa atitude do apóstolo por ocasião da negação de Cristo: «Pensemos em Pedro, o covarde, na noite de Quinta-Feira Santa quando, cheio de medo, nega três vezes o Senhor». Ao contrário, nessa circunstância o apóstolo afirma: «É preciso obedecer a Deus e não aos homens. O Deus dos nossos Pais ressuscitou Jesus, que vós matastes, pregando-o numa cruz. Deus elevou-o à sua direita como chefe e salvador, e destes eventos somos testemunhas nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu a quantos lhe obedecem». Diria: «Que corajoso!». Francisco comentou: «Aquele Pedro não tem nada a ver com o Pedro de Quinta-Feira, nada! Um Pedro cheio de força que dá testemunho».

Mas aquele testemunho corajoso teve consequências: «Ao ouvir estas coisas, eles — os chefes, os sumos sacerdotes — enraiveceram-se e queriam condená-lo à morte». De resto, explicou o Papa, «o testemunho cristão» segue «o mesmo caminho de Jesus: dar a vida. De um modo ou de outro, mas arrisca a vida no verdadeiro testemunho».

Nesta altura, o Pontífice aprofundou o conceito de testemunho, começando com uma pergunta: «Por que Pedro se tornou tão forte no seu testemunho?». Depois de ter curado o paralítico, o apóstolo disse: «Não podemos calar aquilo que vimos e ouvimos». Ou seja, explicou Francisco, «a coerência entre a vida e o que vimos e ouvimos é precisamente o início do testemunho». Mas o testemunho cristão tem outra caraterística, «não é só de quem o dá: o testemunho cristão realiza-se sempre em dois», como explica o próprio são Pedro: «Nós e o Espírito Santo somos testemunhas destes acontecimentos». Portanto, «sem o Espírito Santo não há testemunho cristão, porque o testemunho cristão, a vida cristã é uma graça, uma graça que o Senhor nos concede com o Espírito Santo» e «sem o Espírito não conseguimos ser testemunhas». Caraterística essencial é a coerência: «A testemunha é quem é coerente com o que diz, o que faz e o que recebeu, ou seja, o Espírito Santo».

Tal compreensão vem também do Evangelho. A este propósito, o Papa evocou o trecho em que Jesus fala com o discípulo que veio ter com Ele durante a noite, e afirma que quem é enviado por Deus «diz as palavras de Deus, sem medida. Ele dá o Espírito. E quem vem do céu dá testemunho do que viu e ouviu». De resto, é o testemunho do próprio Jesus: «Ele dá testemunho do que viu e ouviu com o Espírito que concede aos seus discípulos». E esta, explicou, «é a coragem cristã, este é o testemunho».

Um testemunho, recordou o Pontífice, que encontramos nos «nossos numerosos mártires de hoje, expulsos da sua terra, deslocados, degolados, perseguidos». Eles «têm a coragem de confessar Jesus precisamente até ao momento da morte». Mas é também o testemunho «dos cristãos que levam a sério a sua vida e dizem: “Não posso fazer isto, não posso fazer mal ao próximo; não posso enganar; não posso levar uma vida pela metade, mas devo dar o meu testemunho”». Tudo se liga a um único conceito: o testemunho consiste em dizer o que na fé «vimos e ouvimos, ou seja Jesus ressuscitado», com o Espírito Santo «recebido como dom».

Quantas vezes, acrescentou Francisco, «em momentos difíceis da história» ouvimos dizer: «Hoje a pátria precisa de heróis». Analogamente, podemos perguntar: «Do que é que a Igreja precisa hoje?». A resposta é imediata: «de testemunhas, de mártires», isto é, dos «santos de todos os dias, da vida diária», levada em frente «com coerência», mas também daqueles que têm a coragem de ser «testemunhas até ao fim, até à morte». Todos «são o sangue vivo da Igreja». São eles, acrescentou, «que levam em frente a Igreja, as testemunhas, quantos dão testemunho de que Jesus ressuscitou, de que Jesus está vivo, e testemunham-no com a coerência de vida e com o Espírito Santo que receberam como dádiva».

Concluindo, o Pontífice convidou a rezar para que «o Senhor nos conceda, a todos nós, esta coragem e sobretudo a fidelidade ao Espírito Santo, que nos é oferecido como dom».

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12 de Novembro de 2019

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