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​Salvas

Por séculos, mas seria mais correcto dizer por milénios, as mulheres foram julgadas segundo o uso que faziam, ou com mais frequência que outros faziam, do seu corpo. Considerando que para os homens a certeza da paternidade era garantida unicamente pela fidelidade da mulher, do seu não faltar à palavra dada, qualquer comportamento que pudesse suscitar suspeitas neste sentido era duramente sancionado. Não só era condenada a transgressão em si, mas dava origem a uma condenação total da mulher que a tinha cometido, e a partir daquele momento ela tornava-se uma mulher perdida. Isto verificava-se também quando a infracção às leis morais não se tinha verificado por escolha, mas por violência. O cristianismo, também sobre esta prática habitual, foi determinante: considerando que, seguindo as palavras de Jesus, o que conta é a intenção, já não se podia continuar a condenar a mulher que tinha sido vítima de violência, mas devia ser ajudada. E a ajuda devia ser alargada também às pecadoras, porque o pecado podia ser sempre perdoado, como fez Jesus nos evangelhos. Por conseguinte, o afirmar-se do cristianismo deveria ter significado o fim da condenação da mulher culpada, e afirmar a sua possibilidade de acolhimento e resgate. Mesmo se numa situação de poder patriarcal esta possibilidade nunca foi total, nem gratuita – é suficiente pensar no descrédito que, só há alguns decénios pesava sobre as mães solteiras até em ambientes cristãos – na história da Igreja são numerosas as iniciativas para salvar as mulheres vítimas. Mosteiros para as convertidas – quase sempre intitulados a Maria Madalena – e internatos para mães solteiras, para as ex-prostitutas que queriam mudar de vida, sempre fizeram parte das comunidades cristãs. A atenção e a caridade com as quais Jesus ouvira e amara as prostitutas – ou contudo as mulheres que, como a samaritana, tinham transgredido por amor – não se podiam pôr de lado nem sequer em sociedades nas quais o cristianismo tendia a apresentar-se como uma moral rígida e indiscutível. Ainda hoje, que a revolução sexual eliminou figuras como a da mãe solteira, ou da mulher culpada porque sexualmente transgressiva, permanece um desinteresse generalizado em relação às mulheres que são vítimas de violência nas zonas mais perigosas da terra, ou que são obrigadas a prostituir-se. São demasiadas, são difíceis de gerir – com frequência a sua família rejeita-as – e se não querem abortar têm também o problema de gerar filhos do inimigo. Nestas situações difíceis, dolorosas, dramáticas, quase só a Igreja, ou melhor as irmãs missionárias se ocupam delas e dos seus filhos, lhes oferecem uma possibilidade de resgate. É uma canseira enorme, mas que dá bons resultados e contribui de maneira determinante para melhorar a condição das mulheres no mundo. (lucetta scaraffia)

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25 de Agosto de 2019

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